O sistema educacional sob o neo-liberalismo
A proposta neo-liberal de escola, que se diz levar à "mcdonaldização" do ensino, é um modelo autoritário de estruturação educacional, feita conforme a elaboração do "autoritarismo de mercado". Pensadores atuais, desde alguns expoentes franceses da Sociologia, ou como os articuladores ingleses da Terceira Via, até os críticos da globalização, como Milton Santos e Domenico De Masi, expressam claramente a idéia de que o pensamento hegemônico atual é um pensamento monolítico baseado numa concepção de que o mercado seja a única alternativa viável para a sobrevivência e o desenvolvimento da civilização humana. Como tal, não aceita alternativas que não sejam as determinadas por seus métodos "científicos". Também não aceita debater ou questionar as bases de suas propostas, mesmo diante dos impactos, crises e conflitos gravíssimos que as medidas neo-liberais têm deflagrado mundo afora, em meio à grande parcela da população mundial mais vulnerável e fragilizada. Por isso se criou o termo monoteísmo de mercado para caracterizar esse apego dogmático aos planos de mercantilização total do planeta e da humanidade.
Na "democracia" neo-liberal, como nas redes de lanchonete "fast-food" estilo McDonald's, as escolhas e opções são restritas ao cardápio previamente estipulado por "especialistas". Não é possível questionar ou criar, mas apenas obedecer ao rígido "controle de qualidade" dos "produtos educacionais". Ao mesmo tempo, as escolas passam a ser classificadas de acordo com a sofisticação das "mercadorias" oferecidas, e são separadas pela faixa de preço das mensalidades que cobram. Somente têm acesso aos produtos mais sofisticados os "melhores", os "vencedores". E quanto aos critérios para se medir quem são os vencedores ou os perdedores, é claro, são critérios igualmente "infalíveis" e "científicos". Os melhores basicamente são eles é claro, os neo-liberais! Eles são os mais bonitos, os mais ricos, os mais inteligentes, os mais cultos, os mais justos, os mais generosos, os mais sérios e... os mais modestos.
As conseqüências dessa política educacional são muito claras. Os ingleses, os grandes precursores do neo-liberalismo - que se espalhou pelo mundo na década de 90, após a queda do Muro de Berlim e a falência da União Soviética - , vieram a público, através do primeiro-ministro e de outras autoridades governamentais, declarar que o modelo neo-liberal havia comprometido gravemente as bases da sociedade e da cultura inglesa e que, portanto, o governo passava a adotar oficialmente novas orientações em suas políticas públicas, contrárias aos modelos neo-liberais, para salvar a sociedade inglesa de um colapso e para remediar os estragos causados pela prática neo-liberal. No fim das contas, o que diz Anthony Giddens, o grande ideólogo inglês da atualidade, é que o Estado é o principal e mais adequado agente social, único capaz de conduzir e manter as políticas públicas. E, obviamente, esse pensamento da Terceira Via volta a dizer que a sociedade humana não pode sobreviver sem políticas públicas e projetos de sociedade sustentados pelo Estado. Já no Brasil...