O tempo é uma corrida. Não é
nenhum filósofo que me diz isso, mas simplesmente o filosofar coletivo do povo.
É o povo que costuma filosofar: “Como tempo passa!” “Como o tempo corre!” “A
vida é um corre-corre danado!” “Veja só, o último Natal foi ontem e Ele está aí
de novo”.
O povo sabe também filosofar, à sua maneira é claro,
mas com filosofia ou sem filosofia a verdade é que Natal chegou, vai dar seu
recado ao mundo e depois segue seu roteiro inexorável, pois inexorável é o
tempo que não pára, não dá atenção a ninguém, não tem governo, não tem patrão,
não tem lei, não tem Constituição, não tem polícia, não tem parlamentares, não
há força alguma que o detenha ou diminua o sucessivo rolar dos dias e noites,
dos nasceres e pores do sol, do tique-taque dos relógios, instrumento que o
homem supõe ter inventado para medir e controlar o tempo, mas que na verdade só
serve para complicar a vida, ainda mais quando uns tolos querem empurrar horas
para frente ou para trás, como se possível fosse empurrar ou segurar o segundo,
o minuto, a hora que passam. Todavia o homem parece gostar de ser enganado e
assim de ledo em ledo engano vai vivendo e o tempo vai passando.
Eu queria escrever hoje alguma coisa linda e valiosa
do Natal do Menino Jesus. Não consigo porém , porque Natal é algo divino, algo
imenso como o céu, algo envolvido com o tempo e com a vida da humanidade. E
como pretenderia um singelo rabiscador de linhas tortas dizer alguma coisa
sobre tanta grandeza e divindade!
Natal! Pois é ... Nasceu um Menino numa manjedoura
de um estábulo nos cafundós de Belém, nos confins do planeta ... Um Menino como
outros meninos do passado, do presente e do futuro. Só que apareceram anjos no
céu, coros angelicais encheram a noite fria, gente humilde dos pastoreios, Reis
do Oriente, vieram visitar a Criança e todos e tudo dizendo que aquele não era
só Menino, era um Menino Deus. Era filho de uma Virgem Maria, gerado pela
terceira Pessoa da Santíssima Trindade – o Espírito Santo. E vinha ao mundo,
não para ser Rei da Terra, mas o Salvador da Terra e o Rei da humanidade,
depois de ser ignominiosamente julgado, condenado e crucificado, morrendo por
três dias e ressuscitando glorioso para sentar-se à direita do Pai, levando-Lhe
o penhor da salvação dos homens envolvidos que estavam no Pecado e na
condenação eterna.
Natal, que cada qual comemoramos a nosso talante,
uns comerciando mais, outros fabricando mais, estes presenteando filhos,
familiares e amigos, aqueles rezando no recesso dos templos e das celas, alguns
ignorando o acontecimento, outros aproveitando para dar vazão a instintos mal
contidos, o Natal de tanto significado e beleza cristã está aí de novo,
trazendo sua mensagem de Paz, de Amor, de Esperança, de Caridade, de Fé e
realização de sonhos e anseios, para os “homens de Boa Vontade”, com cantavam
os anjos do céu em coro celestial, por toda a terra.
Natal cristão! Natal pagão! O tempo que a nada e a
ninguém obedece, não se cansa de apresentar-te a nós, peregrinos da vida, ao
vir de cada 25 de dezembro, sempre com o belo convite: mudemos de vida
pecaminosa e irresponsável, amemos mais nossos irmãos, sejamos mais amigos,
construamos mais paz, tenhamos mais Amor para distribuir e mais fé para o
receber ... Para isso, para ser mensageiro de Deus e de seus mandamentos é que
vens, Natal, embora o homem e a sua humanidade tenham um coração de pedra, de
difícil acesso à voz, aos ensinamentos, aos conselhos, aos desígnios do Pai e
do Menino Deus. Sei que se fôssemos mais coerentes, mais convictos de religião,
mas obedientes aos mandamentos, mais generosos na distribuição de alguma
felicidade, notaríamos com mais importância e daríamos mais valor a essa data,
recordação do início da Salvação do mundo, aquela que marcou a presença
material de Deus entre os homens.
E aí, sim, poderíamos repassar, sem temor, o belo
recado : Feliz Natal.
É o que desejo a todos vós irmãos em Cristo,
parentes, familiares, amigos, diretores e elaboradores deste jornal,
colaboradores, leitores e a todos quantos discordem mesmo de nós, de nossa Fé,
de que Natal é Deus Menino, Salvador do mundo e Aquele que abriu as portas
eternas da salvação, desejo – repito – um
Felicíssimo Natal.
(Dezembro de 2007.)