Agosto  (1946)


agosto

(Publicado em Antes que as Estrelas Brilhem, p. 89.)

Tenho dentro de mim um céu fumento,
Um céu de agosto, quente e sertanejo,
Sem um arquejo cálido de vento,
Alargando-se todo num bocejo ...

Num bocejo amplo e enorme de fornalha
Pelo ar lançando o fumo das queimadas
Que se alastram, chiando, pela palha
Ressequida e poeirenta das roçadas.

Minha alma é esse céu, sempre tristonho,
Coberto pelo fumo da amargura;
por onde mal se côa o sol de um sonho
E não perpassa a brisa da ventura.

São roças meus ideais, que as labaredas
Da ilusão pouco a pouco vão queimando,
Deixando para trás as cinzas quedas
Das saudades que sinto e vou levando...


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