O nascimento da Poesia

 

  Um dia, ao observar o pôr do sol, um homem viu se grávido de Poesia.  Seu corpo começou a mudar, seu peito parecia explodir, pois o coração começou a crescer.  E a Poesia chutava, queria sair.  E, toda vez, que aquele homem, o pôr do sol ou a beleza do mar, observava, a Poesia inquietava-se, queria sair.  Mas como fazer o parto da Poesia se aquele homem desconhecia os instrumentos que a fazia nascer?

    Alguns meses depois, este homem começou a sentir desejos loucos, tinha vontade de colher flores, enfeitava-se de alegria e gostava de encher o pulmão de ar, bebia água da fonte e regalava-se com as frutas do pomar da vizinha.  E ele vivia ... sentia sensações incríveis e sem saber, alimentava a poesia, que a cada dia, cada vez mais, crescia.

   Já se via que a Poesia estava forte, já estava chegando a hora de dar à luz.  E o homem sentou-se, à sombra de uma árvore, e lá encontrou um caderno, um lápis, um pincel, tintas, uma tela e um violão.  O homem olhou, observou e percebeu que a Poesia estava cada vez mais inquieta, pressionava cada mais seu peito, queria nascer.  “Seriam esses os instrumentos que ajudariam a poesia a nascer? ”- pensou, o homem.   

   

Então, fechou os olhou, aspirou o ar, pegou o violão, dedilhou as cordas, sentiu o som e cantou o barulho do mar em uma linda canção. Depois, pegou a tela e as tintas e como a folha que o vento leva, começou a pintar.  Pintou a paisagem daquele pôr do sol que o deixara grávido de Poesia.  O caderno e o lápis chegaram as suas mãos e o homem descreveu num belo poema que a vida é poesia, descreveu todas as suas sensações.

    Ainda em êxtase, o homem parou, observou o seu peito e viu que a Poesia havia nascido e lá estava ela, nascida de várias formas:  numa pintura, num texto e em uma música.  No rosto do homem se via a alegria de fazer a Poesia nascer.   

    Esse homem nunca mais parou de gerar filhas Poesias.  Era um homem comum que havia aprendido a fechar os olhos e a se encantar.  Era um homem comum que deixou-se engravidar pela beleza de um pôr do sol e pelo barulho das ondas do mar.  Era um homem comum que descrevia aquilo que via, aquilo que sentia, aquilo que o tocava. E, assim, ele espalhava embriões de Poesia  para outros homens engravidar com a singela beleza da POESIA.

Rosilene Jorge dos Ramos

     

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