QUE DÁ SAUDADE, DÁ!
Lino Vitti
Que
dá saudade demais
Daquele
tempo de outrora,
Quando,
cheios de ideais,
Saíamos
logo na aurora,
Por
aqueles matagais
Que
não mais existem agora.
Espingardinha
colada
Nos
ombros com carinho.
Caindo
fora da estrada,
Seguindo
por outro caminho.
O
medo da polícia armada,
Ou
denúncia de um vizinho.
Horas
inteiras espiando
No
buraco do ranchinho.
A
caça vinha chegando
Devagar,
devagarinho,
E
a gente ia atirando
Com
cartucho de chumbinho.
Coitados
dos passarinhos!
Um,
dois, três,quatro e até mais.
No
mato há muitos espinhos,
Muitas
cobras e cipoais.
Na
ceva ficamos sozinhos,
E
quietos, quietos demais.
Nas
copas sussurra o vento,
Ao
longe a juriti pia.
E
a gente em pensamento
Fica
alegre em demasia.
Existe
só um tormento:
Pernilongo
que assobia.
E
depois de horas seguidas
Os
chororós esperando,
E
as juritis sem mais vidas
A
sacola já lotando,
É
hora de despedidas,
É
hora de ir andando.
Acabou-se
assim a caça
O
caçador vai embora,
Filando
por onde passa
Alguma
silvestre amora.
O
Carlos a Iria abraça,
O
Lino abraça a Dora.