Tardes belas

tardesbelas

(Publicado em Antes que as Estrelas Brilhem, p. 37.)

Desce da altura lírica do espaço
a doçura da tarde descanbante,
o horizonte vermelho é um regaço
onde repousa a luz agonizante.

Vejo o dia fugindo, passo a passo,
sinto a angustia da sombra acachapante.
Diante dessa visão o que é que faço?
Por que tudo se esvai além, distante?

Tarde morrente, és símbolo da vida
efêmera, tristonha, dolorida,
sonho fugaz, esquivo adeus do sol.

Mas se amanhã tu voltas, tarde linda,
verás que uma só vez a vida finda,
porque ela não tem nunca outro arrebol.

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