NOSSA SENHORA

Lino Vitti

 

Se contemplas o céu em noite recamada

a grandeza verás das estrelas fulgentes.

São todas corações a palpitar, frementes,

à espera milenar de outra alma, sua amada.

 

Tão longínquas se vêm, mas tão pertinho as sentes,

quase as prendes na mão em desejos alçada.

Uma brilha porém tão bela e destacada,

um astro a reluzir fulgurações ridentes.

 

“Stela Matutina” enfeita o céu risonho,

simboliza oração, divindade, almo sonho,

a cintilar tão alto em luzes se alcandora.

 

E lembra, ao contemplar-lhe o mais sublime brilho,

Aquela que nos trouxe um Deus feito Seu Filho

         Estrela da Manhã, Virgem Nossa Senhora.

 

 

     O que está escrito aí é um soneto, uma composição poética, de apenas catorze versos (linhas), resumindo entretanto uma das maiores homenagens que se podem prestar a um assunto ou a uma personagem, quer do mundo religioso, quer do mundo laico.

      Como podem verificar os estimadíssimos leitores deste feliz e importante semanário sócio-cristão, a figura que desejei homenagear no soneto é nada mais, nada menos do que a Mãe de Cristo Salvador.

      Eu sei que Nossa Senhora merece não apenas 14 versos, mas milhares, um poema dos mais extensos e profundos, do tamanho de sua dignidade e missão de que o Pai Eterno a incumbiu de exercer na Terra, qual seja, a Mãe Daquele que ao mundo veio para abrir o caminho da salvação e felicidade eternas.

      Nossa Senhora é a mulher marcada com o signo da Redenção humana para livrá-la das garras do Pecado, pois por Ela é que do Céu se dignou baixar à Terra o Cristo, o Filho do próprio Deus, Soberano, Eterno, Pai. E para quê?

      Ora, sabemos todos, sabem-no até os pequenos de espírito, que a Humanidade, por força da desobediência pecaminosa de Adão e Eva, primeiros seres criados diretamente por Deus, fora condenada à perdição eterna, pois infinito foi o pecado cometido pelos nossos primeiros pais. Pecado que exigia uma condenação infinita.

      Como então sair-se de tal enrascada praticada pela gula infeliz de Eva, que seduziu o seu companheiro de Éden a comer da maçã proibida, levando-o a uma condenação conjunta, perdendo a inocência divinal e celestial, cometendo aquele pecado com sabor de eternidade? Como salvar a humanidade ingrata que haveria de vir, povoar o mundo, viver, multiplicar-se, cuidar do universo? Como obter o perdão infinito do Criador, infinitamente ofendido pela desobediência infeliz de nossos pais edênicos?

      Bem, Deus é Deus. E o problema criado pela ingratidão do primeiro casal foi solucionado pela sabedoria infinita. Só seu Filho, seu único e como Ele eterno e infinito, poderia servir de embaixador da salvação humana. Assim mandou-o à Terra, para ser Homem, e como Homem e como Deus Filho, ser condenado à morte ignominiosa da Cruz, escolhendo para essa divinal transformação a Virgem Maria, em cujo seio , por ação do Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade Santíssima Pai, Filho e Espírito Santo, o Salvador se encarnou, nasceu e com quem viveu até os 33 anos, quando mais uma vez o Homem se levanta contra Deus e condena, e crucifica, e entrega à Morte, Aquele que é o Filho de Deus.

      Em tudo isso, em toda essa obra divina de arrependimento e perdão, de descida e retorno ao Céu, de morte e ressurreição, foi sublime a presença de Nossa Senhora. Sublime, divinal, oportuna, e feliz, pois foi ela o elo de ligação entre a Terra e o Céu, foi graças à sua participação infinita que a humanidade pôde respirar novamente os ares da felicidade eterna, graças ao seu “Sim” ao anjo, enviado por Deus que a escolheu para ser participante da Salvação Eterna. Foi Ela que livrou o mundo das garras de Satanás, o Pai do Pecado e da Morte Eterna.

      Por tudo isso então Ela merece as homenagens e a gratidão de todos nós. Que acham vocês?!

(Julho 2008)

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