ATENÇÃO: Esta fic não tem fins lucrativos.
THE BLAME DANCE
Por Aline W.
– Ainda acho que você deveria ligar. – dizia com seu habitual tom de sabedoria. Elas estavam sentadas na cozinha de seu apartamento no norte de Londres, prontas para ir ao trabalho.
– Não vou ligar. , você faz idéia de quantas ligações ele espera? – perguntou retocando sua maquiagem com o pequeno espelho redondo nas mãos.
– Acho que sim. Uma só. E... –ela fez uma cara de pensativa. – Deve ser a sua. Anda garota, por que seria diferente?
– Ahn... Por que ele toca em uma banda que está diante de vários holofotes? – tentou lançando um olhar à . – Não é o meu tipo.
– Verdade. Por um momento pensei ter esquecido do quão frígida você pode ser. – levantou e pegou sua mochila. levantou em seguida, guardando seu pequeno espelho e sua bolsinha de maquiagem na bolsa e pegou a pasta, rumando para a porta. Resolveu ignorar o que dissera.
– Me dá uma carona? –a amiga perguntou quando estava na porta de seu belo carro prateado. Estava sempre parecendo novo e brilhante. – Estou sem dinheiro para o metrô.
– Claro. –ela respondeu e viu entrar.
As duas eram completamente diferentes. Conheciam-se desde sempre, mas eram extremamente diferentes. era uma espécie de candidata à rockstar. Ela cantava em uma banda não muito famosa, mas era realmente boa. Sua voz era incrível.
trabalhava na redação do jornal local. Escrevia uma coluna na folha de cinema e realmente gostava do que fazia. Ela gostava de tudo muito organizado. Sua casa estava sempre bem arrumada, seu quarto era sempre bem arrumado e seu espaço estava sempre... Bem arrumado. Já não era tão arrumada assim. Seu quarto estava sempre limpo, mas ela só o fazia por pressão da amiga.
As duas haviam saído juntas na última noite. Foram à uma festa badalada promovida pelo jornal em que trabalhava e ela conseguiu uma entrada para .
conhecera , um rapaz até bonitinho, simpático e tal, mas desleixado segundo , pelo estilo de roupas que usava e pelo modo como penteava seus cabelos. lhe apresentou um de seus amigos, que estava sozinho, assim como .
parecia ser mais comportado do que , que já estava beijando fervorosamente em certo ponto do local. Eles conversaram uns instantes e descobriu que tocava na mesma banda que . Ela já ouvira falar deles em algum lugar, era uma banda que ela não fazia muita questão de ouvir.
Mas até que era bonitinho e a tinha feito rir durante aquela noite. No fim, ele lhe deu seu telefone.
prestava atenção na direção, mas sabia que queria dizer algo. Ela ainda estava querendo falar com sobre a noite passada. Sabia que ela também havia se divertido com . Se não fosse tão cabeça dura...
– Você pode me deixar na Lock. Vou encontrar com . – disse olhando as pessoas que atravessavam a rua enquanto o carro parava no sinal.
– Na Lock? – a olhou. – tudo bem.
– Escute, eu sei que você não é normal, também sei daquele lance de não se envolver com alguém enquanto não estiver estabilizada e tal, mas você já está estabilizada. Você tem vinte e dois anos e escreve uma coluna para o jornal, uma coisa bem estabilizada não acha? – perguntou olhando para , enquanto ela acelerava o carro.
– Você quer que eu saia com o amigo do ? –a outra perguntou como se aquilo não importasse. – , ele não faz o meu estilo.
– O que você quer então? Um quarentão que jogue golfe? – revirou os olhos. – Qual é, olhe só pra você! Você é bonita, você pode muito! E fica se escondendo atrás dessas roupas de gente velha! Você não precisa parecer mais velha para ser responsável.
– O que você precisa entender... – estacionou o carro. – é que somos diferentes. Não vamos concordar em algo assim nem tão cedo.
– Certo então; . – desceu do carro e fechou a porta, pondo a cabeça na janela. – Você faça o que quiser. – e foi em direção às ruas da Lock. tirou o carro dali rapidamente e rumou para a redação.
– Kelly, preciso pegar as fotos com o Maurice. Segura aqui pra mim por enquanto, não demoro. – disse à moça que trabalhava com ela na mesma folha. Elas dividiam uma sala. Kelly era bastante compreensiva, mas pensava como . Ela sempre dizia que era bem sucedida, já havia conquistado o que queria, agora estava na hora de dar mais atenção aos sentimentos.
Todos aqueles conselhos, ela fingia que não escutava. A grande verdade era que ela tinha medo. Havia tido alguns rolos quando mais nova, nada muito sério. Sempre se escondeu atrás da postura de responsável. “Quero fazer minha vida, não há tempo para namoros”. É claro que ela queria um romance, algo que balançasse sua vida. Sentia até um pouco de inveja de , quando aparecia contando sobre seus encontros.
passou pelas mesas de alguns funcionários os cumprimentando e sorrindo para alguns. Chegou à uma porta branca com dizeres pretos: Estúdio.
Era ali que Maurice, o fotógrafo, trabalhava.
– Oi Mau. –ela entrou vendo que o colega tirava fotos de uma moça bonita. – Preciso das fotos que você tirou ontem da Courtney.
– Ali em cima. –Maurice falou apontando uma mesa. Havia uma pasta azul com um papel pregado escrito em letras grandes: Courtney.
– Obrigada. –ela falou saindo da sala. Assim que ela abriu a porta, deu de cara com alguém que pretendia entrar. – Desculpe.
– Não faz mal. –o rapaz falou. – Ei. Te conheço.
Ela virou e o encarou novamente. Era , o amigo de que ela conversara na festa. Deu um sorriso amarelo.
- Oi!
– Olá. – lhe beijou o rosto. – Que estranho, você trabalha aqui?
– Sim, eu te disse ontem. –ela falou com o mesmo sorriso amarelo. passou a mão pelos cabelos.
– Eu lembro, é verdade. –ele sorriu envergonhado. – E então, como está?
– Bem. E você? –um diálogo bem normal, pensou . Morno até demais para quem havia conversado com o rapaz a noite inteira.
– Legal. Vim aqui trazer umas fotos para o Maurice. – disse mostrando um envelope. – ele é meu primo.
– Sério? – perguntou como se aquilo realmente importasse.
– É. – piscou e abriu a boca para dizer algo. – Você deve estar ocupada, vou andando.
– É... – disse apenas. – Tchau então.
