A Lagoa dos Sapos

Lino Vitti

 

O ouro da luz, no azul do céu, transborda

Golfões sangüíneos do horizonte escapos.

E das sombras da várzea a voz acorda

Polífona, metálica, dos sapos. 

 

Uns sons oblongos de redondos papos,

Guaiados bambos de distesa corda.

Pancadas surdas como um dar sopapos,

Num bumbo fundo, de selvagem horda.

 

Gaiatos gritos e ancestrais glús-glús,

Fanhoso côro, estúpido e arabesco,

Musicando o estertor final da luz. 

 

E, a enxamear pequeninos holofotes,

A lagoa é um salão carnavalesco

Retumbando batuques e fox-trotes.”

 

 

(Soneto publicado em O MARIANO, semanário católico de meus tempos de congregação de Fita Azul – janeiro de 1952 –, tendo chegado de volta às minhas mãos graças à gentileza do saudoso artista plástico Edson Rontani.)

 

 

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