Acredito eu estar registrada
no Evangelho uma frase categórica que preceitua não deva o homem, trabalhando
com o arado, olhar para trás. Com isto a palavra de Cristo nos quer ensinar que
na vida se deve caminhar sempre para frente, olhar no horizonte que se desvenda
como uma esperança, propósitos dignos de seguir o aceno, embora misterioso, do
futuro, pois é lá que estão os objetivos da vida, é à frente que fica o Paraíso
a ser conquistado com a graça divina e uma vida condigna e eivada de amor. O
passado, o ontem, estão sepultados, por isso o melhor mesmo é esquecê-los,
principalmente se não se revestirem da grandeza humana própria de homens
cristãos, condignos, tementes a Deus e a seus Mandamentos.
De que vale retornar passos
melancólicos sobre pedaços de vida indignos, infelizes, turbulentos, diria
mesmo, tristes, atrás dos quais se escondem atos e fatos que só servem para
enegrecer os dias deixados atrás? De que vale relembrar e ficar martelando
elucubrações que nada serviram para endireitar as curvas e ou encostar os
pedrouços do caminho? De que vale ficar remoendo figuras que caminharam ao
nosso lado, às quais devemos apenas gratidão e saudade, se nunca mais poderão
estar conosco, conversar, abraçar, amar e mesmo orar? De que vale derramar
lágrimas pelas oportunidades perdidas, pelos momentos de felicidade
desperdiçados, pelos sonhos irrealizados, pelas esperanças combalidas? O
esquecimento é ótimo conselheiro, pois apaga alegrias e prazeres que não mais
retornarão, e enterra os sofrimentos e as dores que ao longo da caminhada
ousaram enredar-nos os passos e somar o sepultamento a mais dores e sofrimentos
que já haviam sido sepultados.
É Cristo que lembra não deva
o homem do arado olhar para trás, porque quem desvia o olhar do horizonte da
frente, para fitar o que se foi, está sujeito a tropeçar no caminho, a perder o
rumo certo, a desviar-se da via traçada, para ver seus passos enredados pelos
cipoais daninhos e possivelmente tombar e não mais encontrar a senda do seu destino.
Além do mais, o lavrador ao arado que se volta não terá como ver e logicamente
saber se o animal que puxa o instrumento agrícola vai seguindo a direção certa,
vai executando com primor o trabalho que lhe incumbe, podendo apresentar-se o
perigo de uma distorção e perda irreparável do labor feito.
O olhar para frente vê o
horizonte se aproximando e com ele poderá chegar quiçá um bem, uma alegria, uma
luz, uma felicidade, importantes metas aspiradas pelo homem. De outra forma,
todas essas justas aspirações humanas, não poderão ser vistas ou desfrutadas se
já ficaram para trás, impossível que é vê-las retornar algum dia.
Então, meu único leitor, ao
empunhar o arado da vida, atento à palavra de Cristo. Nada de soltar as mãos do
arado para ver, mesmo que seja uma espiadela, o que já ficou lá atrás. O digno,
o necessário, o importante, o bom em todos os sentidos, é sacar os olhares
sobre o iluminado horizonte que se distende como uma promessa e um futuro à
frente de você.
(Julho 2008)