A lagoa dos sapos


(Publicado na revista Itinerário, n. 1, janeiro de 1952.)


sapos
 

(Reproduzido em Antes que as Estrelas Brilhem, p. 18.)


O ouro da luz, no azul do céu, transborda
golfões sangüíneos do horizonte escapos.
E das sombras da várzea a voz acorda
polífona, metálica, dos sapos.

Uns sons oblongos de redondos papos,
guaiados bambos de distesa corda.
Pancadas surdas como um dar sopapos,
num bumbo fundo, de selvagem horda.

Gaiatos gritos e ancestrais glús-glús,
fanhoso coro, estúpido e arabesco,
musicando o estertor final da luz.

E, a enxamear pequeninos holofotes,
a lagoa é um salão carnavalesco
retumbando batuques e fox-trotes.


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