|
|
||
|
Adjunto Adnominal e Predicativo Adjetivo em função de Adjunto Adnominal
|
Para conceituar o adjetivo, vamos inicialmente fazer a leitura atenta do poema a seguir:
RETRATO
Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face? (Cecília Meireles. Obra poética, Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1987.)
Você certamente compreendeu a idéia central, o tema do poema: a pessoa que fala faz um retrato de si própria, constatando as mudanças, as transformações psicológicas e físicas pelas quais ela passou. O poema se estrutura numa comparação entre como a pessoa era no passado e como ela é no presente. Observe que a pessoa que fala utiliza determinadas palavras para, aos poucos, ir dizendo como ela é. Transcreva essas palavras: Como é, hoje, o rosto dela?
___________________________________________________ Como são os olhos e os lábio?
___________________________________________________ Como são as mão dela?
___________________________________________________ E o coração, como é hoje?
___________________________________________________ Como essa pessoa caracteriza a mudança pela qual passou?
___________________________________________________
As palavras que você transcreveu (calmo, triste, magro etc.) estão dando características, dizendo como são o rosto, os olhos, o lábio e assim por diante. Essas palavras que você transcreveu são exemplos de adjetivos. Podemos dizer, então, que: __________________________________________________ Adjetivo é essencialmente o modificador do substantivo. Serve para caracterizar os seres, objetos, ou as noções nomeadas pelo substantivo. Indicando-lhes: qualidade ou defeito, o modo de ser, o aspecto, aparência ou estado. Serve também para estabelecer com o substantivo uma relação de tempo, de espaço, de matéria, de finalidade, de propriedade, de procedência, etc. __________________________________________________
O adjetivo e os critérios de definição de classes de palavras. Dizemos que as classes de palavras são definidas pelo critério semântico quando estabelecemos tipos de significado como base para a atribuição de palavras a classes. O adjetivo é de definição bem mais difícil a partir de um critério semântico puro, dada a sua vocação sintática. De fato o adjetivo não pode ser definido por si só, sem a pressuposição do substantivo, já que sua razão de ser é a especificação do substantivo. No entanto, a função semântica do adjetivo é de importância crucial na estrutura lingüística: de certa maneira, o adjetivo tem a mesma razão de ser dos afixos, no sentido de permitir a expressão ilimitada de conceitos sem a exigência de uma sobrecarga da memória com rótulos particulares. Para esclarecer esse ponto, considerem o exemplo abaixo:
criança a. bonita, feia simpática b. magra, gorda, alta, baixa. c. sadia, doente, subnutrida d. bem-educada, malcriada e. feliz, infeliz f. neurótica, autista g. brasileira, estrangeira e assim por diante.
Como vemos, uma série de conceitos diferentes podem ser expressos pela especificação de um adjetivo ao substantivo; é esta a função do adjetivo: uma função nitidamente semântica, a de especificar o substantivo, assim permitindo a expressão de um teor praticamente ilimitado de especificações com o uso de elementos fixos; mas uma função dependente do substantivo por sua própria natureza e razão de ser.
Entendemos por critério morfológico a atribuição de palavras a diferentes classes, a partir das categorias gramaticais que apresentem, assim como das características de variação de forma que se mostrem em conjunção com tais categorias. A definição morfológica do substantivo não distingue adequadamente esta classe dos adjetivos, já que estes possuem as mesmas categorias. A diferença entre substantivos e adjetivos, neste particular, pode ser abarcada, no entanto, pela distinção imanente/dependente, já que o gênero e o número dos adjetivos depende do gênero e número de substantivos a que se refiram, enquanto no caso dos substantivos o gênero e o número são imanentes.
Nesse caso, atribuímos palavras a classes a partir de propriedades distribucionais (em que posições estruturais as palavras podem ocorrer) e/ou funcionais (que funções podem exercer na estrutura sintática). A definição do adjetivo em termos funcionais é bastante fácil, dada a função natural do adjetivo em relação ao substantivo. Assim, muitas vezes o adjetivo é definido como palavra que acompanha, modifica ou caracteriza o substantivo. É interessante notar, no entanto, que a definição puramente sintática do adjetivo não é suficiente, dado que não distingue adjetivos de determinantes: estes últimos também acompanham o substantivo. A diferença é que determinantes apontam e estabelecem relações enquanto adjetivos caracterizam ou especificam.
Expressão formada, em geral, por preposição + substantivo e que equivale a um adjetivo.
Ex: “Mãos sem força” Povos da selva . Um substantivo também pode ser caracterizado por uma oração inteira, chamada oração adjetiva.
Ex: “coração / que nem se mostra”
O adjetivo se flexiona em gênero e número.
Gênero - masculino (novo) e feminino (nova) Número - singular (bom) e plural (bons)
Observe as construções:
O menino dorme tranqüilo. A menina dorme tranqüila. Os meninos dormem tranqüilos. As meninas dormem tranqüilas.
Vemos que, nelas, o adjetivo em função predicativa concorda em gênero e número com o substantivo. Mas verificamos. Por outro lado que, servindo embora de predicativo do sujeito, com o qual concorda, o adjetivo modifica em todas elas a ação expressa pelo verbo e assume, de alguma forma, um valor também adverbial. Esse valor naturalmente será preponderante se, em lugar daquelas construções, usarmos as seguintes: O menino dorme tranqüilamente. A menina dorme tranqüilamente. Os meninos dormem tranqüilamente. As meninas dormem tranqüilamente.
