A POESIA VAI ÀS ESCOLAS

 

Lino Vitti

 

           Arquivo de escritores, poetas, músicos, redatores, atores, e outras pessoas desse quilate, costuma ser chamado de BAÚ, porque muita produção inédita ou não, não se sabe porque, vai se acumulando no seu bojo e um belo dia, mexericando por essas coisas de antanho, descobre-se algo aproveitável e que pode ser conhecido por mais eleitores. Aí o cara acha que vale a pena reeditar, embora nem todo o mundo concorde com isso. Então peço paciência, para repetir uma crônica e o perdão também por ocupar o tempo dos amados leitores deste semanário por alguns momentos para o texto de uma crônica encontrada na barafunda dos velhos papéis. É assim:

 

           “Talvez seja eu o mais velho poeta piracicabano e como redator aposentado do Jornal de Piracicaba, onde fiz companhia redatorial a Losso Netto, Acary Oliveira Mendes, Severiano Alberto Ferraz Filho,Leandro Guerrini, Nelson Barreiro (Tuca) , José ABC, Euclecio Boscariol, Geraldo Nunes, Esio Pezatto, Godinho, ao perpétuo amigo de revisão Oracy Segredo, a outros mais que a memória esconde nas sombras do passado – como ex-redator do JP e detentor do honroso título de Príncipe dos Poetas Piracicabanos, eleito pela Academia Piracicabana de Letras – repito -– não poderia ignorar o advento do suplemento “JP na Escola” com que somos brindados pelo centenário e amado Jornal de Piracicaba.

           De modo especial, porque o seu último n.5 surpreendeu-me com matéria que interessa à poesia, eis que o promissor suplemento foi mexer com a Poesia que cultivo eu há mais de 60 anos, mostrando que ela floresce, muito linda e fulgurante, no seio da meninada escolar que demonstra interesse e capacidade para serem os futuros poetas, substitutos das gerações que o tempo extingue fatalmente.

           Como isso é bom! Como isso é louvável! Como isso é importante na vida cultural da cidade e quiçá em paragens superiores pois o futuro não se sabe que maravilhas poéticas pode nos trazer, não se pode prever a que ápices chegará a poesia que os seus antecessores lhes trouxeram,com carinho e alegria, para que eles não a deixem cair, nem desaparecer no emaranhado turbilhão da vida em constantes modernizações, modificações, surgimentos e desaparecimentos, como ela sói acontecer.

           Sim, caros poetas-mirins, em vossas mãos entregamos essa bela e encantadora bandeira da Poesia. Já mostrais que ela está dentro de vós, florescendo como os ipês na Primavera. Agora que a estais desfraldando ao sabor da cultura piracicabana, alçai-a bem no alto, pois ela é tão bela como um luminoso amanhecer de sol, como uma árvore frondosa coberta de frutos saborosos, como um sorriso de mãe, como um aceno da felicidade que passa deixando-nos braçadas de rimas e estrofes e versos, como o amor de lares cristãos e constituídos, como um belíssimo sonho que nos fica a alegrar o sono feliz dos que estão de bem com a vida.

           Sim, meus pequenos súditos, amai a Poesia, pois ela traz grandeza à alma e felicidade ao coração. O encontrá-la em vosso caminho já é um importante e almejado bem, caminhar por ela será encontrar o Belo, todos os dias, todas as horas, pois ela está em toda a parte, no lar, nos templos, na escola, nas diversões, e também nas horas difíceis e de dor, porquê ela é amiga de todas as horas e em todos os locais por onde enveredarmos os passos.

           Demos graças a Deus pela inspiração com que nos agraciar, mas agradeçamos também a essas pessoas que nos propiciam veredas e encontros poéticos, que nos dão a oportunidade de registrar a Poesia em letra de forma, levando-a a muitos, oferecendo-a aos que também a amam, dignificando-a com a vossa inteligência, perpetuando-a em versos e rimas, rica e ardente como a recebestes de vossos antepassados.

           No meio de tantas infelicidades que geram sofrimentos e contrastes, que a Poesia seja uma luz, seja um consolo, seja uma forma de aliviar as turbulências da vida, criando o indispensável Amor entre irmãos, povos e nações.

           Poetas-mirins, não deixeis que esse estandarte se curve. Erguei-o com entusiasmo e dedicação, pois é o símbolo da fé no futuro da Pátria que está em vossas mãos.”

 

           Este, entre aspas, é o teor da crônica, mas como a Poesia é importante e algo motivando até o Amor a Deus e ao próximo, deve chegar ao conhecimento de todas aquelas pessoas que tenham Fé, religião, sonhos, esperanças e anseiem por alguma felicidade – figura esta sempre embutida dentro de um verso, de uma estrofe, de uma rima, de um soneto, de um poema. Eu não concordo com aquela velha idéia de que os poetas são tristes, macambúzios, chorões, solitários e sofredores, como tempos idos se entendia ser. Ao contrário quando acaso me ponho a versejar, há como que uma aura de alegria e bem estar que me envolve, o que deve acontecer, creio, com todos esses cultores do Belo e das belezas do estilo e da forma de escrever.

           Assim rezava a crônica. Prossigo mais um pouquinho, se tiver consentimento dos amigos leitores de Folha Cidade para acrescentar mais alguma coisa.

           Além do mais, a Poesia, mais se assemelha a uma prece. Nela moram sentimentos de todos os quilates e foi Deus Criador o primeiro poeta, quando nos legou um mundo como o que temos, quando deu vida aos primeiros seres humanos, quando implantou –lhes no coração o Amor.

           Quem poetisa, quem lê poesia, quem declama versos, estão orando e mostrando que ela é provinda do Infinito dos Céus para o lazer cultural e religioso do homem na Terra.

 

(Dezembro 2007)

Hosted by www.Geocities.ws

1