POÇO DE JACÓ
Lino Vitti
– Samaritana, tenho sede, “sitio”,*
dá-me dessa água refrescante e boa.
Venho de longe , num andar atoa,
quero apagar de mim este suplício.
– Meu olhar ama, minha mão perdoa,
a gratidão terás por tanto benefício.
Basta-me de tua água o desperdício,
a migalha que em gotas se esboroa
– Obrigado, feliz samaritana ,
Abençôo este poço e dou-te em troca
a água viva do céu que tudo sana.
Jamais a sede secará tua boca,
e verás , ao subir da tua roldana
que a água vertida nunca será pouca !
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(* A palavra “sitio” é latim e pronuncia-se “sicio”,
rima perfeita com “ suplício”, “benefício”, “desperdício”.)