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T. Leonardo Alves

       

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  Soneto do Amor Indelével **

Tua ausência eu agüento sem rancor

a

substantivo

                                  6                    10

 

 

Porque eu não apenas paixão sinto

b

verbo

                              6                  10

 

 

Meu sentimento é, sim, um labirinto

b

substantivo

                                   6                            10

 

 

Porém estás comigo aonde eu  for

a

verbo

                            6                     10

 

 

 

 

 

Espero teu olhar tão protetor

a

adjetivo

     

 

 

Espero, fiel, teu sorriso lindo

b

adjetivo

                       6                10

 

 

Voltarem do lugar assaz longínquo lugar

b

advérbio de

                            6                 10

 

 

Para eu os fitar com todo amor

a

locução adverbial (“com amor”)

                     6                   10

 

 

 

 

 

 

 

 

Eu quero teu calor outra vez perto

c

advérbio de lugar

                           6                                  10

 

 

Teu prazer em insana demasia

d

advérbio de intensidade

                             6                  10

 

 

Tua libido terna e tão latente

e

adjetivo

                    6                                     10

 

 

 

 

 

A distância comprova o forte afeto

c

substantivo

                             6                                   10

 

 

Ou mostra a farsa vil que se vivia

d

verbo

                                 6             10

 

 

Outrora, ingênuo, tão intensamente

e

advérbio de intensidade

                                6                10

 

 

Dedicado com muito amor e carinho à Ellen Cristiane Peres.

São Carlos, 1º de fevereiro de 2001.

**     Um autêntico soneto em decassílabos, pois os versos estão dispostos da seguinte maneira:

Æ                   em decassílabos de acordo com a métrica;

Æ                   a sexta sílaba métrica, bem como a décima, são tônicas;

Æ                   as rimas são ricas, isto é, as representadas, por exemplo, pela letra “a”, pertencem à

categorias morfológicas distintas, bem como as representadas pelas letras “b”, “c”, “d” e “e”;

 

 

 

 

  Simplesmente Ellen  

O meu querer é mais forte
que a tua recusa em ceder
ao sentimento que te assalta.


O meu contentamento, quando entrelaçado
em teu corpo, é mais insistente
que o teu desencontro entre emoção e razão.


Finjo te esquecer, ora aqui, em outros braços,
ora acolá, noutros,
entretanto, não tenho pertencido
verdadeiramente a ninguém -
ainda que emissário do prazer.


Todavia, apenas eventual.
Oculto de minha lucidez
a angústia que me consome
ao ser inundado, hoje, pelo teu intenso querer
e amanhã pelo teu impessoal beijo no rosto.


Beijo terno, sublime,
cheio de si em pleno afeto e respeito,
contudo, ainda impessoal.


Essa espera é tão insana quanto
a ternura que me invade
ao inigualável instante em que te abraço.


Espero, mas nada espero.
Sinto, mas não percebes.
Digo, mas não acreditas.
Insisto, tu foges.
Ainda assim, espero, espero...

Dedicado carinhosamente à Ellen C. Peres

   
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 Soneto de Confissões

 

 2      
 

De tua pele ímpar faria a morada 

Talvez meu aconchego permanente

De teus pés minha libido latente 

De teu quadril minha sinuosa estrada

 

Uma lágrima assaz inusitada 

Preenche agora o vazio insistente 

Deixado por ti, lacuna pendente 

Desta minh`alma outrora seccionada

 

Ellen, a sedução de ti emana 

Quero por ti zelar, em ti me perder 

Fazer de teu âmago o meu nirvana 

 

Desejei você ao meu lado ter 

Tanto e com tal ardor que a fuga insana 

Desse amor atroz não pude conter 

 

Dedicado e escrito especialmente a Ellen Peres.
Com carinho, Leonardo Alves

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 Extremos 

 

 

Este poema  é inspirado
 na minha magnífica amiga 
Priscilla Damasceno
e a ela é dedicado

   
       
 

Prazeres da solidão,
angústias da saudade;
Regozijos do silêncio,
fugas do vazio.


O breu da morte.
Antes o cinza do viver,
a tentativa de impingi-lo uma cor,
do que tudo escurecer.

O júbilo da nostalgia,
a expectativa do que virá,
a certeza do valer a pena,
seja para depois derramar o pranto
ou recordar o êxtase palpável.


Viver é mais do que vida,
desistir é viver o breu.

   
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4

 Caminhos semelhantes 

   
       
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ao aniversário do amigo André

Estas linhas não escrevo à musa fascinante,
assaz inspiradora por suas formas
voluptuosas de violino esculpido
e lapidado pelas sábias mãos do criador.


Todavia, à ti, meu amigo, pelo significado que
tu impinges à essa palavra em cada belo ato teu.
Vida é algo passível de ser decifrado em teu âmago sublime,
terno e sereno, ainda que oculto no teu olhar dissimulado,
indicador de uma malícia inocente e aconchegante.


Agradeço-te pela tua existência, pelo gesto meigo e acolhedor
nos árduos momentos que preenchem os nossos dias e almas.
Agradeço-te por seres tu fidedigno, honrado e fiel,
por seres tu o reflexo nítido e inverossímil da difusa palavra...
...AMIZADE.

