SAUDOSOS MESTRES

Lino Vitti

 

Pergunte ao Paulo, diretor deste semanário: você recorda de seu (sua) primeiro(a) professor (a)? Pergunte ao professor Universitário Elias Salum: Você se recorda do seu professor(a) do grupo escolar? Pergunte ao Eng. Agrônomo dr. Policarpo Vitti: você se lembra de sua primeira mestra? Pergunte a Monsenhor Jorge Miguel: V. Rvdma. se recorda da sua primeira professora ou professor? Pergunte a qualquer amigo, a qualquer colega, a qualquer cidadão que encontrar na rua, e todos unanimemente responderão, como os acima indicados, que “sim”. Quem esqueceria essa figura importante, querida, admirada, impressionante que apontou no caminho de nossa vida, como uma luz vinda do céu, para nos trazer a outra luz vinda por suas santas mãos a iluminar nossas cabecinhas cruas de conhecimentos e conseguir colocar no despertante cérebro infantil o mundo das letras, dos números, do livro, da história, da geografia, da caligrafia, da composição, do desenho, do amor à cultura e ao saber?

Ah! que “saudades eu tenho”, não da “aurora da vida”, como cantou o poeta Casimiro de Abreu, mas da minha professora querida, que os “anos não trazem mais”. Que criatura santa, venerável, maravilhosa, inesquecível! Quanto carinho, quanta dedicação, quanto amor, quanta boa vontade, quanta paciência, na primeira mestra ou mestre que se propuseram nos desvendar os mistérios dos conhecimentos culturais, plantar, com ternura e esperanças, a semente do saber para que um dia, depois de passados os anos, se abrir em árvore frondosa e florida, como floridos vejo os ipês de minha rua neste momento em que escrevo recordações da primeira professora escolar.

Nada mais exato do que comparar o trabalho desses primeiros desbravadores de nossa inteligência aos de um jardineiro que sói chumbar no solo a sementinha do saber, vê surgir as suas primeiras folhinhas, rega-a com o seu amor de mestre, percebe-a crescer, virar árvore, florescer e produzir os frutos culturais, colocando às mãos de cada aluno uma luz, um farol, que lhes seguirá à frente, para espancar as trevas da ignorância e do analfabetismo, mostrar-lhes o caminho certo para vencer na luta pela vida, para ser gente no mundo, para encontrar um futuro mais risonho e feliz!

Professora Josefina, professora Mercedes, professor Euclides Orsi, professora Helena, Professora Waldomira, Professora Ester, Diretor João Pecorari, diretor Carlos de Lima, esses são alguns nomes que há 75 anos atrás, com o mais santo carinho, com as mais dedicadas vontade e paciência, com o mais sublime empenho, com o mais nobre amor, abriram a cacholinha infantil roceira de Lino Vitti, inculcando nela toneladas de saber, injetando nela as plantinhas tenras dos conhecimentos culturais, para que ao longo de seus quase 89 anos, fosse um “Príncipe da poesia piracicabana”, fosse um redator de jornal, fosse um escrevinhador de artigos, e poemas para os jornais da terra, fosse um Diretor da Secretaria da Câmara de Vereadores de Piracicaba, fosse pai de filho e filhas formados em universidades, fosse o “Cidadão Praeclarus” de Piracicaba, fosse enfim o que sou: uma pessoa digna de viver e participar de uma sociedade exornada das mais intensas cultura e cidadania.

Sim, meus caros amigos leitores, sim, nobres diretores de Folha Cidade, do Jornal de Piracicaba e Tribuna de Piracicaba, foram meus primeiros mestres, lá do caipira grupo escolar de Santana, que me ensinaram a ser um poeta, um escritor, um jornalista, um homem digno de ser piracicabano e brasileiro, e servir aos conterrâneos com o orgulho das letras e deixar ao futuro um rastro daquilo que aprendeu com eles.

Só Deus pode ser o transmissor de meus agradecimentos aos meus saudosos professores infantis. Por isso digo, com devoção e fé: Deus lhes pague, queridos mestres. Valeu a pena ser aluno de vocês. E tenho certeza de que Ele os tem eu seu paraíso, pois só o céu pode representar minha gratidão e compensar o trabalho de vocês.

E para finalizar, Deus deu-me ainda uma imensa graça: a de haver casado com uma professora de escola primária, Professora Dorayrthes, continuadora inarredável da missão daqueles mesmos professores primeiros que abriram a inteligência a seu marido, e deu capacidade infinita de transmitir ela mesma, a talvez milhares de alunos, as primeiras e mais importantes letras e estudos da vida de cada um.

*  * *

(Lino Vitti é aposentado da Câmara de Vereadores, “Príncipe dos poetas piracicabanos”, Piracicabanus Praeclarus, e há mais de 50 anos colaborador da imprensa local.)

(Julho 2008)

Hosted by www.Geocities.ws

1