Lino Vitti
‘Lar’,
uma palavrinha de nada (três letras apenas), mas quanta coisa, quantos bons e
felizes pensamentos, quanto cristianismo, quanto amor, quanta felicidade ou quanto
trabalho estão contidos no pequenino vocábulo LAR. Existem outras palavras para
dizer a mesma coisa, como casa, moradia, habitação, família, mas nenhuma guarda
consigo tanto carinho, tanto significado, tanta beleza humana como o simples
Lar!
Ao
proferi-la logo vem à mente um santuário de amor, um ninho de felicidade, um
cantinho especial do mundo, um pedacinho de céu, onde reinam a alegria, a
comunhão de sonhos e esperanças, um lugar onde há paz, há carinho, há encantos,
há religião. Nesse ponto especial do universo a vida é vivida na realidade e
com todos os seus anseios de felicidade.
Há
numerosos tipos de lar, dentre os quais muitos mostram tristezas, desencantos,
decepções. Nos lares felizes pais, filhos, genros, noras, netos, e todos os
familiares formam um corpo só, desfrutando todos das luzes santas que vêm de
Deus, abraçando-se todos num abraço de amor imenso, sorridentes, felizes,
generosos, trabalhadores e unidos na prece e na tranqüilidade. Estão longe ou
inexistem nesses lares a discórdia, o ódio, a desavença.
Ao
contrário, quantas amarguras vicejam nos lares infelizes, de onde desertaram os
sorrisos, as orações, a comunhão de trabalho, a beleza da companhia. Ao invés
do rumor das gargalhadas de prazer da vida, há o silencio da tristeza, da
desunião, dos rostos carrancudos, cada qual por si, dando lugar às dores
sentimentais. Pais e filhos não se entendem, mães e filhas não comungam dos
mesmos ideais de beleza e juventude. O ambiente é carregado, há como que um ar
de explosão, desencontram-se as conversas e os ideais queimam-se em fumaça.
A
vida, entretanto, é a grande mestra e sempre tem algo a nos ensinar. Mesmo
sobre o Lar. Vem-me e a todos nós o exemplo de um casal de mansas rolas (rolinhas
em nosso linguajar) que já por diversos anos escolheram um caramanchão do
meu quintal feito de trepadeiras, floridas de quando em quando. As avesitas
constroem ali por entre a folhagem densa o seu ninho, digo mesmo, o seu lar.
Sim porque lar de pássaros, ninho é. Contemplo-as desde a sua dedicação na
escolha do lugar apropriado, durante todos os dias em que se empenham para ir
buscar, não sei onde, gravetos, folhas secas, palhas, e até penas. Dias
seguidos, pacientemente, carinhosamente, revezando-se na tarefa construtiva,o
casal de pássaros trabalha, diria que do surgir ao se esconder do sol, numa
labuta amorosa, até que o seu lar esteja pronto e adequado a receber os
ovículos. E um deles, por l5 a 20 dias, choca sem abandonar por um minuto o lar
de seus filhotes e sem deixar o ninho até que os seus “meninos” já estejam
empenados e aptos a voar. Admiráveis são a constância, a presença, a dedicação
das avesitas, modelo sem dúvida para muitos casais que abandonam seus filhos ao
léu da sorte, deixando-os sofrer as necessidades mais prementes da infância, sem
ligar para aqueles pequeninos seres inocentes e incapazes ainda de viver a
própria vida.
Ah!
Quantos casais por aí deveriam olhar para o exemplo da natureza, como o das
rolas que nidificam no caramanchão do meu quintal, amorosas, dedicadas, felizes
acompanhantes e felizes mãe e pai de seus pequerruchos até quando sejam capazes
de viver, se defender, vencer as exigências da vida e caminhar sozinhos pelas
ínvias estradas do mundo.
E
temos ainda o Lar da Eternidade. Só que este é preciso conquistá-lo com
virtude, oração e Fé.
(fevereiro
de 2008)