Dedicado a André Luiz Covre,
por ocasião do seu aniversário de 20 anos.

Leonardo Alves da Fonte,
São Carlos, 23 de abril de 2000.

 

 
5    

  Solidão às avessas  

 

Solidão em meio à multidão,
à procura em outrem
do quê aqui dentro se esconde.


Da metade que insisto em procurar
na fusão de duas almas
porque a minha apenas já não me basta.


Quem serás tu complemento disperso?
Devolveis minha fortaleza,
livrai-me desses escombros
nos quais me soterro e perco.


É em ti que está o reencontro comigo,
a aurora que dará lugar
ao crepúsculo denso do
sorriso cinza que há tempos me define.

Leonardo Alves da Fonte, 1º ano de Letras
São Carlos, 07 de maio de 2000, 20h50min

   
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6

  Esvaindo-se  

   
       
 

Tento me encontrar nesse emaranhado
de sentimentos distintos e cúmplices,
fazendo vias de coveiro e de parteira
da minha vontade de viver.


Simbiose sinistra que me preenche.
Dúvida permanente de um semblante
prolixo e assaz intenso.
Dor, ardor? Já não sei mais.


Sinto saudades do que ainda está por vir,
remorso pelo que talvez hei de fazer.
Assim me desencontro do presente...
...ausente, se é que já o percebi outrora.


Deste amanhã tão certo e surpreendente
exijo o que já está contido em meu semblante,
a ferro e a fogo, todavia, oculto de meus sentidos.
Porém, ainda assim exijo, espero, vivo e aguardo a morte.

 

 
   

Leonardo Alves da Fonte, 1º ano de Letras.
São Carlos, 23 de abril de 2000, 02h38min.

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7    

  Soneto à Valéria  

 

Valéria quantos amores inventei
Tentando em vão o teu olhar esquecer
Descubro hoje, ao acordar, esse sofrer
Tantas fugas ilusórias que eu criei

Amar Tati, a perfeição, até tentei
Porém, no meu peito o amor não quis crescer 
Desejo ao teu lado ainda envelhecer
Mas tua perda - antes a morte! - amargurei

"She", do Elvis Costello, me dilacera
"Dolce Gabana", odor que vou sempre amar    
Mistério que oculta infinitas eras

Tu és desespero que devo superar
Veio tua perda pois tudo eu quisera
Tudo o que agora só me resta sonhar

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8    

  Soneto às Geminianas  
em decassílabos

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Geminiana, tu és tão insinuante
Tua natureza é tão libidinosa
Tuas palavras dispersas, misteriosas
Envoltas num ar maroto, intrigante

Tua sensualidade vem do semblante
Expressas opiniões difusas, sinuosas
Vives aventuras raras, perigosas
Tua passagem numa vida é marcante

Teu calor único é sempre mais calor
Envolves quem queres eternamente
Sedutora, és autêntica perdição

Fazes tu uma alma ferver em ardor
E um peito esquivo amar insanamente
Pois, gêmeos,  o teu tesão é mais tesão

.

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Dedicado às mulheres do signo de gêmeos,
em especial à Milena S.

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Leonardo Alves da Fonte, 1º ano de Letras
São Carlos, 1º de abril de 2000, 21h39min

         
9    

  Soneto aos 30 anos da UFSCar  

       
  Universidade bela e idolatrada
És tu, aquela que desponta com esplendor
Detentora de uma aura iluminada 
De ti emana, pois, o mais autêntico fulgor

És tu, dentre todas aquelas admiradas
Aquela cujo passado é de raro valor
A quem prestamos sincero e profundo louvor
Que se impôs por meio de duras jornadas

És tua a paisagem ímpar ao amanhecer   
Deténs tu  o orgulho sublime da nação
Ostentas, imponente, glórias do puro saber

Estarás conosco em cada vã recordação
E velhos, ao lembrarmos de ti, sem nos conter  
Tentaremos, em vão, ocultar toda a emoção  


T. Leonardo Alves da Fonte, 1º ano de Letras.
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  Pediu demais  

   
       
 

Escrito quando o Ziggy me pediu uma letra de música.
Dedicado a ele e ao André, dois grandes amigos.

   
       
 

Você que me diz o que fazer,
no entanto bebe enquanto come.
Você que me diz como amarrar os sapatos,
todavia sequer sabe guiar a sua própria vida
e os seus fatos.


Você que me pede apenas prazer,
enquanto eu queria te dar o mundo.
Você que me pede amor,
e eu ainda não aprendi a senti-lo por mim mesmo.


Você que me pede amizade,
enquanto aqui dentro só há guerras.
Você que me pede uma vida em cores
e não vê que eu enxergo a realidade cinza.


Você que me pede para crer nas pessoas,
enquanto decido se acredito em mim mesmo.
Você que me pede para ir em frente,
se só o que penso é parar por aqui mesmo.

 

 
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  Desilusão  

 

  

Do desejo fez-se a névoa densa.
Do ardor, a dor.
O que se disse, não mais se pensa.
Do brilho fez-se o breu.
Da ponte, a parede.
Ao léu se esvaiu aquele que era só teu.