– Tchau. –ele falou e entrou na sala. encarou a porta e mudou a pasta de braço, pensando. Ele era tão bonitinho e simpático.
Talvez ela fosse mesmo frígida como falava.
– Então ele é primo do fotógrafo? – Kelly perguntou quando as duas almoçavam juntas na sala. – Que coincidência.
– Verdade. – falou.
– ... Eu já te disse isso várias vezes, por que você não procura um namorado? Já está mais do que na hora não acha? –Kelly perguntou vendo parar e fixar o olhar em um ponto no chão.
– Deixe o cara certo aparecer. –ela disse.
– Como você vai saber qual é o cara certo se você ainda não deu chance para os que aparecem?
Kelly tinha razão. Ela era muito fechada. Até estava se afastando dela. Daquele jeito, quando sua amiga de infância arrumasse um namorado – o que deveria ser logo -, iria abandoná-la sem dó.
– Você tem toda razão. Você e estão mais do que certas. – disse finalmente. Kelly sorriu e deu de ombros. – Eu vou telefonar para o mais tarde.
– Que bom. –Kelly disse.
– Mas ein? – perguntou enquanto dizia o que pretendia fazer. – Você está doente?
– Não. Eu apenas decidi colocar essa coisa de relacionamentos para frente. –ela disse bebericando o café. A amiga sorriu.
– Estou orgulhosa! – exclamou. – Vai mesmo ligar para o ?
– Sim. Agora mesmo. –ela pegou sua bolsa e abriu a carteira, tirando um pedaço de papel. – O que eu devo falar?
– Não sei, chama ele pra conversar, sei lá.
discou o número e pôs o telefone no ouvido, ouvindo a chamada. Depois alguns segundos, alguém atendeu.
– Alô. –uma voz meio preguiçosa falou do outro lado.
– Alô, é o ? –ela perguntou aflita.
– Sim, que fala?
– Oi . É . –ela disse torcendo para que ele lembrasse.
– Ah, oi! –falou ele empolgado. – Puxa, pensei que você não fosse me ligar.
Ela prendeu a respiração, como assim?
– Por quê? –perguntou entre risadas.
– Bem, eu te dei meu telefone pra te deixar mais à vontade. – disse docemente. – É que você me pareceu tão fechada na festa. Talvez, se eu pedisse seu telefone, você poderia achar que eu estava forçando a barra.
piscou algumas vezes processando aquela informação.
– Você pensou isso? –ela perguntou.
– Sim, pensei. Você acha que... Eu forcei a barra ao te dar o meu telefone? Depois eu pensei um pouco e talvez você pensasse que eu estaria te forçando a me ligar, você não pensou isso, não foi?
Ela riu com as perguntas do rapaz.
– Não, não é nada disso . Você não fez nada errado. –ela disse. – Escuta... Você tem algo programado para amanhã? É sábado, eu achei que nós poderíamos tomar um café, não sei. A Hampstead fica bem bonita em época de Natal.
– Sei... Erm... Amanhã, não tenho nada programado. Nós podemos sim. –ele respondeu. – Café Nero, às sete. Está ok pra você?
– Tudo certo. –ela disse. – Até amanhã, .
– Até amanhã.
desligou o telefone e fitou , que fingia tomar seu café sem ter ouvido nada.
– E então?
– Vou encontrar com ele no Café Nero amanhã às sete.
– Como está a auto-estima? – perguntou olhando a amiga.
– Espero que esteja ok.
resolveu pedir para levá-la à Hampstead de carro. Achou que não deveria ir com seu carro, talvez quisesse levá-la pra casa. Mesmo assim, pedira o carro emprestado por que iria à casa de .
– Tome juízo. Não faça nada que eu não faria. – disse saindo do carro. gargalhou.
– Então vamos apenas jogar Batalha Naval. –a amiga disse, vendo lhe mostrar a língua. – Tchau.
– Até amanhã. –as duas riram e rumou até o café. Estava frio lá fora. O aquecedor do carro disfarçara um pouco a temperatura. Toda Londres estava congelando.
decidiu não ir tão produzida assim. Afinal, era um encontro casual. Vestiu seus jeans pretos e usou seu casaco preto de algodão, com sapatilhas pretas, echarpe vermelha e luvas pretas. Seus cabelos estavam cuidadosamente presos em um penteado comum, com mechas presas e o restante do cabelo solto. Maquiagem leve foi o que sugeriu.
Ela viu . Ah sim, ele estava bonito. Como estava. Usava uma calça preta e um moletom também preto. Ele não parecia desleixado apesar do moletom.
– Oi. –falou se aproximando.
– Olá. – disse como sempre, lhe beijando a bochecha.
– Parece que nós combinamos. – disse sorrindo.
– Verdade. Preto não parece uma cor muito fúnebre? – perguntou puxando uma cadeira para que sentasse.
– Preto é um tom decidido. –ela falou. piscou algumas vezes e sorriu pra ela. Certo, não sabia bem o que dizer. Fazia muito tempo que não tinha um encontro.
– Capuccino? –ele perguntou chamando o garçom.
– Sim. – sorriu vendo pedir dois Capuccinos. – Obrigada.
Ele sorriu pra ela e suspirou.
– Então... – Você não quis me falar muito de você na festa. Eu que falei... Falei... Falei até não poder mais. – girou os olhos. – Pensei até está incomodando você.
– Não! –ela se apressou em dizer. – é o meu jeito. Eu sou idiota assim mesmo , não se preocupe.
– Idiota? – riu. – Você é meio diferente das garotas que eu namorei.
– Melhor ou pior? – perguntou.
– Nem melhor e nem pior. – respondeu sincero. piscou algumas vezes e ouviu o que ele dissera.
Conversaram bastante. E dessa vez, falara bastante. Então era isso que os rapazes achavam dela? Nem melhor nem pior? Certo então, isso muda agora.
No fim da noite, a levou para casa como previra e ela o beijou. Sim, ela o beijou. Achou que se não fizesse isso, se sentiria rejeitado. Não ficaria tentado a ligar para ela. E queria que ele ligasse. Havia gostado bastante de conversar com ele, era realmente um amor. Ele prometeu telefonar para ela no dia seguinte. Repare o que ele havia dito, no dia seguinte. Poucos rapazes fazem isso.
– Não acredito! – pulou do sofá no dia seguinte, quando dissera o que houve com . – Você beijou alguém! , você beijou alguém! –e abraçou a amiga. – Estou TÃO orgulhosa!
riu e foi derrubada na cama por .
– ! Não faça isso! –ela sorriu. – E como foi com o ?
