Down in the subway
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Renato... ahh,
o Renato é um show!
É um espetáculo, tudo que uma garota como Aline
sonha na vida.
Como um homem desses fica caidinho por ela???
É a típica pergunta que
Aline se faz, over and over... a resposta ela não encontra, mas
aproveita como ninguém a disponibilidade do rapaz, hehe!
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Numa hipotética lista "Top 5" de
homens e 'histórias do gênero', Renato está entre os
3 mais, sem dúvida. Aline costuma dizer que ele é o maior
orgulho de sua vida. No geral.
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Que mané passar no vestibular, ou
ter sido a melhor aluna da classe por anos a fio... ou ter arrumado o
primeiro emprego aos 17, e ficado lá por quase 5 anos, sendo adorada
pelo chefe... ou quem sabe orgulho pelo seu atual emprego ("the dream job")?
Orgulho de não ter se transformado numa total asshole, como seus
colegas de faculdade? Ou quem sabe ter conseguido dinheiro suficiente durante
esse tempo todo para se sustentar sem homens ajudando? Hmmm, talveeez
isso seja o número 1, mas fora isso...
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Nenhuma conquista de Aline durante sua
vida toda supera o rosto abobalhado de Renato ao vê-la fazendo "aquelas
coisas" com ele.
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Leia-se: A HISTÓRIA
DO METRÔ.
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Foi a primeira vez que ficaram.
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Com o trem em pleno movimento, chegando
à estação na qual precisava descer, Aline simplesmente
se levanta, o encosta num daqueles 'apoios' de ferro e tasca-lhe um beijo
- um beijo daqueles, um senhor beijo - de chocar todos os
demais passageiros e o *próprio Renato* que, coitado, nem conseguiu
beijar direito de tão surpreso.
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Aline não tinha idéia
do que significava para Renato ter ficado com ela. O mesmo êxtase
que ela sentia, Renato também estava sentindo por ter sido agarrado.
Impossível ter a total dimensão do quão orgulhoso o
*próprio Renato* ficou por ter sido ele "a vítima" de tal
façanha. E Aline permanece sem a mínima noção
disso. Foi lindo. É lindo.
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Aline ainda por cima namorava
Caio
na época. Renato foi seu único chifre. ("O chifre mais
foda da minha vida para o cara mais foda da minha vida. Sounds fair to
me...", setencia.)
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Isso porque Renato só pôde
conhecê-la alguns meses depois de Caio. Explica-se: os três
se conheceram na Internet, mas pessoalmente quem ganhou a corrida foi Caio,
pois estava em São Paulo; enquanto Renato, também paulista,
morava na Califórnia e só vinha para o Brasil nas férias.
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Sabe-se lá que rumo as
coisas tomariam caso todos tivessem se conhecido "ao vivo" ao mesmo tempo...
Muitos afirmam que Caio não teria a menor chance - e a vida de Aline
teria sido completamente diferente desde então. Teoria
que Daniel
, um grande e saudoso amigo de Aline, sustenta até hoje, por exemplo.
Mas viver nos ' what ifs' da vida não a agrada. Ela não deixou
de fazer nada por causa disso, muito pelo contrário...
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Então, quando finalmente teve a
oportunidade de conhecer Renato, Aline não pensou duas vezes.
Marcaram uma 'brecha ocasional' na agenda de ambos, para justamente não
dar margem à fofocada (vida virtual chega a ser pior do que vida
real neste âmbito). Ela tinha que comprar passagem de volta para
o Rio, ou seja, teria que ir na Rodoviária mesmo... e a Rodoviária
de São Paulo tem metrô.... e Renato teria que pegar metrô
para ir da sua casa até a Galeria do Rock, então....... juntou-se
o útil ao agradável: se encontrariam no meio do caminho.
Why not, right? Se voltasse para o Rio sem vê-lo pessoalmente,
Aline não se perdoaria nunca.
