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Explico,
antes de mais nada e da importante curiosidade do leitor, o que vem a ser essa
palavrinha “roble”, inserida por mim no título desta crônica. Não é bicho de
sete ou mais cabeças, pois roble é nada mais nada menos do que a frondosa e
altiva árvore carvalho. Portanto, mais adiante pretendemos inserir no tronco
dessa gigantesca espécie arbórea, algo muito bacana que acontece no campo do
amor humano. Você que acaso tenha mania gostosa de perseguir com sua valiosa
leitura a estrada literária destas crônicas, como o deve fazer também com as de
Totó Danelon, Jair Vitti, Padre Zezinho e outros que publicam ao nosso lado os
seus belos trabalhos, cada qual na sua especialidade, vai constatar ao final
dela como há coisas simplicíssimas na vida, nas cujo significado guardam uma
enormidade de sentimentos.
Elas
mexem com o maior deles, abrigado no imo da alma humana: o Amor... Baah! me
dirá você, com certa ironia e descrença: amor, amor! Essa coisa tão
tergiversada nestes terríveis tempos de mal estar moral, social, religioso,
nacional e internacional, de uso e abuso pelos jovens, madurões e velhotes,
pelo homem e pela mulher, pelos povos de todo o mundo! É, meu caro cronista,
prosseguirá a sua voz a que empresto muita importância e valor, ninguém mais
respeita o amor, aquele que fazia tremer o coração e a voz dos namorados, dos
pretendentes ao amor necessário e profundo para se constituir uma verdadeira
família, recheada de filhos e filhas, tudo atendendo ao mandamento divino do
amai-vos, amai-vos. Verdade, verdade, meu suposto interlocutor, tudo parece ter
ido por água abaixo, gerando a infelicidade humana tão presente em nossos dias
turbulentos, guerreiros, cansados de virtude, arrebentados pelos vícios e
pecados.
Desculpem os possíveis leitores, pela
digressão acima, pois a conversa inicial com vocês era a de escrever sobre
troncos de árvores anosas, frondosas, donas de amplo espaço no seio da floresta
ou sobrando solitárias nos descampados e barrancas de estradas antigas que, de
distâncias em distâncias, serviam de ponto de descanso para os viajores,
romeiros, passeantes, e mendigos perambulantes. Esses espécimes eram propícios
a piqueniques ou paradas para abrigar-se do sol ou para tomar mesmo um lanche.
Além dos restos da festa passageira, costumavam as pessoas deixar um sinal
inconfundível de sua passagem, gravando, a canivete, nos grossos troncos da
generosa árvore, um coração – símbolo do amor – onde se gravavam, em geral, o
nome de jovens casadoiros, para a curiosidade dos novos passantes: fulano ama
fulana – passamos por aqui em (data ) e aqui deixamos o nosso amor. Marília e
Gilmar, amamo-nos... E assim, cada qual a seu modo ia deixando no tronco da
grande árvore lindeira ao caminho, a manifestação evidente do seu bem-querer.
Tempos
idos, era assim que se gravava o gostar dos namorados ou um pensamento qualquer
de interesse do coração. Os troncos de árvores alterosas, frondes copiosas,
serviam de telégrafo estranho para perpetuar adiante, tempo afora, um momento
de felicidade acontecido à sombra daquele teto amplo e verdejante. E era sempre
certo que alguém curioso botasse olhar sobre um coração desenhado, em talho, no
tronco escamoso, a guardar dentro das linhas em formato imitativo, a
manifestação do namorado, do noivo, de uma ansiosa ou ansioso jovem, para que
um passante, lendo no futuro, participasse daquele momento de ventura e sonho.
Muros,
paredes de caverna, bilhetinhos repassados, às ocultas, por entre as carteiras
da sala de aula, substituem hoje, aquele primitivo processo comunicativo
estampado no troco de um roble, de um jequitibá, de uma perobeira, de um cedro,
de uma paineira que, por acaso, tenham sobrado intactos da devastação das matas
e pontifiquem, soberanamente solitários, à beira dos caminhos, junto aos locais
de turismo, onde possam surgir ao olhar dos curiosos que sempre os há em locais
assim.
Reconheço
que não está muito bem forjada a crônica de hoje. Espero entretanto que em meio
à confusão redacional, os amigos leitores compreendam o que o inveterado cronista
quis dizer e o nobre editor perdoe a falta de imaginação de seu bisonho
colaborador.
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