POENTE
Lino Vitti
Quantas
vezes ao vir da tarde amena
me
ponho a decifrar o fim do dia.
Insondável
mistério, alma serena
do
poente a tombar em agonia.
A
natureza assiste à triste cena
envolta
num silêncio que arrepia.
Tudo
parece em maciez de pena,
numa
espera da treva hórrida e fria.
E
enquanto a serra ergue o perfil silente
chegam
tristuras prá matar a gente,
cobrindo
a vida noturnal lençol.
E
rubro, imenso, tétrico, medonho
morre
o dia qual morre feliz sonho
no
beijo vesperal do pôr-do-sol.