— Ihh, mas você ficou com ele?
— Yep.
— Se eu fosse você, não me envolvia muito com ele não...
— Eu sei. Pode deixar. É que ele é
a cara do Mário, aquele menino que eu conheci em São Paulo.
— [rindo, surpreso mas nem tanto] Foi por isso que você quis
ficar com ele?
— É, ué. [sorrisinho] Motivo bem justo, aliás.
O Mário.... [suspiro] ah, o Mário tá estranhão,
distante, quase travado... [olhar parado no sundae da garota da mesa de
trás] e ele tá indo morar na Argentina...
— Mas você gosta dele.
— Gosto. MUITO.
— E aí você simplesmente acha um “gêmeo” e --- [rindo]
— [interrompe] Nanani! Não há substituto – há
suplente, isso sim...
— Hehehe, I see...
— Além do mais... [pausa] além do mais, esse Gustavo
beija bem e não enche o meu saco.
— Bom, sei lá... haha!
— Você está hesitante ou é só impressão
minha?
— Não, é que... Ahh, ele é assim... meio cheio de histórias...
— Histórias? Como assim?
— É, ele... sei lá, ele conta muitas asneiras – well, eu
considero como asneiras né... [sorriso]
— Ahh, é? Não sei, não converso com ele.
[os dois riem]
— Ele é tipo um “cara legal”, chapa de todo mundo, manja? Assim como
eu, todo mundo o conhece.
— Porra, se ele fosse igual a você.......[sorriso grande]
— O quê? Tú não ficava com ele nem a pau, é??
[careta] Hahaha!
— Não, bocó... se ele fosse igual a você, ele não
seria igual ao Máriooo!
[gargalhadas]
— Não, o que eu quis dizer é que ele é meio assim “da
galera”, entende? Todo mundo conhece, todo mundo dá tapinha nas costas...
— Mas...??
— Mas – e nisso ele não tem nada a ver comigo! – sei lá, ele
é meio much too friendly. Com todo mundo. Sem exceção,
Aline! Tem gente que gosta, mas tem gente que desconfia... eu acho muito
estranho.
— Isso *é* muito estranho! Ainda bem que eu só fico com ele...
[ri]
— É, mas não fique achando que você vai escapar!!
— Se ele começar a encher, a porta da rua tá ali pra isso.
[dá de ombros]
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Dois anos depois
— Argh, ele é muito chato!! Acha que
tem intimidade comigo por causa de semana passada?? Ho-ho-ho!
— Ele é assim...
— Well, desculpe o palavrão, mas... foda-se! Oras! Que saco...
— Eu te falei...
— Eu sei, eu sei... e lembra o que eu te falei né?? “A porta da rua...”
— Mas eu ainda acho que não vai ser fácil assim...
— Pois amanhã o plano será executado!
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Dois meses depois
Pedro está de braços cruzados,
rindo enquanto se recosta na cama:
— Não falei? Não falei que não ia ser tão fácil
assim?
— Bom, agora o problema é dele. Se ele gosta de sapatear nas tamancas
porque eu não lhe dou satisfação do meu “comportamento”,
só lamento!
— É, mas o problema é que ele dificilmente vai achar sozinho
o caminho da “porta da rua”, hehe.
— Ooohh, olha a minha cara de “pena”!!!!!!
— Hahahaha!
— Cara, na boa! Se ele foi lá, trancou a porta a sete chaves e depois
as engoliu não posso fazer nada, right?
— A não ser rir dos ataquinhos à la João...
— Ele não ousaria!!!
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Dois dias depois
Gustavo deu seu ataquinho, Aline deu já seu clássico golpe “ignore list” e Pedro... bem, Pedro repetiu sua gostosa risada de “Eu sabiiiia!” Ele “sabiiiia” que ainda vai ter muita diversão pela frente.
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