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NOÇÕES DE VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA
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Noções de Variação Lingüística
Toda pessoa que fala um determinado idioma conhece as estruturas (regras) gerais de funcionamento dele. Isso não significa, no entanto, que todos os falantes de uma língua a utilizem de maneira rigorosamente uniforme. Existe um grande número de fatores (como a idade, o grupo social, o sexo, o grau de escolaridade etc.) que interferem na maneira individual que o falante tem de se expressar. Dizemos, por isso, que em um idioma ocorrem variações lingüísticas. De maneira bastante simplificada podemos considerar a existência de três tipos de variações, conforme mostra o quadro:
Que falantes normalmente empregariam a frase 1? E a 2?
Não é difícil associar a frase 1 a falantes que fazem parte de uma classe economicamente mais pobre da sociedade. Por outro lado, a frase 2 é mais comum àqueles que tiveram melhores possibilidades econômicas e, por isso, freqüentaram a escola, puderam ter mais contato com a leitura de livros, jornais e revistas, conviveram com pessoas de nível cultural mais elevado etc. A comparação entre as duas frases permite-nos concluir, portanto que existem variações lingüísticas geradas por influência das condições sociais dos falantes. Esse tipo de diferenciação no uso de uma língua denomina-se variação sociocultural. Convém ficar claro, no entanto, que a diferenciação feita acima está bastante simplificada, uma vez que há diversos outros fatores que interferem na maneira como o falante escolhe as palavras e constrói as frases. Por exemplo, a situação de uso da língua: um advogado, num tribunal de júri, jamais usaria a expressão “tá na cara”, mas isso não significa que ele não possa usá-la numa situação informal (conversando com alguns amigos, por exemplo).
Você sabe que um gaúcho não tem a pronúncia igual à de um nordestino, que, por sua vez, fala “diferente” de um carioca. Dependendo de onde o falante vive durante um certo número de anos, ele tem uma pronúncia característica. A essa maneira particular que os falantes de uma região têm de pronunciar as palavras e as frases dá-se, comumente, o nome de sotaque: sotaque mineiro, sotaque nordestino, sotaque gaúcho etc. De região para região do país, observam-se formas distintas de falar. Tais variações podem ser identificadas no aspecto sonoro (pronúncia), no vocabulário, bem como em certas estruturas de frases e nos sentidos particulares atribuídos a determinadas palavras e expressões. A esse tipo de “diferenças” na língua dá-se o nome de variação geográfica.
As língua não são estáticas, fixas, imutáveis. Elas se alteram com o passar do tempo e com o uso. Muda a forma de falar, mudam as palavras,, a grafia e o sentido delas. Essas alterações recebem o nome de variação histórica.
Leia novamente estas frases: 1 Eles ficou por fora porque não foi nas reunião. 2 Eles não entenderam nada porque não foram às reuniões. Se alguém lhe perguntasse qual das duas é correta, certamente você não teria dúvidas em responder que é a frase 2. Mas ... se ambas as frases dizem a mesma coisa, se qualquer pessoa que seja falante de nosso idioma pode compreendê-las, por que razão se considera correta a frase 2 e errada a frase 1? Ou seja: QUE CRITÉRIOS SÃO EMPREGADOS PARA SE DEFINIR O QUE É “CERTO” E O QUE É “ERRADO” NA LÍNGUA? Em geral, os critérios que determinam os padrões de uma língua se estabelecem principalmente pela ação da escola e dos meios de comunicação, levando os falantes de um idioma a aceitar como “certo” o modo de falar do segmento social mais privilegiado, tanto no aspecto econômico como no cultural. Com o tempo, a maneira segundo a qual esse grupo utiliza a língua vai se impondo como um padrão da gramática normativa para estabelecer os conceitos de “certo” e “errado”. Ë importante entender que, a princípio, não existe uma forma melhor (“mais certa) ou pior (“mais errada”) de se falar. Trata-se apenas de uma diferenciação que se dá baseada em critérios sociais e também de uso efetivo da língua. Assim, dizemos que a frase Eles ficou por fora porque não foi nas reunião está lingüisticamente correta, já que podemos compreender as idéias que expressa, mas está gramaticalmente incorreta, pois não obedece aos padrões definidos pela gramática normativa. Uma das funções da escola é, através do ensino de língua portuguesa, oferecer a você condições de dominar a norma-padrão, a fim de que, nas circunstâncias sociais convenientes, seja falando, seja escrevendo, você possa utilizá-la adequadamente.
Já vimos que, convencionalmente, considera-se como “correta’a língua utilizada pelo grupo de maior prestígio social. Essa é a chamada língua culta, falada e escrita, em situações formais, pelas pessoas de maior instrução. A língua culta é nivelada, padronizada, principalmente pela escola e obedece à gramática da língua-padrão. A língua coloquial, por outro lado, é uma variante espontânea, utilizada nas relações informais entre dois ou mais falantes. É a língua do cotidiano, sem muita preocupação com as normas. O falante, ao utilizá-la, comete deslizes gramaticais com freqüência considerável. Outra característica da língua coloquial é o uso constante de expressões populares, frases feitas, gírias etc. Fazendo uma comparação entre a língua culta e a língua coloquial é possível constatar que, em certos aspectos, as diferenças entre as duas são bastante evidentes, mas, em outros os limites não são tão claros, ficando difícil, nesses casos, definir uma “fronteira” entre o que é culto e o que é coloquial.
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