Lino Vitti
Rude
e rústico homem do campo,
Deus
milagroso que cria o pão,
Matador
da fome da humanidade.
Eu
te saúdo, te aplaudo, te glorifico.
A
terra sorri aos teus anseios
Pela
glória imorredoura do verde,
Pelo
espetáculo eterno da plantação.
Esperamos
por ti, ó lavrador,
Confiamos
em tuas mãos calejadas,
Nos
instrumentos imortais do trabalho.
A
ti, operário indispensável da vida,
Que
enriqueces o patrão e o mundo enriqueces,
Sem
jamais ver a cor da riqueza,
Sem
nunca se libertar dos óbices financeiros,
A
ti, operário,eu saúdo,
Nesta
hora em que és esquecido,
És
lançado à masmorra das necessidades,
Sem
ninguém descobrir tuas lágrimas ,
Tuas
preocupações com esposa e filhos,
Que
o mundo – trabalhador – não é dessas coisas.
Eu
te saúdo, mestre.
Distribuidor
do pão do saber,
Operário
da cultura nacional,
Desbravador
das trevas da ignorância.
Se
não foras tu, como estaria eu
A
tecer este poema em tua homenagem,
Em
louvor daquela paciente professorinha
Que
me ensinou a ler, recitar, escrever?
Eu
te saúdo, sacerdote,
Trabalhador
da Fé, plasmador da moral,
Cujas
mãos sagradas arquitetam os espíritos
Na
glorificação de Deus?
Cujas
palavras abrem paragens paradisíacas
Onde
os anjos brincam de serem felizes?
Eu
te saúdo, funcionário público
Quando
sofres a tirania do horário,
Da
incompreensão, da defasagem salarial
Da
sanha dos que supõem
Que
tu és um deus, imune ao erro,
Capaz
de viver de brisas
E
sustentar a família com despachos oficiais.
Eu
te saúdo, funcionário,
Pelo
silêncio a que estás obrigado,
Pela
dor do sigilo com que machucam
A
tua liberdade de ser pensante.
Donas
de casa, heroínas do lar,
Ao
pé do fogão, da pia lavadora,
A
vós também eu saúdo, porque sois vglória
Da
família e história da humanidade!
Homem
do campo, operário, mestre,
Funcionário,
sacerdote, gerente da casa,
Acorrentados
ao estigma do trabalho,
Quando
raiará a aurora da libertação
De
quem caleja o corpo,
De
quem caleja o espírito,
Para
que ao mundo não falte o pão?”
* * *
Preâmbulo do autor, no texto publicado
na Folha Cidade:
Meu
trabalho de hoje vai decerto deixar “irritados” os queridos paginadores, porque
sei, desde os tempos em que fiz parte do corpo redatorial do Jornal de
Piracicaba, que há dificuldades para eles em colocar poesia nas páginas,
isto porque um poema tem linhas irregulares, ora longas ora curtas, e não se
adapta à regularidade inarredável de uma página de jornal. Além do mais uma
poesia provoca a existência de muitos espaços em branco, o que daria prejuízos
a um jornal onde se publicam anúncios e matéria paga.
Noto
porém que os amigos paginadores de “A Folha Cidade” são peritos em seu
difícil mister, o que me leva a confiar-lhes a publicação do poema a seguir, em
homenagem aos trabalhadores em geral. Assim justificado, vamos aos versos deste
inveterado poeta que, aos 86 anos e pico, ainda pretende editar poesia. E ainda
bem que a composição foi feita ao estilo moderno, isto é sem métrica e sem
rima, o que salva em parte o trabalho dos estimados operários da paginação. Por
tudo, muito obrigado.