– Ah... Nós vimos um filme, mas paramos na metade. A coisa estava realmente boa, sabe. – olhou para cima, numa tentativa de disfarce, mas lhe derrubou na cama da mesma maneira. – Sua tarada! Só depois da meia-noite, já lhe falei isso, !
riu e estapeou . Ela adorava fazer aquelas piadas.
– Você vai sair com ele de novo? – perguntou. deitou na cama e olhou para o teto.
– Não sei. Ele disse que iria me ligar.
– ELE DISSE ISSO? – perguntou espantada.
– Disse. Algum problema? – perguntou assustada com a reação da amiga.
– Meu Deus, ele está caído por você! – abraçou e começou a dizer algo que não ouviu bem.
Dez da noite e estava com na sala, vendo algum filme esquisito. Estavam bem abraçados, devido ao frio. acariciava os cabelos de , que tinha o olhar fixo na tevê. suspirou e pensou que seria ótimo ter alguém para abraçar quando quisesse.
– Vocês dois estão tendo algo sério? –ela passou perto e perguntou, enquanto pegava o seu casaco; pronta para sair.
e se entreolharam e o rapaz voltou a olhar .
– Sim estamos. –falou ele olhando para novamente, que sorriu e o abraçou ainda mais. – E você e o ? Saíram outro dia, não foi?
– Sim. – respondeu pegando a chave do carro e saindo antes que fizesse outra pergunta. – Comportem-se e não quebrem a casa.
Ela foi até o carro e o ligou, deixando o celular no banco do carona. Já tinha posto a cesta de roupas sujas no carro, pronta para ir deixá-las na lavanderia. Estava no meio do caminho quando seu celular tocou. pegou o celular e viu um número esquisito ali. Atendeu.
– Alô?
– ? –perguntaram.
– Sim. Quem é?
– . Eu disse que te ligaria.
Ela soltou uma exclamação de compreensão e sorriu.
– Sim, oi ! –ela disse feliz. Era bom falar com ele. – Como você vai?
– Ótimo, e você?
– Levando as roupas para a lavanderia. –ela riu.
– Belo programa para um domingo. – riu.
– Eu não queria ficar lá de vela para e . Já que tinha que trazer essas roupas mesmo... –ela explicou. disse algo compreendendo e ficou quieto de repente.
– Onde você está agora? –ele perguntou.
– Estacionando na frente da lavanderia. O que você está fazendo agora?
entrou, deixou as roupas para lavar e continuou conversando com pelo telefone. Pegou a estrada de volta ainda conversando com ele, entrou em seu quarto, ainda com o telefone no ouvido. Era domingo e ela tinha que ir trabalhar no dia seguinte, mas a conversa estava ótima.
– Você acredita nisso? – contara uma história absurda para , que se acabava de rir do outro lado. E ria mesmo.
– Meu Deus, e o que vocês fizeram? –ela perguntou rindo.
– A gente correu. Corremos muito. – disse e riu mais. Eles se calaram de repente de olhou o relógio. Três da madrugada.
– Oh meu Deus, eu preciso trabalhar amanhã! – ela disse apavorada. – Está tão tarde!
– Verdade, perdemos a hora. – disse.
– A conversa estava ótima. –ela disse.
– Concordo. Mas você precisa acordar cedo amanhã.
– Quer almoçar comigo? –ela convidou.
– Adoraria. – riu. – Horas?
– Uma hora, na Hampstead mesmo... Pode ser na Dallina’s. Eles têm um ótimo almoço ali.
– Certo. Vou te esperar.
– Beijo, ...
– Tchau.
desligou o telefone e o encarou, sorrindo. Ouviu alguém entrar e viu parada, com uma cara de sono.
– O que você estava fazendo? –perguntou esfregando os olhos.
– Conversando com o no telefone. – riu.
– Vocês estão se dando bem?
– Muito. Vamos almoçar juntos amanhã. – falou.
– Que bom. Boa noite. Quero dizer... Boa madrugada. –as duas riram e deitou.
– Anticipation has the habit to set you up – cantava enquanto ia até a cozinha naquela segunda-feira. estava tomando um café forte para ver se acordava. Ainda estava com sono. – For disappointment in evening entertainment but!
Ela olhou para a amiga, que sorriu. conhecia aquela música. Era de uma banda que gostava bastante.
– Tonight there’ll be some love. –ela continuou para , que riu com aquela atitude.
– Tonight there’ll be a rawkus, regardless of what’s gone before. –a amiga disse dançando enquanto cantava. – I want to see all of the things that we’ve already seen, the lairy girls hung out the window of the limousine!
– And of course its fancy dress – resolveu cantar junto. Afinal, estava contente. – And they’re all looking quite full on
– In bunny ears and devil horns! – continuou e imitou o som de uma . As duas riram e saíram de casa na mesma hora.
***
[N/A: É nessa parte que a fic começa a ficar... tosca, como tudo o que eu faço ¬¬].
Após um tempo, e estavam tendo algo sério. e estavam namorando oficialmente e os outros dois estavam apenas considerando essa possibilidade. Embora tivessem algumas brigas de vez em quando, eles se gostavam.
– Você vai comigo? – perguntou a quando os dois estavam no telefone àquela quinta-feira.
– Você disse que a iria com você. – o rapaz disse assustado.
– Eu falei que ela talvez iria. – falou diretamente.
– Bem, eu tenho compromisso. Não posso me ajustar para você dessa vez. – respondeu no mesmo tom. Estavam juntos havia três meses e ele estava se cansando daquilo. queria que ele estivesse à disposição para quando ela quisesse. E eram sempre as mesmas coisas. Compras para roupa de cama, roupa de banho, toalhas de mesa... Nenhum momento para os dois.
– Você sabe que não nos vemos faz cinco dias? –ela perguntou irritada.
– Claro que sei, eu tento te ligar, mas ou seu celular está ocupado, ou está desligado. Você nunca está em casa e sempre que me liga, pede um favor. Caramba, isso é realmente chato. – disse depressa. abriu a boca, sem acreditar que ele tinha mesmo dito aquilo.
– Tudo bem , eu vou sozinha. –ela desligou o telefone indignada e entrou no carro, indo para a Portobello. Eles não estavam se entendendo naquela semana.
Mas o que queria? havia deixado bem claro que o trabalho sempre foi o primeiro da lista.
– Você não dá espaço pra ele. – disse quando ela, e Kelly almoçavam juntas no sábado. não tinha ligado de volta para e nem ele pra ela.
