Quem
busca essa magia encantadora,
como
suma, sublime, eterna meta,
voz
divinal de divinal cantora?
– O Poeta.
Quem rima os sonhos e a sonhar encanta
majestoso e feliz, querido esteta,
que a vida embala quando em versos canta?
– O
Poeta.
Quem se emociona ante uma flor e chora
diante da dor de muita vida inquieta
E se extasia quando o dia cora?
– O Poeta.
Quem ouve a fonte a murmurar sozinha
qual solitária e triste anacoreta,
em solidão que se compara à minha?
– O Poeta.
Quem ama um céu a rebrilhar de estrelas
e a lua enorme, pálida, indiscreta,
e fica a namorá–las, fica a vê–las?
– O Poeta.
Quem acha encantos e murmura: – é linda,
mesmo quando é terrível e abjeta,
a imagem que ao olhar não é bem vinda ?
– O Poeta.
Quem vai os prantos que sufocam almas,
onde a tristeza soturnal vegeta,
enxugar com carinhos e mil calmas ?
– O Poeta.
Quem segue os passos da felicidade
– busca incessante, divinal coleta –
como se fora uma real verdade?
– O Poeta.
Quem
canta a glória, quem vitória canta,
e o
amor que tanto o coração afeta,
é
ele, é ele que, a sorrir, espanta ?
– É o Poeta.
É ele, é ele, essa figura imensa,
pináculo do sonho, eterno esteta,
que rima, fala, rima e fala e pensa...
– É o Poeta.