Meio assustada, cumprimenta:
- O-oii...!
- Aline, né?? Seu nome... [mascando
um chiclete]
- Isso... t-tudo bem?
- Hum...[pose meio esnobe, o mais esnobe
que se consegue ser vestindo o uniforme de Educação Física
do colégio]
- Eeer... quer alguma ajuda?? [sorriso amarelo,
meio sem saber o que fazer, e completamente afrontada pela presença
ameaçadora de Claudinha]
- Ajuda?? Ahh, eu quero... quero sim. Tem como
você... SUMIR DA VIDA DO MEU NAMORADO???
- !?!?!?!?!
.
Claudinha ria com o espanto de Aline e mascava
seu chiclete, satisfeita. Aline estava tão assustada com aquilo que
quase derrubou os CDs do Enrique Iglesias no chão. Mas assim que
Claudinha deu-lhe as costas para sair, Aline solta:
- H-hãã... desculpe, mas... eu
conheço seu namorado?? Porque que eu me lembre, só conheço
o ex...
Aline instintivamente se vira de costas para
guardar os CDs, estava nervosa, nem sabe como conseguiu falar isso! Não
devia ter falado, por que não ficou quieta?? Ficou se repetindo isso,
enquanto abaixava, encolhida, para apanhar mais CDs. Aline se pelava de medo
de Claudete. Sem contar que a última coisa que queria ali
era criar confusão. Mas não conseguiu impedir sua boca de
falar aquilo... aiaiaiaiai....
.
Se ela não estivesse de costas, viria
o rosto de Claudinha quase tão vermelho quanto o cabelo.
Claudinha, aos berros, revida, claro:
- ESCUTA AQUI, Ô GAROTA!!! QUEM VOCÊ
PENSA QUE É, HEIN??? HEIN??? OLHA PRA CÁ, SE VIRA!!!
.
Aline vira, calmíssima que ela só
(na aparência, claro). E a louca continua:
- ELE É MEU NAMORADO!!!!! APESAR
DE VOCÊ ESTAR ARMANDO CONTRA MIM, NÃO ADIANTA!!! NÃO
ADIANTA NADA, MINHA FILHA!! PENSA QUE EU NÃO VI COM QUEM A SENHORITA
FOI ALMOÇAR??? HUH?? HUH???
- N-nós fazemos isso sempre... [em
tom baixíssimo de voz, enquanto observa seu gerente se aproximar]
Calma...
.
Aline vai empurrando Claudinha para fora da
loja, enquanto pede desculpas ao chefe e promete voltar em poucos minutos.
.
Já lá fora, perde "só um
pouquinho" da compostura (em se tratando de Aline, isso significa falar
"só um pouquinho" mais grosso):
- Olha só, eu não tô afim
de perder meu emprego só porque você perdeu o seu namorado.
Se é pra criar escândalo, é aqui fora. Não lá
dentro, ok?? Mas como você ia dizendo...
- EU NÃO PERDI MEU NAMORADO! VOCÊ
QUE TIROU ELE DE MIM!!!![alteradíssima, apontando o dedo]
- Eu??? Eu não tirei nada, a gente sai
pra almoçar quase todo dia há 2 anos. Antes de você
sequer entrar no segundo grau...
.
Tal frase enfurece Claudinha, que agora chega
a estar roxa de ódio.
- OLHA AQUI---
- Não, olha aqui você. [interrompendo,
mas ainda com a voz em tom baixo] Você chega no meu trabalho
, do nada, e começa a gritar comigo. Cadê a educação?
Eu não te fiz absolutamente nada. [vê o rosto de Claudinha
prestes a soltar o berro, mas aponta com o dedo para sua boca, pedindo silêncio]
Nada. E o mínimo que você deve fazer é me chamar
para "conversar" [aspas reforçadas pela expressão no rosto]
aqui fora. Estamos entendidas agora? Toda vez que você quiser estrebuchar
sobre o Pedro, me chame *aqui pra fora*, ouviu?? Muito bem. Tendo dito isso...
[vê Claudete muda de raiva e olhando para os lados] O que foi?
Era só isso? Pr'eu ficar longe dele?
- É!! [num tom raivoso-choroso]
Eu vi você almoçando com ele ontem!!!!
- Ontem?? Não viu hoje também
não?? [Aline não resistiu]
- Gggggg---
- Olha...[tom cansado] Eu tenho que voltar
pra loja... Eu só acho o seguinte. Você tá procurando
no lugar errado a razão para o fim de tudo
. Senta um dia em casa, quieta, respirando [reforçando o tom
de voz]calmamente , e feche os olhos. Aí lembre de tudo
que possa ter ocorrido durante o namoro de vocês - pequenas coisinhas,
pequenos detalhes - que tenha levado a complicações. Faça
uma lista, se quiser... você vai ver que eu *não* estou incluída.
[sorriso cínico, porém discreto]
.
Com lágrimas nos olhos, a maluquinha
balbucia:
- Você não me convence...
.
Claudinha faz um muxôxo inacreditável
para quem a vê saracoteando
boates adentro. Parece que dentro de 5 segundos vai cair num berreiro
daqueles.
Aline, para não ver a cena e não
sentir-se culpada depois (ela sempre tem disso!), despede-se logo e entra
na loja.
.
Olha pro gerente, de braços cruzados
rindo de tudo aquilo, e murmura sorrindo, sem deboche:
- Ahh, se meus 15 anos tivessem sido assim...
- Você estaria aí para contar a
história??
.
Aline ri do chefe e rapidamente se lembra por
que de certa forma admira
Claudete:
- Provavelmente não... provavelmente
não...
.