És humano! És divino! És apenas um sonho?
A que mundo pretende tua ânsia chegar?
Teu planeta não é este globo bisonho;
Vai além teu querer, vai além teu buscar!
Peregrino do Belo, a esse Belo, suponho,
aspiras, ó Poeta, em teu sonho alcançar!
A Poesia ora é chama, ora é abismo medonho;
mesmo assim - vagalume - a luz queres tocar!
Sofres, também suponho, o estranho sofrimento
de atingir o ideal do sublime tesouro
a que chamas: Soneto; a que eu chamo: Portento!
Nessa estrela de luz, qual mísero besouro,
te envolves; mas sorris! É um divino momento!
É a tortura feliz da feliz chave de ouro!