Dentro do
entardecer do drama do Calvário,
Cujo topo mostrava
ao mundo imensa Cruz,
Ferido pela lança
estulta de um sicário,
Agoniza, a
sangrar, o divino Jesus.
E porque foi
pungente e duro o itinerário,
Em lágrimas
jorrando e suores a flux,
“Tenho sede”
bradou o Cristo solitário...
A tarde em treva
atroz escondia sua luz...
Tem sede um
moribundo e oferecem vinagre
A Cristo que era
autor, com o Pai, do milagre
Do universo sem
par, dos celestiais arcanos.
E no instante
final, quando tudo era mágoa,
Não estendem
sequer uma gotinha d’água
Àquele que criou
os rios e os oceanos!