“NOSSA SENHORA! VIRGEM MARIA!”
Lino Vitti
É
assim que o povo invoca Maria Santíssima, Mãe de Cristo Salvador. Assim e de
muitas outras maneiras, segundo a região do país e às circunstâncias em que o
invocante se encontra, pedindo socorro, esperando ajuda, louvando, agradecendo,
invocando, manifestando alegria ou tristeza, na doença ou na saúde Há no
coração popular, inúmeras maneiras e inúmeras formas de chamar a Virgem Maria,
prova incontestável de que seu nome e sua imagem estão na alma do povo, como objetos
de amor, de fé, de confiança, de oração.
Qual é a primeira oração que os lábios infantis balbuciam? É decerto a “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós, entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre, Jesus”. E a esta bela e valiosa invocação de louvor acrescentamos não menos confiantes: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amem.” Que sublimidade em tão poucas palavras! Que palavras singelas, mas cheias de força e divindade, de fé, de amor! Unem-se os anjos e a alma humana para saudar, louvar, engrandecer, pedir, esperar, confiar. Quem proferiu as palavras da oração santíssima, por primeiro e como mensagem enviada do Céu pelo Pai ? Foi o mensageiro do Senhor, o Anjo celestial, trazendo consigo o elo entre Deus e o homem, momento em que se iniciava o processo divino do perdão ao homem pecador que desde o Éden vivia em culpa pela desobediência infeliz ao Criador. O Ave Maria, cheia de graça, trazia muito mais ainda. Deus Trino e Uno anunciava, nas palavras angélicas, a vinda ao mundo de um Salvador, nada mais, nada menos do que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Cristo. E feito homem, igualado ao homem, carregado dos pecados de toda a humanidade e de todos os tempos, para que os pagasse por nós, devedores das culpas, com a sua morte no cimo de uma Cruz, vista por todos os olhos humanos no topo de um monte chamado Calvário.
“O senhor é convosco”, Ele
chega junto àquela mensagem, junto àquela prece, junto àquele profético “Ave
Maria”. E Maria aceitou o pedido do Céu, recebeu Cristo, deu-lhe um lar
terreno, deu-lhe todas as forças humanas para suportar o peso dos pecados do
mundo inteiro e dos tempos pretéritos, presentes e futuros, até o momento
estóico e histórico do Calvário e da Ressurreição, sofrendo com Ele,
participando com Ele no processo sublime e divino do Perdão. É então que
murmuramos “Cheia de Graça, “o Senhor é Convosco”, “Rogai por nós, pecadores”,
“agora, sempre e na hora da nossa morte”.
É por tudo isso, por toda essa
glória, por toda sua vida de oração, e alegria, e dor, e amor, que a Virgem
Maria é tão amiga do povo, é tão invocada pelo povo, é tão lembrada pelos que
necessitam de remédios para expulsar a dor, os sofrimentos, os males, as
tentações, os perigos, as desventuras. “Nossa Senhora!”,“Virgem Maria!”,”Maria
Santíssima!”. São chamados de quem precisa de ajuda, de socorro, de afastamento
do perigo e da desgraça. As vozes de angústia e de esperança, sabem que a Mãe
de Cristo Salvador, é ouvida pelo seu Filho, e, acaso, há filho algum neste
mundo que fuja de um pedido amoroso de sua mãe, em favor de outrem, necessitado
e infeliz?
E acaso, ainda, há alguém
neste mundo complicado que não necessite nunca de ajuda, de socorro de remédio
para qualquer mal, de uma favor celestial ou humano?
Para isso, Cristo nos deixou
Sua Mãe e o Arcanjo nos deixou a “Ave Maria, cheia de graça...”. Dificuldades,
contrariedades, males e dores, são próprias do ser humano. Nada custa pois,
sempre que formos atacados por elas, chamar a Virgem Maria. E entregar-lhe à
mão divina a solução, pelas palavras santas do Mensageiro da Salvação
espiritual da humanidade.