Lino Vitti
A ninguém é dado
ignorar as difíceis e insolúveis condições em que caminha a Paz do mundo, as
Paz da humanidade, a Paz do espírito e corpo do homem. Aliás para onde quer que
se voltem os olhares preocupados e descrentes de quem quer que seja,
encontram-se barreiras que vedam o acesso, verificam paredes de rochas
intransponíveis, erguidas à frente da ousadia daqueles que tentem buscar essa
personagem, vestida de branco angelical e oferecê-la às necessidades humanas.
Não se sabe porque a
ação dos pacifistas, apoiada embora por todos nós que almejamos dias
tranqüilos, aconchego de espíritos, união de trabalhos e esforços, palavras de
suavidade e gestos de amizade e fraternidade, é barrada por uma força contrária
intensa e profundamente coesa que tolhe qualquer empenho dos “boa-vontade” em
abrir uma brecha de amor por onde a Paz penetre e recubra as mentes e os
corações daquilo que o Cristo em muitos momentos ofereceu aos homens. Ao
adentrar, depois da gloriosa ressurreição, a sala onde se reuniam os apóstolos
e a Virgem Maria, em prece e confraternização, o Ressuscitado proclamou: que a
Paz esteja convosco. A paz foi e é companheira inseparável da Fé, mas o mundo
de hoje é descrente, infiel, egoísta, e pouco se lhe dá em promover a Paz, o
Amor, a união da oração e das esperanças, promover enfim essa virtude
universal, tão bela, tão nobre, tão divina, mas tão pouco amada e desejada pelo
rancor subterrâneo que corrói almas e corações.
Um cristão, como nos proclamamos ser em grata maioria dentro do contexto da universalidade humana, há de ser promotor, apóstolo, mensageiro, distribuidor dessa graça que desce do céu. Será, entretanto, que o somos? Será que nossos atos, nossas palavras, nossa vivência, nossas manifestações espirituais e morais, se coadunam todas e entre todos para abrir o caminho da Paz entre povos, entre famílias, entre irmãos, entre prosélitos religiosos, entre governos e governados, entre políticos e eleitorado, entre religiões e credos, entre doutores e clientes, entre comerciantes e consumidores, entre vizinhos e compatriotas, entre campo e cidade? Será que pregamos uma coisa e praticamos outra? Será que temos ética e moral suficientes para exigir de outrem a Paz que buscamos, mesmo que por caminhos diversos?
Olhai a natureza! E o que
vedes? O céu e a terra falam da Paz. O campo e a cidade conversam sobre a Paz.
Aves e animais estudam e resolvem seus problemas com a Paz. As águas e o solos
distribuem a seiva da paz para que as lavouras produzam e alimentem o homem, e
a vida se perpetue. As nuvens trazem as chuvas da Paz par umedecer a sequidão
dos estios e as geleiras dos pólos enviam suas frialdades pacíficas para que os
verões sejam menos escaldantes. O universo é um modelo de Paz, mas o homem é
cego às belas coisas, é indiferente aos bons exemplos, é ingrato para com a
vida e a criação. O homem briga, discute, arma-se, guerreia, mata. E o poeta,
esse condor de poesia que povoa o infinito, só tem um verso em defesa da paz,
em defesa da safadeza humana. É invocar a proteção daquela que é a Rainha da
Paz. Para encerrar estas linhas, vejam como ele escreveu:
RAINHA DA PAZ
Lino Vitti
Entre todas, ela
é bendita, imaculada,
Modelo de
pureza, amor e santidade.
No seu ventre acolheu, qual divina morada,
Do excelso e
eterno Pai o Filho da Bondade.
Mulher Bendita:
luz, calor, abrigo, enviada
Para ser Mãe de
Deus, e Mãe da humanidade.
Para ser a
mulher, de todas mais amada,
Para ser a
mulher maternal da Verdade.
Santíssima
Maria, estamos no deserto,
Não vemos nem
sequer um oásis por perto,
O horizonte da
Paz está longe, infinito.
És a Mulher
Bendita, acode-nos, portanto,
Com a graça, o
penhor, do azulado teu manto,
Temos sede de
Paz; pede-a ao Filho Bendito.