O soneto: Feliz tortura


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O Soneto: Feliz tortura

(Aos sonetistas piracicabanos)


És humano! És divino! És apenas um sonho?
A que mundo pretende tua ânsia chegar?
Teu planeta não é este globo bisonho;
Vai além teu querer, vai além teu buscar!

Peregrino do Belo, a esse Belo, suponho,
aspiras, ó Poeta, em teu sonho alcançar!
A Poesia ora é chama, ora é abismo medonho;
mesmo assim - vagalume - a luz queres tocar!

Sofres, também suponho, o estranho sofrimento
de atingir o ideal do sublime tesouro
a que chamas: Soneto; a que eu chamo: Portento!

Nessa estrela de luz, qual mísero besouro,
te envolves; mas sorris! É um divino momento!
É a tortura feliz da feliz chave de ouro!







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