Da entrega fez-se a formalidade.
Do contentamento, o vazio.
Da luta, a conformidade.
Da idolatria cega fez-se o desprezo.
Ao lhe ver noutros braços,
das certezas de dentro, fez-se o meu rosto, surpreso.

Da conivência fez-se a indiferença.
Da libido veemente, a recusa em senti-la.
Do prazer consumado, a fuga intensa.
O que se mostrou, não mais se sente.
O que se quis, agora é vão.
Morreu sem germinar, a minha semente.

 

Dedicado a alguém de um passado distante.
São Carlos, 17 de maio de 2000.
Leonardo Alves da Fonte.

 

 
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  EllenÍSSIMA  

índice


Tua pela branca,
seda suave de sardas exuberantes,
lascivas, estimulantes.
Pele não gerada, mas esculpida,
lapidada minuciosamente para a minha
libido plena despertar, para todos os meus limites
mais enraizados transpor, para guiar a minha
imaginação às mais ousadas viagens possíveis
no corpo de uma mulher.


No âmago dos meus desejos
mais profundos e inquietos,
está gravada a imagem
dessa pele detalhadamente sedutora,
sensibilíssima ao toque sutil, sincero e hábil,
vulnerável ao meu querer, suscetível à
minha entrega, à minha dedicação incansável.


Tua pele é, sobretudo, um trunfo às minhas defesas,
todavia, não o bastante
para me fazer mergulhar no que sinto.
O que causa a minha entrega e expressão
é a pessoa ímpar que há embaixo do
visível magnífico e estonteante,
o subjetivo difuso que eu enxergo, pelo qual
me afeiçôo incondicionalmente.


É o invisível que você tenta, inutilmente,
esconder, o cerne sublime
que me desgoverna,
a mulher que seduz com a mais poderosa
das armas numeráveis: o sorriso verossímil, oriundo
de um semblante absolutamente irretocável.


Tua beleza externa é efêmera,
todavia não a interior.
Um aconchegante suspiro me invade
ao imaginar que a tua pessoa estará sempre bela,
fascinante e absolutamente, irrestritamente sedutora.

 

Dedicado à Ellen Cristiane Peres
Leonardo Alves da Fonte,
São Carlos, 15 de maio de 2000.

 

 

 
 

  Epitáfio do amor ilusório  

 

Aqui jaz um sentimento formoso,
outrora repleto em contentamento.
Hoje não mais tão garboso,
apenas símbolo de vão sofrimento.

Aqui jaz um amor que poderia crescer
em meio ao ceticismo que corrói os semblantes,
por entre a neblina da percepção emocional
na qual insistimos em nos esconder.
Do mundo. De nós mesmos.

Aqui jaz um genuíno querer indelével,
indômito na parte e no todo.
Inocente no olhar, eloqüente no dizer,
inverossímil no ardor.


Aqui jaz não o que senti, pois ainda vive,
mas a minha admiração, o meu respeito pela mulher.
A minha ternura, dedicação, afetividade e confiança.
Jaz a compreensão ímpar que tu tanto precisavas
e a proteção incólume de um tempo que tu não mais terás.

Todavia, jaz apenas o amor, pois eu continuo.
E este é o fruto da dor que me causastes:
poesia, arte...amor pela vida.

 

Dedicado à alguém de um passado distante.
São Carlos, 17 de maio de 2000.
Leonardo Alves da Fonte.

   
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  Palavras  

 

Minha dor e meu
regozijo são feito delas.
Palavras que conquistam,
deslumbram, emocionam.


Ferem, agridem, deixam seqüelas.
Minhas palavras são exatas.
Causam segurança,
confiança, entrega.


São confusas.
Causam temor
mágoa, rancor.
Cativam.
Afastam.


Eloqüentes, prolixas,
aconchegantes, tortuosas.
Palavras lascivas, libidinosas,
minuciosamente calculadas.


Pejorativas, agressivas,
impulsivamente ditas.
Serenas, ternas,
desprendidamente expressas.


Palavras.
Nada mais que palavras.
Trouxe-lhe proferindo-as, tão belas!
Afastei-lhe utilizando-as impiedosamente.


Palavras.
Meu mundo é feito delas.
Quem dera fosse de ações.
Palavras, palavras.
Nada mais sou do que...palavras.

 

   
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  Soneto de insinuações  

 

Ninfeta, de sorriso assim singular

a

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Oculta no ar de impessoalidade

b

10

Vejo em ti rara sensibilidade

b

10

Que te traz o do ímpar de encantar

a

10

Da insensatez chego ao limiar

a

10

Atônito com tua simplicidade

b

10

E tão incontida espontaneidade

b

10

Que tua existência chego a duvidar

a

10

Tu és inverossímil e charmosa

c

10

Tens tu índole sublime e marcante

d

10

Sem o afã de ser, és tu tão formosa

c

10

Quero desvendar tua verve intrigante

d

10

E teu corpo de musa voluptuosa

c

10

Preencher de amor teu belo semblante

d

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