Quando Jeová Criador,
num gesto onipotente,
Ao caos determinou e a
seu furor ingente:
“Vai-te, enfim, já não és”,
pela primeira vez,
dourando altivo monte,
surgiu o grande sol, da
vida a imensa fonte,
uma glória a
seus pés!
E ao brilho dessa luz os
pássaros cantaram,
as flores, a sorrir, os
prados perfumaram,
Fez-se tudo
esplendor.
E quando veio a noite o
cósmico infinito
vestiu a escuridão de
estrelas, como um grito
de intérmino
fulgor.
Deus disse: “fiat homo et
mulier”, que gerem,
que dominem a Terra e
tudo quanto querem,
que vivam sem
temor!”
E para que seguisse a
vida humana em frente
pelos tempos sem fim, o
Grande Onipotente
criou neles o
Amor.
Deu-lhes um paraíso, a
inocência, a beleza,
deu-lhes a liberdade, o
saber, a realeza,
os sonhos
divinais.
“Tudo o que vedes dou,
como prêmio; e lhes disse:
amai, amai, amai, com
carinho e meiguice,
que um só, os
dois sejais.”
Viu Jeová porém que
estava o homem triste,
que a mulher,
companheira, ao pranto não resiste...
“Algo falta
lhe faz ...”
E em silêncio, o Senhor -
Soberano e Clemente -
pensou, pensou,
pensou... E repentinamente
o mistério
desfaz.
E diz: “Para cantar tão
santa maravilha,
para louvar a luz que
intensamente brilha,
e o universo
cantar...
Cantar esse orquestral
em meio da floresta,
Cantar o bisbilhar das
águas sempre em festa,
cantar,
cantar, cantar...
Tantas cores Eu dei ao
imenso universo,
tantas vozes Eu dei ao
mundo inteiro imerso
em sinfonias
mil!
Pus no azulado céu as
nuvens corre-corre,
o despertar do dia, a
tarde anil que morre,
o lindo mês
de abril!
Bordei de alvor de
espuma as praias arenosas,
coloquei a vagar as
ondas caprichosas
num infindo
guaiar.
De montanhas cadeia
altiva se elevou,
do seu seio o vulcão
furioso despertou,
sangrando sem
parar.
O rio se estendeu
levando águas cantantes
e o regato correu entre
árvores gigantes,
murmurando
feliz.
O grande sol beijou com
a luz de sua bênção
Um fruto rubro e doce em
cada seara imensa,
Como um seio
nutriz.
E viu o Criador que tudo
o que foi feito
era belo e divino, era
santo e perfeito,
era vida e
esplendor.
As criaturas, então, por
que diante de tanto
não cessavam de vez o
enigmático pranto,
louvando ao
seu Senhor?
E Adão, postas as mãos,
em súplicas divinas :
“Grande Jeová – exclamou
– tudo isso que destinas
do mundo ao coração,
Precisa de algo mais,
para ser mais perfeito,
necessita de mais um só
santo preceito,
completando a
Criação;
Senhor, para que a vossa
alta obra se consagre
Determinai tão só que se
faça o milagre
Da eterna
fantasia.
Eu quero nada mais que
coloqueis no mundo
Essa força, essa luz, o
milagre jucundo
Da divina
POESIA”
(Poesia
escrita especialmente para o ato de lançamento do livro “CLIPOETAS VI” - 2004)