Aqui, a forma adverbial, invariável, impede a possibilidade de concordância, justamente o elo que prendia o adjetivo ao sujeito, e, com isso, faz aflorar com toda nitidez o modo por que se processa a ação indicada pelo verbo dormir. É esse emprego do adjetivo em predicados verbo-nominais, com valor fronteiriço de advérbio, que nos vai explicar o fenômeno, hoje muito generalizado, da adverbialização de adjetivos sem o acréscimo do sufixo - mente.
Por exemplo, nestas orações:
D. Felismina sorriu amarelo. (Machado de Assis, OC, II, 519.) Tinham-se habituado a falar baixo. (C. de Oliveira, CD, 56.) as palavras amarelo e baixo são advérbios.
É muito estreita a relação entre substantivo (termo determinado) e o adjetivo (termo determinante). Não raro, há uma única forma para as duas classes de palavras e, nesse caso, a distinção só poderá ser feita na frase. Comparam-se por exemplo:
Uma preta velha vendia laranjas. Uma velha preta vendia laranjas.
Na primeira oração, preta é substantivo, porque é a palavra núcleo, caracterizada por velha, que, por sua vez, é adjetivo na medida em que a palavra caracterizadora do termo-núcleo. Na segunda oração, ao contrário, velha é substantivo e preta é adjetivo. A subdivisão dos termos portugueses em substantivo e adjetivo obedece a um critério basicamente sintático, funcional.
Sempre que a qualidade referida a um ser, objeto ou noção for concebida com grande independência, o adjetivo que a representa deixará de ser um termo subordinado para tornar-se o termo nuclear do sintagma nominal. Dá-se, então o que se chama Substantivação do adjetivo, fato que se exprime, gramaticalmente, pela anteposição de um determinado(em geral, do artigo) ao adjetivo.
O céu cinzento indica chuva. O cinzento do céu indica chuva.
Na primeira, cinzento é adjetivo; na segunda, substantivo.
Funções sintáticas do adjetivo: Adjunto Adnominal e Predicativo Adjetivo em função de Adjunto Adnominal O adjetivo refere-se sem intermediário ao substantivo. Formam ambos um conjunto significativo, marcado pela unidade de acento e entoação e para identidade de função sintática.
Seus olhos negros me encantam.
O sujeito da oração não é apenas olhos, mas toda unidade significativa-Seus olhos negros. Dentro desse conjunto o adjetivo desempenha a forma sintática de adjunto adnominal.
Adjetivo em função predicativa A qualidade expressa pelo adjetivo transmite ao substantivo por intermediário de um verbo que pode estar explícito ou implícito.
1. Predicativo do sujeito com verbo de ligação explícito:
Doce e brando era o seio de Jesus ... ( A. de Quental, SC, 57.)
2. Predicativo do sujeito com verbo de ligação implícito:
Estranho aquele casal. (J. Condé, TC, 33.) 3. Predicativo do objeto direto com verbo nocional transitivo:
Alguns julgaram inocente do crime assacado. (C. Castelo Branco, OS, I, 1127.) 4. Predicativo do objeto indireto com verbo nocional transitivo:
Na escola a professora também lhe chama teimoso. (Alves Redol, C, 24) 5. Predicativo do sujeito com verbo nocional intransitivo:
O mar palpita enorme. (A. F. Schmidt, GP, 411.) Considerem, por exemplo, os processos de formação de verbos a partir de adjetivos, como em nacional / nacionalizar, simples / simplificar, duro / endurecer, mole / amolecer, doce / adoçar, etc. Em todos esses processos temos por base um adjetivo e por produto um verbo cujo significado corresponde a uma mudança de situação, no sentido de algo ou alguém passar a ter a propriedade expressa pelo adjetivo. Alguns exemplos em frases:
(1) O Presidente nacionalizou os bancos. (2) O diretor conseguiu simplificar o processo de admissão. (3) Para adoçar o xarope, é só colocar uma colher de mel. (4) O asfalto amoleceu com o calor.
Em (1), nacionalizar os bancos corresponde a uma mudança de situação tal que os bancos passam a ser nacionais; em (2), a mudança incide no processo de admissão, que passa a ter prioridade simples; em (3), o xarope passaria a ter propriedade doce; e assim por diante. Em alguns casos o verbo apresenta também um significado causativo. Assim, por exemplo, adoçar significaria “causar” uma mudança no estado de coisas - a saber, algo passa a ter propriedade “doce” - ou “fazer algo ficar doce”.
É também comum a utilização de sufixos pejorativizadores na formação de adjetivos. O sufixo - udo, forma adjetivos pejorativos a partir de substantivos referentes a partes do corpo. O caso mais marcante de pejorativação na formação de adjetivos é o caso do sufixo -ento, de grande produtividade. Combinado com substantivos para caracterizar seres pela noção expressa pela base, o sufixo - ento faz essa caracterização com alta dose de pejoratividade: grudento, visguento, peçonhento, melento, etc. O sufixo -eiro, em uma de suas acepções, também pode ser pejoritivazador. Neste caso, combinado com o substantivo, caracteriza o indivíduo pela habilitude de uma ação exercida em relação ao substantivo: rueira, igrejeira, fofoqueira, festeiro, noveleiro, etc.
Bibliografia:
· FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar Gramática 2o. grau, SP, FTD, 1992. · BASILIO, Margarida. Teoria Lexical, SP, Ática, 1991. · CUNHA, Celso & CINTRA Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo, Nova Fronteira, 2a. edição
|
|