Recíproca
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"You are my sunshine, my only sunshine...
You make me happy when skies are grey..."

Andrezinho e Aline se conhecem há muito tempo. São amigos desde o primário, quando suas turmas se misturaram.

Os dois, hoje, não são assim "melhores-amigos-e-confidentes", mas se conhecem muito bem. Costumavam conversar por horas e horas sobre tudo, Andrezinho, ela e Flávia – a famosa "Tríplice Aliança".

Aline costuma dizer que "se você sobrevive a uma pessoa durante os seus 17 anos, conseguindo conversar com ela depois de ter concluído o segundo grau, esta não é uma pessoa qualquer".

E o Andrezinho não é uma pessoa qualquer. Não para ela, anyway.

Por um ato do acaso (e de certa forma por culpa da própria Aline), Andrezinho conheceu muitos amigos do Pedro e agora pertence a uma "galerinha" aí, bem diferente daquela a que pertencia nos tempos do colégio.

Às vezes é frustrante, às vezes é o máximo vê-lo assim, cercado de atenções por todos os lados. Às vezes aquele ciuminho bate, às vezes ela se baba toda de orgulho. Às vezes a hesitação não vai embora, às vezes o coração bate mais rápido só de vê-lo ao longe. Às vezes dá uma de Flávia, às vezes morre de medo que ele se esqueça dela.

É complicado, mas ela entende perfeitamente o que é olhar para trás e se sentir uma criatura patética. A vida dos dois naquele colégio não foi fácil. Foi divertida, existiram até momentos ótimos, mas não se pode dizer que foi fácil. Adolescência nunca é fácil para quem não se encaixa, oras.

Então, sem dúvida alguma, Aline o perdoaria caso Andrezinho optasse por ignorá-la num canto enquanto bebe uma cerveja com seus novos amigos – e, pior, com suas novas amigas. Gnnnn...!

Apesar de Aline saber que tal atitude não é do feitio dele – e apesar de Andrezinho nunca ter sequer cogitado fazer uma coisa dessas com ela – toda vez que se encontram com aquele povo reunido é a mesma coisa. Aline se sente pequenininha, pequenininha...... quase invisível. Seu espírito se encolhe, ou melhor, se esconde.
Ela não é glamourosa daquele jeito! Não fuma, não toma drogas, não tem tatuagem, nem piercing, nem cor de cabelo estranha, nem banda. Não conhece um mundaréu de gente (apesar de morar com a peça-chave-know-it-all, Pedro, Aline não passa do "oi" com 98% dessas pessoas), não se mistura facilmente, não troca uma pista de dança por um bate-papo no bar.

E, como se não bastasse, Aline acha que é um pedaço de passado não muito agradável de se lidar. Normal, é como aquela manchinha no currículo que não pode vir à tona.
Muito compreensível, portanto, se ela não fosse sequer mencionada como "conhecida".

E lá fica Aline, sempre "em prontidão", preparada para um dia que nunca chegou.

Talvez ela desse um ou outro suspiro mais profundo, talvez ficasse magoada só por alguns minutos. Talvez ela nem ligasse, talvez ela deixasse para chorar tudo trancada no quarto. Talvez ela esboçasse um sorriso desapontado, talvez ela se recolhesse à sua insignificância. Talvez o troco viesse em poucos segundos, talvez seu coração parasse de bater.

Ela nunca vai (querer) saber como seria.

Mas aí, quando Andrezinho a vê e vai cumprimentá-la todo feliz, ela se desmonta. Sempre se desliga do mundo ao redor, sempre passa o resto da noite satisfeita. Sempre fica aliviada, sempre se sente mais alegre. Sempre quer bater palmas escondida no banheiro, sempre dá aquele ataque de bobeira Flávia-Line. Sempre os olhos brilham, sempre o coração dispara.

É sempre assim. Não há motivos concretos para Aline pensar que, da próxima vez, vai ser diferente. Mas não adianta. Quando se vê, lá está ela pequenininha, pequenininha, de novo!

Aaaahh.... mas como diria o próprio Andrezinho, "insegurança é uma merda, né não?"

Nunca passou pela cabeça de Aline que ela *também* tem uma "galerinha" (de duas ou três pessoas), que ela *também* em tese teria uma "reputação" a zelar, que Andrezinho *também* remete Aline à mesma época "queima-filme" já morta e enterrada. E que, MESMO ASSIM, ela não tem problemas em falar com ele. Muito pelo contrário. Aline sempre vai ser sua amiga, não importa quantos anos, homens e mulheres passem entre os dois.

Se Aline e Andrezinho conviveram na MESMA época, passando os MESMOS perrengues, estando no MESMO LADO, juntos.... por que diabos eles não agiriam da MESMA forma?

É engraçado, os maiores medos que assombram Aline têm sempre a mesma causa.

"You'll never know, dear, how much I love you...
Please don't take my sunshine away" :)

Marina
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