NATAL OLHA O
MUNDO
Lino Vitti
Do seu berço de palha, humilde – a manjedoura-
Que um céu todo a luzir divinamente doura,
O Menino sorri a Maria e a José.
Aos pastores sorri. Tal Menino, quem é?
Dizei-me, Terra e Céus, quem é esse Menino
Cujo sorriso encanta, algo eterno e divino,
Que a noite e os animais recebem como luz?...
Nada mais do
que um Deus, que o Menino Jesus!
E a que vem essa Criança, a que vem esse Deus?
O que Ele vem fazer, quais os desígnios seus?
Vejam bem, homens maus, vejam bem potentados,
Governos sem amor, vítimas de pecados,
Dirigentes cruéis, desalmados e nobres,
Insensíveis e ateus, cegos à dor dos pobres,
Acaso vós sabeis a que vem essa Criança?
Ela é Amor, Ela é Bem, Ela é a própria Esperança!
Ela é Amor, e de Amor precisa a humanidade,
E em seu
olhar nos traz a eterna Caridade.
É a salvação que vem em forma de um infante,
Pastores, a cantar um tedeum triunfante,
Recebem-no
qual rei, pois é rei celestial...
O estelário
do céu saúda o Deus Natal!
Belém, desconhecida e pobre, acorda e canta
Porque a noite foi bela, iluminada e santa
E recebeu de Deus o olhar da salvação,
Recebeu do Natal o imenso coração.
E o Natal olha o mundo e vê que o mundo chora,
Porque lhe falta o Bem, falta-lhe a Grande Aurora
Que talvez tenha vindo, agora, nesse olhar -
Aurora de perdão, santa e espetacular!
Há um divino clarão nesse berço de palha,
Como um imenso Sol que pelo mundo espalha
A Esperança, ainda a vir, do eterno paraíso,
E que brilha no olhar do Menino-Sorriso.
O Natal olha o mundo e vê que o mundo é triste,
Porque no triste mundo o Amor não mais existe;
Porque no mundo triste os homens se assassinam,
Os homens sem trabalho arquejam, desanimam,
E a vida é um trapo só, mentira, decepção,
Desencanto, terror, misérias e ilusão...
É preciso que um Deus deixe a eternal morada
E venha trazer Paz
a essa gente transviada,
E venha trazer luz à universal cegueira,
E debelar o mal que entre os homens se esgueira.
Natal! Nasceu Jesus! Olhai, Menino Deus,
Há muitos infiéis, muitos ladrões e ateus,
Assassinos demais, guerras fatais, atrozes...
Mandai, Senhor, de
novo as sacrossantas vozes
Dos anjos celestiais de que precisa o mundo,
Indecente, feroz, atrabiliário e imundo,
O fétido universo em que hoje vivemos,
Arquejantes, sem fé, sem amor, sem fanal.
Desce de novo, Deus, porque nada mais temos,
Precisamos, senhor,
outra vez de um NATAL!