– É sério , quando nós falamos que você precisava de alguém, você ouviu e deu certo, não deu? Apareceu o . Mas você... Você já percebeu como você trata o rapaz? – Kelly perguntou olhando bem para . – Ele vai até a redação só pra te dar oi às vezes, ele te liga na hora do almoço pra saber se você está bem às vezes, e tem dias que ele até vai te buscar!
piscou algumas vezes e continuou calada, ouvindo.
– E além disso, vocês estão juntos há três meses. Ele está te agüentando há três meses. – Kelly continuou.
– Você nunca arranja tempo pra ele. Está sempre trabalhando, trabalhando. Qual é, nem nos finais de semana você pode vê-lo? – perguntou enfiando um pedaço do seu sanduíche na boca. – Eu trabalho bastante lá no estúdio... E ainda consigo tempo pro toda semana.
trabalhava com um produtor de bandas iniciantes, em um estúdio pequeno ali mesmo no norte de Londres.
– Verdade. E o meu namorado está sempre comigo quando eu posso. E a minha carga é a mesma que a sua. – Kelly disse. suspirou.
– Vou ligar pra ele mais tarde.
– Ligue agora. – disse pegando o celular de dentro da bolsa e entregando a ela.
pegou o celular com uma cara nada boa e olhou pros lados, aflita.
– O que você tem? – Kelly perguntou aborrecida. – Escute, é tão difícil assim ligar para o seu namorado? Você não gosta dele, ?
– Não é isso, é claro que eu gosto! –ela exclamou. – É que... Acho que ele não vai me atender. sempre me liga. Desde que desliguei o telefone ele ainda não ligou.
– Mais um motivo pra você ligar e pedir desculpas. – falou e se afastou, discando o número de . Estava com medo. E se ele não atendesse?
Estava fora de área. Ótimo, pensou ela. Resolveu tentar a casa dele, mas ouviu a mensagem:
– Oi! Eu não estou em casa, HAHA! Você-tem-45-segundos-para-me-deixar-uma-mensagem! – riu ao ouvir aquilo. Adorava a mensagem da secretária de . – Caso não queira me deixar uma mensagem, desligue o telefone e caia fora, ADIOS!
Ela achou melhor falar depressa:
– Oi sou eu. ... Er... Desculpe-me por outro dia, eu sou uma idiota. –ela suspirou. Não sabia mais o que dizer. – Posso ver você? –pensou mais um pouco e sacudiu a cabeça. – Você não quer me ver, eu sei. Desculpe, de verdade.
E desligou. Passou as mãos no rosto tentando não se sentir tão péssima. As garotas tinham razão. era sempre tão carinhoso, tão preocupado. Ele realmente se importava com ela, e nunca deu muita atenção à ele.
Agora estava se sentindo culpada. sempre a chamava pra sair e pra passar o dia com ele, mas ela estava sempre ocupada.
– E aí, falou com ele? – perguntou quando ela voltou.
– Deixei uma mensagem. Acho que ele não quis me atender. Ele deve estar em casa. – falou tristonha.
– E como você está? –Kelly perguntou.
– Não sei, eu preciso falar com ele. – disse tapando o rosto com as mãos. Agora estava se sentindo muito culpada. – ele não quer falar comigo.
As garotas se aproximaram e a abraçaram.
estava em casa, deitada no sofá. Tinha que trabalhar, mas não estava com vontade. Não estava com vontade de levantar e de fazer nada. Não queria fazer nada.
Após aquela tarde com as garotas, ela pensou bastante. Sabia que merecia mais atenção. Ela gostava dele. Gostava bastante e ele também gostava dela.
Não sabia mais o que fazer.
Ela fechou os olhos, foi quando o telefone tocou. Resmungou algo sobre não querer atender e logo, sua secretária eletrônica falou. Em seguida, uma mensagem:
– Ahn... Oi, sou eu. – levantou do sofá com um pulo. Era . E estava com uma voz péssima. – Eu... Não é o que você pensa... Eu quero sim te ver. Na verdade, a gente precisa conversar. – ferrou, pensou . – Você está aí, eu sei que está. Vou passar aí agora. Tchau.
Ele desligou e desabou no sofá.
Ele vai terminar comigo, ela pensou. Ele vai terminar comigo.
Ela não queria que terminasse com ela, não queria mesmo.
enterrou o rosto na almofada e começou a chorar. Soluçou um pouco e gritou por , que estava lendo no quarto. A amiga desceu desesperada.
– O que foi? – perguntou ao ver aos prantos.
– Ele vai terminar comigo. – disse ela após enxugar as lágrimas. – Droga, será que eu fiz tudo errado?
lhe deu um abraço e tornou a chorar.
– Como você sabe que ele vai terminar com você?
– Ele acabou de me deixar uma mensagem... Escute. – apertou o botão para ouvir.
Após terminar, a amiga coçou o nariz e sentou no sofá.
– O que você acha? – perguntou esperançosa.
– Não faço a mínima idéia. – disse e as duas ficaram sentadas no sofá, estáticas.
Algum tempo depois, a campainha tocou. levantou e subiu, dizendo que queria deixar os dois a sós. deu uma olhada no espelho e suspirou. Abriu a porta e lá estava , tão bem quanto ela.
– Oi. – ele disse entrando, quando ela lhe deu espaço.
– Oi. – não teve coragem para abraçá-lo ou beijá-lo.
sentou no sofá e olhou para ela, sorrindo fraco. Ele deu umas tapinhas no sofá, indicando o local para ela sentar, ao lado dele. Ela foi até lá e sentou.
– E então... –ela disse já esperando o pior.
– Então... – falou olhando para frente. Ele ia falar algo, mas ouviu um soluço e olhou para , que estava tentando se controlar. – Você está...? ! Por que você está chorando? –ele perguntou puxando-a mais pra perto e lhe abraçando.
– Você vai me dar um fora. –ela disse parando de chorar. – Você vai me dar um fora, eu não mereço você, eu sei disso. Eu sou uma péssima namorada.
não disse nada. Ele passou os dedos pelos cabelos dela e ouviu.
– Eu sou uma porcaria, cara. –ela falou enxugando as lágrimas. – Fale alguma coisa, por favor. –ela pediu. suspirou e disse:
– Não. Eu queria te ver. –ele falou. – Você me deixou uma mensagem e eu retornei.
– Você não me liga desde quinta-feira. –ela disse.
– Estava esperando você me ligar. Se você não ligasse até segunda, eu ia tomar alguma atitude. – ele começou. – Por que não dá. No inicio era tudo lindo, você me dava atenção. Mas depois, não sei. Você voltou a ser aquela psicótica que era antes.
