O simples complicado
.
Ô coisa complicada. Primeiro tinha
que disfarçar por causa do namorado dela. Depois, também
por causa da namorada dele. Então, o tempo de
"quarentena" básico. Três semanas disfarçando
sabe-se lá por quê.
Aííí sim, o beijo tranqüilo, pra todo mundo
ver.
O abraço calmo, sem ter que olhar pros lados.
O sorriso besta, não mais trancafiada no banheiro.
A mão dada o-fi-ci-al, a parada na rodinha dos
amigos dele, as apresentações.
E Aline
debaixo das cobertas. Toda vestida, menos o sapato.
— Que medo insano é esse, criatura??
— Aaaaaaaaninhaaaaaa.... Não quero
mais irrrrr! [tampa o rosto com uma almofada]
— Que não quer o quê! Claro que
quer!
— Ggggghghhhhghghghghg!
— Vambora logo!
— Hoje vai ficar tudo tensoooo....
— Quem disse?!?!
— Antes era calmo, agora vai ser tenso!
— Pfff...! Fala sério. Era justamente
o contrário, antes era aquela paranóia, agora vai ser
relax, pô!
— Ana, você não tem
noção né? Não tem noção!!!!
— Claro que eu tenho noção. A
situação não podia ser mais calma.
— [tira a almofada da cara e cerra o olho
para a amiga] AHÃ! Yeah, right! Ana, agora o bicho pega,
there's no turning back!!! Não posso voltar atrás!
Não posso surtar loucamente sabendo que voltaria para o Rodrigo!
Não há mais essa opção!!!!
— [ri] O que é ótimo,
by the way...
— Gaaaaaaaahhhhhhhhh!!!
— Vambora logo! Quanto mais cedo melhor!
— Gngngng...
— Vamoooos... [puxa Aline da cama,
rindo]
Aline suspira.
Ô coisa simples. Chegar, cumprimentar namoradamente, ir
dançar, conversar com a amiga, beber, dançar, ele passar
e dar um beijinho, ou abraçá-la, ou os dois conversando
livremente no bar, ou dançando, ou whatever. Um casal, enfim. O
eventual amigo dele que passe e diga 'oi' não vai morder, certo?
Certo, oras.
Certíssimo.
Mas aí o primeiro que passou foi o
Thiago.
Aline suspira de novo.
It all went to hell.
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