Festa (3): ...
.
Aline estava começando um bate-papo animado com Gustavo, que
depois do auê com o João
tinha ficado bastante alegrinho. Fernando chegou logo a seguir, um tanto
quanto alterado após a conversa com Ana
.
Senta-se ao lado de Aline e sorri:
- Aê... essa festa não vai parar nunca de tocar U2?
- Não! [ri]
- Você é fãzoca
mesmo hein?
- Hehehe, claro! Ahh, eu adoro esse disco.
- Achtung Baby, né?
- Yep!
.
Aline então entra numa conversa empolgada
sobre sua banda favorita. Poderia passar horas filosofando, suspirando e
teorizando sobre cada música. Tocava "Ultraviolet (Light My Way)"
- Essa música é liiiinda...ahhh...
.
Aline se recosta na cama e fica olhando o teto,
em êxtase, cantarolando baixiiinho, desligada do mundo. Fernando a
observa, quieto, tentando ver se achava algum assunto para falar, porque
ficar admirando-a na cara de Gustavo já estava chato. Mas o assunto
não vinha... E Aline parecia tão concentrada, tão distante
dali, que Fernando não queria atrapalhar. Mas aí Aline, no auge
do relaxamento, se espicha na cama e ainda põe os pés no colo
dele, rindo.
- Posso?
- C-claro...
.
E Fernando fica totalmente errado, ainda mais
porque Aline aparentemente fez isso sem a menoooor noção do
que causou. Ele olha para Gustavo, que levanta para sair do quarto e
"deixá-los sozinhos"
. Aline ri e se levanta na hora:
- Não senhor! Aonde você pensa que vai?? [com aquela
cara de 'não ouse fazer merda de novo']; Senta aqui.
[apontando para o local onde estava deitada] Pronto, agora eu quero
sentar entre vocês dois.
[sorrindo]
.
Aline discretamente empurra a porta com o pé
e dá "as mãos" para ambos
- Adoro vocês. [dá um beijo quase-na-boca em cada um]
.
Bem nessa hora um
celular
começa a "gritar" ali em cima da mesa da escrivaninha de Aline,
que dá um salto e levanta rápida da cama. (Quando na verdade
o que ela só precisava fazer era esticar o braço e falar 'alô')
.
Murmura um 'Oi, fala...', saindo do
quarto, e fechando a porta lentamente. Era Rodrigo.
- Tudo bom, Line?
- Tuuudo. [séria, tensa, ainda segurando na maçaneta
da porta]
- E aí? Já deixei o Rogério em casa.
- Humm. E como foi, tudo bem? [sente que Fernando abriu a porta para
passar e sair do quarto. Aline entra e se senta diante do computador]
- Foi. Foi legal sim. Foi um pessoal também com a gente.
- Ah é? Que bom. [olha para os lados e vê que Gustavo
ainda está sentado ali]
- É...
[silêncio rápido];
- Como está a festa aí?
- Tá... tá boa... errr... [vê Fernando entrar
e 'bloquear' a saída, começa a dar voltas pelo pequeno espaço
existente entre o armário e a sua cadeira]
.
Aline congela. Havia prometido a Pedro que
chamaria Rodrigo
se ele ligasse. Ai. Ai socorro. Respira, passa a mão na pseudo-franja
e...
- Escuta... você vai pra casa agora?
- Eu...? Eu não sei........ por quê?
.
Aaaaai que doooor! Como diz a Ana, "vai
me doer no útero fazer isso, mas..."
- Não, é que... a festa ainda está rolando, quem
sabe.... [reticente]
- Eu posso ir???
- É, não sei...! Tipoo, é, ainda tá tendo
e tal... [Ai. Saiu horrível, Aline se sente uma idiota. E a situação
ainda fica mais nervosa porque Gustavo e Fernando estão ouvindo tudo]
- Você.... quer que eu vá?
- É, o Pedro falou que se você quiser... [voz visivelmente
nervosa]
- Rapidinho... o que é isso que está tocando aí?
U2? Você tá no seu quarto?
- Estou... estou sim. [sorri, sentando-se na cadeira do micro e mexendo
incessantemente no mouse] Tá ouvindo? [põe o telefone
do lado da caixa de som]
- Estou... estou. Qual é essa?
- "Acrobat". Ó, tá nessa parte: [cantarola junto]
"I can't let you go... and I must be... an acrobat... to talk like this...
and act like that" [sente um arrepio com a letra]
- Como é? "To talk like this on a night like that"?
- [ri, aparentemente esquecida da existência de Gustavo e Fernando]
Não, não... quer dizer, volta e meia eu canto assim -
e *parece* ser isso -, mas no encarte está como "act like that".
- Huuuum, ahh tá. Essa letra é legal, não é
uma daquelas músicas que você chama de "siniiiixxxxtraxxx"?
[ri, imitando o sotaque da namorada]
- É, é... [rindo]
- Certo... Mas tá tudo bem
com você?
- Tá, tá... é que eu botei pra tocar o CD inteiro,
e chegou a vez dela.
- Ahh tá... que bom. Mas então... Line.
- Eu.
- Você gostaria que... errr... tipo, então, eu... eu posso....??
- Pode o quê?
- Ir aí. Eu tô mais perto daí que da minha casa,
pra falar a verdade seria até caminho. Posso ir... mesmo com a festa?
Você gostaria que eu estivesse aí?
.
Ai. Rodrigo é sempre matador no jeitinho
de falar com ela.
Aline suspira, mas não tem jeito, promessa
é promessa
:
- Vem sim, eu... eu quero. Claro. Quero sim.
- Então eu vou.
- Tá.
- Eu te amo, Line.
- Me too. Beijo..
.
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