– Acho que me acostumei com você. – falou calma.
– Deixe isso pra lá. – disse.
Eles fizeram as pazes aquela noite. Pelo menos, foi o que pensou. Conversaram; a desculpou e depois foi embora. Tinha compromisso com a banda no dia seguinte. estava em casa, anotando algo que deveria comprar em um papel, antes de sair de casa, quando o telefone tocou. Ela correu para atender.
– Alô.
–? É o .
franziu a testa e tossiu. A voz dele estava tensa. Havia algo acontecendo.
– O que houve?
– Preciso falar com você... Eu não... Não consegui falar ontem e sou covarde demais pra te falar pessoalmente. –a voz dele estava trêmula. coçou o canto do nariz e sentou na cadeira. Algo a dizia que não ia gostar do que ele tinha a dizer.
– O que houve? –repetiu.
– Eu... Eu estava muito triste com tudo isso que aconteceu entre a gente. Você não estava retornando as minhas ligações nas últimas semanas e nós não tínhamos nos visto muito, eu cheguei a pensar que você não queria mais me ver...
– Que absurdo! Como você pôde pensar isso? – disse depressa.
– Julguei pelo modo que você estava me tratando, e os caras acharam que eu estava certo. –ele tossiu. – Então... Eu... –ele tossiu novamente. – Eu conheci a Allie.
piscou algumas vezes, boquiaberta.
– Allie? –perguntou.
– Sim. A Allison. Ela é prima de um amigo meu... Ela é bem bacana. Não é uma dessas groupies malucas que nos dão indiretas... E ela me faz rir, eu me divirto com ela.
– Por que você está me dizendo isso? –ela perguntou amedrontada.
– Por que está na hora de acabar com isso. Eu sei que você não está feliz, e eu também não estou feliz. – disse sinceramente.
sentiu as lágrimas virem e tapou a boca com a mão livre.
– Você está terminando comigo. Não está? –perguntou ela. Pôde ouvir um suspiro do outro lado da linha.
– Sim, estou. – disse e desatou a chorar. – Escute, eu gosto muito de você. Sei que você sabe disso. Mas não tenho certeza da sua parte. E um relacionamento não pode ser assim, .
Ela ficou calada. Não conseguia dizer nada. As palavras não saíam.
– Eu não quero ver você triste... ... ? Me responde. – pediu com a voz firme. Ela não conseguiu responder. – Você está me ouvindo. Eu sei que está... Então, não pense que está sendo fácil pra mim. Mas eu acho que... –ele bufou. – Você não vai me responder mesmo?
soltou um soluço e tentou prender o choro o máximo que pôde. Estava sozinha. e haviam saído.
– Por favor... Fale comigo. –ele pediu com a voz doce.
não conseguiu, mais uma vez, e desligou o telefone. Não acreditava naquilo. Havia acabado. Ela havia estragado tudo.
Assim que desligou o telefone, ligou para Kelly, já que estava com e ela não quis atrapalhar.
– Kelly... –ela disse aos prantos quando a amiga atendeu.
– ? Deus, o que você tem?
– O ... Terminou... Comigo, Kelly... – dizia pausadamente, entre suspiros e soluços.
– Oh meu Deus, você está em casa?
– Estou.
– Certo, não saia de casa. Não saia mesmo de casa ok? Estou indo.
– Ok. – desligou e esperou que Kelly chegasse.
O que aconteceu cinco minutos depois. Ela abriu a porta e Kelly lhe deu um abraço imediatamente.
– O que aconteceu? –ela perguntou sentando com no sofá.
– Ele me ligou e disse que não tinha coragem de falar pessoalmente, disse que um relacionamento depende dos dois e não apenas de um e falou que conhecera uma outra garota... Uma tal de Allison... –ela tossiu. – E falou que não dava mais, terminou mesmo...
– Eu... Eu sinto muito. –Kelly disse.
– Eu me sinto tão idiota. – disse aos prantos.
– Não se sinta. As coisas tendem a ser assim mesmo. Quando não dá certo, acaba. – Kelly falou tentando animar a amiga. – Você ligou para a ?
– Não. Ela está com . Eles estão fazendo cinco meses hoje, eu não quero atrapalhar. – enxugou as lágrimas.
– Boa atitude. – Kelly sorriu simpática, tentando quebrar o clima triste. – Você gosta mesmo dele, ?
– Eu gosto, claro que gosto, será que isso não é óbvio? – ela perguntou grotesca. Kelly abaixou o olhar.
– Não é. Quando você está com , parecem dois estranhos.
A garota sentiu-se ainda pior depois daquilo.
– O que você acha que eu devo fazer? –ela perguntou, se dando por vencida.
– Ligar pra ele. Conversar... Não sei. Mas só se achar que deve fazer isso.
Ela suspirou concordou com Kelly.
– Vou fazer isso...
– Mas não agora. Deixe o respirar. Ele também deve estar confuso, triste. Espere uma semana para telefonar, e quando o fizer, seja sutil, gentil e simpática, certo?
sentia que não tinha direito de chorar ou sentir. Ela havia feito aquilo acontecer. Era tudo culpa dela.
***
Era véspera de Natal e havia passado duas semanas desde que terminara com . Ela não o procurara novamente e nem se manifestara contra a atitude dele. Ela não tinha esse direito. Decidiu que iria viver normalmente, como vivia antes.
Estava na Portobello, olhando aquelas vitrines para ver se encontrava algo para vestir no Natal. E daí se iria passar sozinha? Aquele seria o seu melhor Natal.
Oh sim, ela iria passar sozinha por que toda sua família morava em Sheffield. Ela não podia ir para Sheffield com o trabalho. Tinha muito trabalho, mas ela conseguira uma folga no Ano Novo para passar com sua família. iria passar o Natal com , também não podia ir para Sheffield. Kelly iria passar com sua família, ela era londrina.
Sendo assim, estava sozinha no Natal. Mas não se importava.
Não conseguiu encontrar nada que gostasse na Portobello e resolveu ir até Primrose Hill. Também não tinha nada que a agradasse por ali. Será que ela teria que optar pela Lock? A Highgate Woods não era a melhor opção para compras. Teria que ir até a Lock.
Aos chegar lá, avistou na primeira vitrine, um lindo vestido preto até os joelhos. Era um corpete até a cintura, depois era solto. Muito lindo.
Ficou admirando ali mesmo e deu uma olhada no preço. Olha só, muito agradável, pensou ela. Dava para comprar. Ia entrar na loja quando ouviu chamarem seu nome.
Virou-se para ver quem era e deu de cara com vindo em sua direção.
