MÃE É SEMPRE MÃE

 

Lino Vitti

      

          Alguém duvida da minha afirmativa, aliás nada original, pois a expressão é popular e anda no fraseado de todo o mundo quando quer enaltecer simplesmente essa figura ímpar de mulher privilegiada pela maternidade? Em qualquer circunstância, em qualquer lugar, em qualquer eventualidade, em qualquer idade, ela é sempre a mulher que gera, a mulher que alimenta, a mulher que sofre, a mulher que se alegra, a mulher que chora, a mulher que ri, a mulher que castiga, a mulher que aconselha, a mulher que doa ou a mulher que exige. Ela é múltipla; tem momentos de debilidade, mas ao mesmo tempo assume a força dos heróis; há momentos em que parece ser vencida, enquanto de súbito ela se transforma para a luta e vence, e sorri, e canta, e ama exageradamente.

                    Mães existem tranqüilas, calmas, metódicas, conduzindo o lar como se fora um trabalho que as torna felizes; mães há que sabem ser rigorosamente santas, rezam quando os filhos se extraviam, quando os maridos traem, quando a vida abre a guerra das necessidades humanas e elas são obrigadas a participar da luta com todas as suas capacidades e forças, para que filhos e esposo não soçobrem, não sejam derrotados pelos óbices da vida, pelo desemprego, pela salário inadequado, pelas doenças duradouras, pelas esperanças malogradas; mães conhecem-se que são líderes de virtude, terçam armas contra os males morais e religiosos que ficam a empurrar a porta de seus lares para entrar e destruí-los, aceitam o combate e acabam vitoriosas, porque o amor de mãe é algo insuperável, algo invencível, algo irremovível, algo divino; mães há que ensinam a trilhar os caminhos da existência, a encontrar o verdadeiro lugar ao sol dos seus filhos e filhas, a aprender a Fé que rege o destino religioso da família, que brigam com os males da falta de escola e de aprendizados de amizade, de dedicação, de trabalho, de temperança, de dignidade humana; mães existem, enfim, que sempre têm um lenço à mão para enxugar as lágrimas do filhinho, dos velhos pais, dos parentes e amigos, quando a dor ou a tristeza teimarem em estar presentes no coração daqueles que elas – as mães – amam e adoram.

                    O Dia das Mães não é apenas mais uma data comemorativa. É um dia que convida a pensar nessa mulher revestida de generosidade, de dedicação, de esforço, de sublimação, de amor profundo, de sorriso sempre nos lábios e brilhos no olhar, para dar aos seus tudo quanto tem de si de bom, de bem, de feliz, de esperançoso, de encantador. É uma entrega total da própria vida em benefício e felicidade da vida dos que foram gerados em seu ventre (“bendito o fruto de teu ventre”, diz a oração universal). É uma data que nos leva a pensar mais no amor materno, e a pensar não apenas porque o calendário diz que é Dia das Mães, sim porque ela é a criatura com que Deus nos premiou para ser nossa geratriz, nosso princípio de vida, nossa jardineira, pois ela, no terreno fértil de seu seio, fez brotar a semente paterna, deu-lhe forma e deu-lhe coração, e cérebro, e membros, e essa maravilha que é o corpo, chamando para dentro de si o sopro de vida com que o Criador agracia todas as mães. E cuidou da plantinha regando-a com o seu carinho e com todo o oxigênio de seu amor.

                    Filhos ingratos, filhos maus, filhos desertores do lar, filhos desobedientes, filhos desumanos: eis um dia adequado ao vosso arrependimento. Procurai a mulher que vos gerou, levai-lhe o beijo do arrependimento e o abraço do vosso amor filial. Será um lindo presente que ela receberá com toda a alegria e lhe trará decerto a aguardada felicidade nesse dia especial em que é ela o fulcro principal da festa da humanidade. 

 

(maio 2007)

 

 

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