NATAL NO GIRO DO TEMPO

 

Lino Vitti

 

                 O tempo é uma corrida. Não é nenhum filósofo que me diz isso, mas simplesmente o filosofar coletivo do povo. É o povo que costuma filosofar: “Como tempo passa!” “Como o tempo corre!” “A vida é um corre-corre danado!” “Veja só, o último Natal foi ontem e Ele está aí de novo”.

                 O povo sabe também filosofar, à sua maneira é claro, mas com filosofia ou sem filosofia a verdade é que Natal chegou, vai dar seu recado ao mundo e depois segue seu roteiro inexorável, pois inexorável é o tempo que não pára, não dá atenção a ninguém, não tem governo, não tem patrão, não tem lei, não tem Constituição, não tem polícia, não tem parlamentares, não há força alguma que o detenha ou diminua o sucessivo rolar dos dias e noites, dos nasceres e pores do sol, do tique-taque dos relógios, instrumento que o homem supõe ter inventado para medir e controlar o tempo, mas que na verdade só serve para complicar a vida, ainda mais quando uns tolos querem empurrar horas para frente ou para trás, como se possível fosse empurrar ou segurar o segundo, o minuto, a hora que passam. Todavia o homem parece gostar de ser enganado e assim de ledo em ledo engano vai vivendo e o tempo vai passando.

                 Eu queria escrever hoje alguma coisa linda e valiosa do Natal do Menino Jesus. Não consigo porém , porque Natal é algo divino, algo imenso como o céu, algo envolvido com o tempo e com a vida da humanidade. E como pretenderia um singelo rabiscador de linhas tortas dizer alguma coisa sobre tanta grandeza e divindade!

                 Natal! Pois é ... Nasceu um Menino numa manjedoura de um estábulo nos cafundós de Belém, nos confins do planeta ... Um Menino como outros meninos do passado, do presente e do futuro. Só que apareceram anjos no céu, coros angelicais encheram a noite fria, gente humilde dos pastoreios, Reis do Oriente, vieram visitar a Criança e todos e tudo dizendo que aquele não era só Menino, era um Menino Deus. Era filho de uma Virgem Maria, gerado pela terceira Pessoa da Santíssima Trindade – o Espírito Santo. E vinha ao mundo, não para ser Rei da Terra, mas o Salvador da Terra e o Rei da humanidade, depois de ser ignominiosamente julgado, condenado e crucificado, morrendo por três dias e ressuscitando glorioso para sentar-se à direita do Pai, levando-Lhe o penhor da salvação dos homens envolvidos que estavam no Pecado e na condenação eterna.

                 Natal, que cada qual comemoramos a nosso talante, uns comerciando mais, outros fabricando mais, estes presenteando filhos, familiares e amigos, aqueles rezando no recesso dos templos e das celas, alguns ignorando o acontecimento, outros aproveitando para dar vazão a instintos mal contidos, o Natal de tanto significado e beleza cristã está aí de novo, trazendo sua mensagem de Paz, de Amor, de Esperança, de Caridade, de Fé e realização de sonhos e anseios, para os “homens de Boa Vontade”, com cantavam os anjos do céu em coro celestial, por toda a terra.

                 Natal cristão! Natal pagão! O tempo que a nada e a ninguém obedece, não se cansa de apresentar-te a nós, peregrinos da vida, ao vir de cada 25 de dezembro, sempre com o belo convite: mudemos de vida pecaminosa e irresponsável, amemos mais nossos irmãos, sejamos mais amigos, construamos mais paz, tenhamos mais Amor para distribuir e mais fé para o receber ... Para isso, para ser mensageiro de Deus e de seus mandamentos é que vens, Natal, embora o homem e a sua humanidade tenham um coração de pedra, de difícil acesso à voz, aos ensinamentos, aos conselhos, aos desígnios do Pai e do Menino Deus. Sei que se fôssemos mais coerentes, mais convictos de religião, mas obedientes aos mandamentos, mais generosos na distribuição de alguma felicidade, notaríamos com mais importância e daríamos mais valor a essa data, recordação do início da Salvação do mundo, aquela que marcou a presença material de Deus entre os homens.

                 E aí, sim, poderíamos repassar, sem temor, o belo recado : Feliz Natal.

                 É o que desejo a todos vós irmãos em Cristo, parentes, familiares, amigos, diretores e elaboradores deste jornal, colaboradores, leitores e a todos quantos discordem mesmo de nós, de nossa Fé, de que Natal é Deus Menino, Salvador do mundo e Aquele que abriu as portas eternas da salvação, desejo – repito – um   Felicíssimo Natal.

 

(Dezembro de 2007.)

 

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