– ! – ele disse.
– Oi! –disse depressa, tentando disfarçar o nervosismo. Não via há duas semanas.
– Há quanto tempo não te vejo! – ele disse. – Olha, você cortou o cabelo! – apontou para a franja recém cortada de .
– É... E você... Como está? – ela perguntou receosa.
– Bem. O que faz aqui?
– Tentando arranjar um vestido para o Natal. – sorriu falsamente. estava bem. Significava que ele não havia sofrido com a separação.
– Ah... – ele exclamou. – Queria te apresentar a Allison.
Uma garota ruiva se aproximou. A única coisa que pensou foi: Que garota linda.
Allison sorriu e disse:
– Oi .
retribuiu o sorriso. Então aquela era a nova... Namorada de . Muito bonita.
– Oi. –disse apenas.
– Não é lindo? – Allison perguntou olhando em volta. – As decorações natalinas... As luzes... Uau! Sou fã do Natal.
riu, olhando para , que também ria. Ela ainda sentia-se desconfortável ao olhar pra ele. Era como se tivesse um peso em suas costas, como se tivesse uma dívida com .
– É mesmo, onde você vai passar o Natal? – perguntou para .
– Ahn... Sozinha. –ela respondeu sorrindo. O rapaz apertou os olhos.
– Sozinha?
– Sim. – sorriu novamente. – vai passar com e Kelly com a família. Como eu não posso ir à Sheffield agora, eu vou ficar em casa. Estava pensando em ir à festa do trabalho, mas... Desisti. Todos vão ficar bêbados de cair, não estou a fim disso.
– Bom... Alguém ainda pensa assim. – ele riu cabisbaixo e devolveu o sorriso.
– Tenho de ir. Vou comprar um vestido perfeito que encontrei antes que alguém compre. Prazer conhecer você, Allison. – ela olhou para . – Legal te ver .
Ela abaixou a cabeça e entrou na loja com passos leves.
observou se afastar aos poucos e foi acordado pela voz de Allison, que dizia:
– Que pena.
– Oi? – ele não estava ouvindo direito.
– Você não ouviu? Ela vai passar o Natal sozinha. – a ruiva virou e foi andando na frente. – que pena.
pôs os braços na cintura e fitou a loja que a garota entrara. estava diferente. Ele não sabia o que era não sabia o que tinha mudado nela, não sabia se era o simples corte de cabelo diferente. Ele só sabia que ela estava bastante diferente.
Pensara nela aquelas duas semanas. Todos os dias. O que ela estaria fazendo, em quê estaria pensando. Se andava ocupada, se gostaria de receber um telefonema...
se achava um grande idiota por pensar em assim. Seus amigos diziam que ela havia errado. Que uma namorada de verdade telefona para o rapaz só para perguntar se ele vai bem. E ele fazia isso. Nunca se importou tanto com uma namorada como se importava com . E olhe que eles não tiveram momentos tão marcantes assim. Foi um namoro pacato. Mas ele sentia que naquela garota, havia algo de diferente, para ele e até para qualquer pessoa que se aproximasse. Por que era daquele jeito, ele não sabia, mas gostava dela. E gostava bastante. Também se achava idiota por gostar dela, mas o primeiro mês de namoro foi o melhor mês que ele já tivera com uma namorada...
-
– Conte até três. – pediu.
– Não vou contar coisa nenhuma . – disse bruscamente, rindo e fazendo rir. Estavam na casa dele. Ela havia passado a noite lá. – Anda, me mostre o que você tem aí!
– Só se você contar até três. – o rapaz insistiu, escondendo algo nas costas, com as mãos. estava na sua frente, tentando pegar.
– ! – ela gritou impaciente.
– Não sei se você merece, mas tudo bem... – lhe entregou um livro de capa branca com uns dizeres roxos. olhou paralisada para o livro e piscou algumas vezes. Queria aquilo havia meses! – Feliz aniversário de um mês. – falou olhando pra ela, apenas esperando a reação.
– Meu Deus, , onde você encontrou isso...? – ela perguntou sem acreditar.
– Na livraria, é óbvio. Onde mais se vende livros? – perguntou como se fosse óbvio e riu, estapeando a testa dele.
– Não acredito! Não acredito! – ela envolveu os braços no pescoço dele e o abraçou. – Obrigada, obrigada!
– Não me agradeça. –ele disse. – Só de ver o seu sorriso, já vale a pena.
sorriu mais uma vez e se aproximou de , encostando uma das mãos no rosto dele e a outra no cabelo do rapaz.
– Só você consegue ser assim, . – ela apertou os olhos e pressionou os lábios contra os de suavemente. – E eu te amo muito, muito por isso.
piscou algumas vezes, abobalhado e sorriu, abraçando pela cintura e a puxando mais pra perto, beijando sua boca do mesmo modo que ela tinha feito.
– Eu também amo você.
-
ainda estava sentada no sofá, estática. Parada, de chofre.
Ela havia metido a fuça no trabalho naquelas semanas, sem notícias de , mas àquela noite... Encontrá-lo refrescou todos os bons momentos que passara com ele. era tão bom pra ela. que era uma verdadeira idiota, uma nojenta. Como pudera deixar um cara como ele sair assim da sua vida?
– Isso é pra você aprender... –ela disse para si mesma, deitando-se no sofá. – A não ser tão estúpida.
Ela começou a cantar e sorriu sozinha, enquanto lembrava do quanto era débil.
– Você está ok? – perguntou antes de sair de casa.
– Tem certeza de que não quer vir com a gente? – perguntou ao ver deitada no sofá, vendo reprises de filmes natalinos. Era noite de Natal e ela iria ficar sozinha.
– Tenho sim. Não se preocupe comigo, . –ela sorriu. – E obrigada pelo convite.
– Se mudar de idéia, me telefone. – falou saindo de casa. – Tchau.
acenou e retribuiu o aceno, voltando sua atenção para a tv. Ia ser uma noite bem longa.
já estava deitada naquele sofá havia umas duas horas. Decidiu ligar para a sua mãe. Não tinha ligado ainda. Pegou o telefone e discou o tão conhecido número.
– Alô. – seu pai sempre gostava de atender ao telefone no Natal.
– Pai? Sou eu! –ela exclamou feliz.
– ! Minha filha, como vai? Está tarde, chegamos a pensar que você não ligaria!
– É, eu sei; mas nunca que eu deixaria de ligar! Como estão passando? –ela resolveu sentar.
– Bem. Esperávamos que você viesse, mas infelizmente não veio. É uma pena.