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Tudo bem que ela estava na cidade *do Caio*,
podendo encontrar conhecidos *do Caio*, correndo o risco da turminha
da Internet se esbarrar por engano (estava um entra-e-sai danado do hotel
por causa das 'visitas cariocas') e, claro, contar tudo para*o Caio*...
enfim, poderia ser que esbarrassem com o *próprio Caio*
no metrô!!! Mas valia o risco. Claro que valia.
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Aline e Ana, então, foram para a
Consolação. Encontraram-no na estação Brigadeiro
e Renato foi com elas até o Tietê, pois ele seguiria dali para
estação da República. Resumindo: Metrô é
o que há!!!
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O encontro deles na Brigadeiro tinha sido
muito rápido - e muito nervoso. Renato tremia, Ana garante. Aline
não acredita, mas realmente havia uma certa ansiedade no ar. Falaram-se
muito rápido, e a segunda frase de Renato foi um queixoso, quase-ciumento
"e você e o Caio, hein...?" Imagina a aflição
de Aline... ela só pôde dar de ombros e murmurar um "deve
estar em casa, ué", sorrindo, enquanto o metrô se anunciava
fazendo um tremendo barulho.
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Quando entraram rolou uma dispersão:
Ana sentou-se num canto; Aline num outro; e Renato ficou em pé se
balançando perto da porta, o suor nervoso escorrendo pela testa.
Para quem estava ali dentro, parecia que os três não se conheciam
- idem quando das duas trocas de linha que precisaram fazer. Renato disparou
na frente das meninas, e Aline não entendia se era para eles ficarem
ou não. Ana teimava que sim, apesar da evidente seqüência
de atitudes sem nexo de Renato. Ele não olhava Aline nos olhos; não
queria ficar perto dela; se mexia o tempo inteiro... não falava
com ela... O que mais Aline iria pensar a não ser "iiihh, não
rola..." ???
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A frustração tomava conta
de sua mente, enquanto ficava inquieta e respirava cada vez mais rápido,
como se o ar tivesse ficado rarefeito dentro do vagão. Olhava para
Ana, olhava para Renato, que estava olhando ou para a porta ou para Ana,
que por sua vez não olhava para ninguém e se fazia de desentendida,
rindo dos dois. Aline se sentia perdida. O que fazer? O que não
fazer?
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O que tem a perder??
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Foi aí que ela olhou o painel com
todas as estações e notou que faltava apenas uma para o
Tietê. Quando o trem começa a se locomover, Renato passa
a fazer umas macaquices dando tchauzinho, sorrindo ansioso. Queria fazer
alguma coisa, mas lhe faltava a coragem? Estaria ele achando que Aline
não ia querer nada porque estava namorando o Caio? Aline se cansou
de procurar respostas e foi ela mesma dar uma decisão àquilo:
quando a "vozinha" do metrô anunciou a estação "Tietê",
Aline sentiu que precisava fazer alguma coisa. Jogou a bolsa em cima de
Ana, se aproximou de Renato e... bem, o resto já é conhecido.
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Parecia cena de filme: o tal beijo (hot
hot hot!) durou o exato tempo daquele apitinho de alerta do metrô.
Aline teve que sair quase prensada entre as portas, que logo fecharam.
Porém ainda ficou ali, satisfeita, a olhá-lo e tocando o vidro.
Renato estava stunned, parado, de boca aberta, tal qual
um bobo. Ela não resistiu e mandou-lhe uma piscadinha e um 'tchauzinho'
canastra, enquanto via seu menino simplesmente embasbacado com o que
acabara de acontecer. Enquanto o metrô ia embora lentamente, ainda
pôde ver que Renato estava debruçado na porta fechada, ficando
ali grudado, boquiaberto, sem tirar os olhos dela.
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Aline desde então
não esquece a cena, e ainda pode-se ouvir dela, toda babona:
- Até hoje, quando tem que
pegar o metrô, Renato me diz que abre aquele sorrisinho...
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Orgulhos são
feitos disso.
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Marina
Observação final:
os dois não perderam o contato, e se falam com razoável freqüência.
Something is still in the air - and that's not just a
daydream....
Ahh, se ela acreditasse...
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