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Todos sabemos
o quanto a palavra é deficiente. Deficiente no sentido de que, não importa o
esmero do escritor, “a melhor definição de amor não vale um beijo”, a melhor
descrição de um pôr do sol não vale a vista do mesmo. Será que com essa
afirmação nós como amantes, amadores ou profissionais da palavra ficaríamos
tímidos, nos sentiríamos menores e menosprezados?
Acho que não,
não creio que a palavra pretenda substituir o beijo, a vista, a ação, a emoção.
Mas sem ela, como haveremos de expressar a loucura que um beijo provoca em nosso
corpo, como haveremos de mostrar para o nosso amado ou amada a emoção que
sentimos quando ele ou ela passa. Uma das múltiplas funções da palavra é
transmitir ao outro uma sensação que é sua, um sentimento que é seu. E o outro
que lê tenta chegar a esse sentimento, porém sabemos que nem sempre é assim, ou
seja, o outro não consegue captar aquilo que realmente você queria dizer.
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Será
que deveríamos ficar preocupados? Não, muitas vezes o outro vai além, além
das suas perspectivas d e
quando você escreveu. Ele viaja, entra no avião construído por você e
alcança altas montanhas, faz vôo rasantes e aterrissa em outro lugar. Isso
é uma virtude, você, de alguma forma, faz pensar.
E é por isso que a palavra é bela,
ela emana significados sem fim. É pura loucura, adrenalina ... uma viagem.
Talvez, seja por isso, que sejamos amantes da palavra, da poesia e dos
poetas.
Beijos e abraços poéticos,
Rosilene
Jorge dos Ramos
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