– Também acho papai, mas é o trabalho.
– Sua mãe quer falar com você. – o homem falou. – ?
– Sim, pai! –ela adorava aquele jeito de seu pai.
– Um beijo. –o pai falou alegre. sorriu.
– Outro papai.
Ouviu uma movimentação do outro lado e logo, alguém falou:
– ?
– Mamããããããe! –ela exclamou. – Que saudade!
– Onde está você para me ver usando um casaco de Cashmere? –perguntou a mãe fazendo um sotaque cockney (O sotaque típico da zona leste de Londres. havia falado a sua mãe sobre isso na ultima ligação).
– Não acredito que está usando cashmere! – exclamou contente. – Seus dias de glória chegaram, mamãe!
As duas riram. adorava se divertir com sua mãe. Todas as vezes que ela ia visitá-la, passavam horas conversando e rindo.
– Tomara, tomara.
– A mãe de está aí? – perguntou curiosa.
– Sim, está.
– Mande um beijo pra ela. –ela falou sorridente e ouviu sua mãe dar o recado. A voz da mãe de soou do outro lado e logo, sua mãe voltou:
– Ela está mandando outro.
– Ótimo!
– Ah, filha, vou ter de desligar. A confusão vai comer aqui se não tomarmos o controle. Mas foi ótimo falar com você. Vem no Ano Novo não é?
– Vou sim. Com certeza.
– Eu amo você.
– Também amo você mamãe. Tchau. – desligou e jogou o telefone por ali. Era sempre bom falar com a família. Deixava-lhe muito mais contente.
havia acabado de deixar Allison em casa. Ela precisava passar a ceia com sua família.
Estava andando pelas ruas vazias e escuras à uma da madrugada e não tinha idéia de pra onde iria.
Não queria voltar pra casa. Ficaria sozinho, como .
.
Era apenas nela, num momento como aquele, que ele conseguia pensar. Apenas em . Às vezes se perguntava se havia feito certo em terminar com ela. Gostava tanto de ainda. Não sabia até quando seus sentimentos por ela iam durar. Mas se durassem muito, não ia suportar ficar longe dela.
– ! – ouviu alguém chamar e virou para ver. Pôs o braço na frente do rosto para se proteger da luz dos faróis. Era um carro. Como não ouviu o carro ser aproximar? Estava bêbado? Não, não havia bebido. – , cara!
Era no carro com .
– Que foi? –ele perguntou.
– O que você está fazendo sozinho nessa rua? – o amigo perguntou vendo olhar para os lados impaciente.
– Pensando. E você estragou meus pensamentos. – ele viu o olhar assustado de e sorriu. – Oi .
A garota sorriu e acenou timidamente. revirou os olhos.
– Cara, você está horrível. Digo, péssimo. Vai pra casa. Quer uma carona? – ofereceu.
– Não preciso. – pausou seu olhar em e de repente, um pensamento lhe veio a cabeça. – está sozinha em casa? Ela está mesmo sozinha?
– Está. – olhou para . – Por quê?
– Não pensei que ela fosse mesmo passar o Natal sozinha. – falou cabisbaixo.
lançou outro olhar à , que olhou para .
– Escute, cara, eu acho que vocês deveriam conversar. Essa garota está tão mal quanto você. –ele disse. levantou a cabeça para encará-los.
– Mas eu a encontrei outro dia. Ela estava bem, comprando roupas...
– Ela parece estar bem. – falou abanando o ar. – Está um trapo, deitada no sofá. E , ela ficou bem mal quando vocês terminaram. Ela é muito atrapalhada, apesar de toda essa coisa de responsabilidade e tal. Ela só dava importância ao trabalho. Mas isso foi antes de você aparecer. – ao ouvir isso, apertou os olhos e suspirou. – Eu acho... Sabe... Que ela ficou... Ah, diferente. Não sei. A que eu costumava conhecer era bem carrancuda com garotos e tal. Desde o dia que ela decidiu sair com você, ela já estava começando a mudar.
– Ela não era nada legal comigo, nos últimos meses. – disse.
– Mas ela sentiu. – falou. – É isso que a está tentando dizer. Ela sente a sua falta.
– É isso aí. – concordou. – Se você ainda sente alguma coisa por ela, , não deixe que ela sofra dessa maneira.
olhou para o chão e ficou imóvel. Apenas processando as informações. E se eles estivessem certos? Ele levantou a cabeça e sorriu.
– Obrigado pessoal. – e sorriram. – Mas... Eu não acho que dê certo. – balançou a cabeça infeliz.
e franziram as testas, confusos.
– Nós somos muito diferentes. Minhas prioridades são diferentes das prioridades de . – ele falou. – Como um relacionamento pode dar certo assim?
– Quando os sentimentos são muito, muito fortes, ... – começou. – Deve-se tentar até uma terceira vez.
– Você nunca ouviu falar daquele ditado que dizia... Às vezes, as coisas precisam de uma terceira vez para dar certo? – perguntou piscando para .
– Mas não se preocupe. Você ainda tem uma vez de crédito. – a garota brincou, vendo a expressão de mudar completamente. – Agora vai lá... Por que se eu chegar em casa e ouvir lamurias da ... Vou ter de bater em você.
– Cuidado, ela bate mesmo. – disse fazendo rir. fechou os olhos e balançou a cabeça. Eles estavam certos.
Se ele gostava de , e se ela gostava dele, por que estavam separados então?
– Gente... Valeu. – disse. – Obrigado, mesmo. – ele olhou para frente. Tinha que ir depressa.
Não pensou duas vezes e começou a correr. Não ouviu quando gritou:
– EI CARA, A GENTE LEVA VOCÊ... –em vão.
já estava correndo. Ia conseguir sua namorada de volta.
não via mais filmes, a essa altura. Agora ela estava deitada no sofá, ouvindo a mesma música sem parar. Fazia tempos que ela não parava para ouvir um cd de uma de suas bandas favoritas. O que achou um absurdo. No que ela havia se transformado? Quando morava em Sheffield, ela e se divertiam, cantando, pulando, brincando por todos os cantos. Ela não temia ser quem era. Por que estava sendo tão dura com ela mesma? Por que estava vestida com aquela máscara inútil desde que chegara a Londres? Agora não havia mais volta. Teria de fazer certo da próxima vez. É, foi aí que ela pensou... Iria ser uma pessoa normal, a partir daquele momento. Ela só tinha vinte e dois anos. Era jovem. Por que estava se comportando daquela maneira? Era isso. Iria viver.
Deu um sorriso e passou a cantar a música junto com o som que saía de seu rádio:
Pretty girl is suffering while he confesses everything.
Linda garota, está sofrendo enquanto ele confessa tudo.
Pretty soon she'll figure out what his intentions were about.
Brevemente ela entenderá sobre quais eram suas intenções.
And that's what you get for falling again;
E isso é o que você tem por cair novamente.
You can never get him out of your head.
Você nunca pode tirá-lo de sua cabeça.
And that's what you get for falling again;
E isso é o que você tem por cair novamente.
You can never get him out of your head.
Você nunca pode tirá-lo de sua cabeça.
nunca correu tão rápido. Exceto por aquela vez que correra do Dobermann do seu vizinho. Era realmente um cachorro gigantesco.
Correu, o mais rápido que podia. Quando viu a rua de se aproximar, sorriu. Sorriu por que iria parar de correr.
It’s the way that he makes you feel.
É o modo, que ele te faz se sentir.
It’s the way that he kisses you.
É o modo, que ele te beija.
It’s the way that he makes you fall in love.
É o modo, que ele te faz se apaixonar.
A garota não evitou pensar em . Sorriu até.
Ele fazia bem a ela. Muito bem. Por que evitar pensar em alguém que lhe fazia bem? Ela gostava dele. Ela o amava.
Não importava se ele estava bravo com ela, ou se tinha perdido as esperanças em . Ela não era mais a mesma. Havia mudado. Naquele instante.
She’s beautiful as usual with bruises on her ego and
Ela está bonita como sempre com contusões em seu ego e
The killer instinct tells her to be aware of evil men.
Seu instinto de assassino lhe diz para se previnir de homens ruins.
And that's what you get for falling again;
E isso é o que você tem por cair novamente.
You can never get him out of your head.
Você nunca pode tirá-lo de sua cabeça.
And that's what you get for falling again;
E isso é o que você tem por cair novamente.
You can never get him out of your head.
Você nunca pode tirá-lo de sua cabeça.
subiu e parou na porta do apartamento de . Não, ele não estava tendo palpitações. Nem insegurança. Estava tudo perfeitamente correto.
Estava tudo absurdamente bem.
Ele hesitou, e bateu forte na porta dela.
It’s the way that he makes you feel.
É o modo, que ele te faz se sentir.
It’s the way that he kisses you.
É o modo, que ele te beija.
It’s the way that he makes you fall in love.
É o modo, que ele te faz se apaixonar.
Bam, bam, bam.
Fortes batidas na porta de . Ela levantou, ergueu o olhar e o parou na porta.
Bam, bam, bam.
Batidas novamente. Quem seria? Será que ela não poderia curtir seu momento de fossa/alegria sozinha?
– QUEM É? – berrou por causa do som alto. Não houve resposta.
Pretty girl is suffering while he confesses everything.
Linda garota, está sofrendo enquanto ele confessa tudo.
Pretty soon she'll figure out: you can never get him out of your head.
Brevemente ela entenderá, você nunca pode tirá-lo de sua cabeça.
– QUEM É? – ouviu a voz dela. Sorriu apenas por ouvi-la. Era isso que ela fazia com ele.
Era exatamente isso que ela fazia com ele. Não respondeu. Estava tocando uma música alta lá dentro. Uma banda que ele conhecia e até gostava. Mas aquela música não era sua favorita.
Bateu novamente. E desta vez, ela abriu a porta.
It’s the way that he makes you cry.
É o modo, que ele te faz chorar.
It’s the way that he's in your mind.
É o modo, que ele está em sua mente.
It’s the way that he makes you fall in love.
É o modo , que ele te faz se apaixonar.
It’s the way that he makes you feel.
É o modo, que ele te faz se sentir.
It’s the way that he kisses you.
É o modo, que ele te beija.
It’s the way that he makes you fall in love.
É o modo, que ele te faz se apaixonar.
– ? – perguntou surpresa ao ver parado na sua porta. – O que v...
Ela ia dizer, mas logo, o rapaz entrou sem ao menos falar algo. virou-se para ele confusa, mas falou antes.
– Me escute. –falou apenas. – Quero que você esqueça.
– Mas ein? –ela perguntou sem entender.
– Quero que você esqueça tudo o que eu lhe disse pelo telefone naquele dia. – falou finalmente. apertou os olhos e abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompida novamente. – Não existe Allison, ... Não existe!
Ele se aproximou dela e segurou seu rosto com as duas mãos, como se fosse algo extremamente delicado e pudesse quebrar a qualquer momento. não conseguia tirar os olhos dele. Não conseguia acreditar naquilo.
– Não existe Allison. – beijou seus lábios delicadamente. – Só existe você.
Ele fechou os olhos e passou os braços pela cintura dela, trazendo-a mais pra perto. fechou os olhos quando começou a beijar seu pescoço.
– Só existe você. Como eu não pude ver isso? –ele perguntava a si mesmo, quando sentiu as mãos de se entrelaçarem entre seus cabelos.
– Me desculpe. – ela falava, quase num sussurro. – Me desculpe.
voltou beijar os lábios da garota delicadamente, enquanto dizia:
– Não importa... Deixe-me te abraçar de novo... Deixe-me sentir você novamente, me deixe saber que você está comigo outra vez.
o envolveu em um forte abraço e sentiu tudo, ao mesmo tempo. Saudade, tristeza, alegria, amor...
– Você não sabe... O quanto eu pedi para que isso acontecesse. –ela confessou olhando . Ele sorriu suavemente e piscou algumas vezes, passando as mãos pelos cabelos de .
– Não devia ter telefonado pra você naquele dia. –ele disse. – Deveria ter ficado aqui... Deveria.
Ela sorriu e falou:
– Agora você está aqui novamente. – ela falou. – Parece que estou vivendo um dos meus sonhos.
riu e a beijou novamente.
– Eu amo você... –disse simplesmente.
– Eu amo você. – falou da mesma maneira, se aproximando de devagar e fechando os olhos, até sentir seus lábios encostarem. Ele abriu a boca e ela deixou que suas línguas se encontrassem.
Não era preciso viver de trabalho. Quantos anos eu perdi? Pensou .
Não era preciso se matar dentro de uma redação como a dela para ser feliz.
Se tivesse consigo, estava tudo certo.
Fim.
N/A: É mais uma fic clichê pra minha coleção. E eu ainda não sei como eu tive coragem de enviar essa porcaria pra cá. Não sei né... Vai ver as pessoas gostam. Eu sempre tenho um pé atrás. *desconfiada*
Ok. Certo. Sejam bonzinhos, leiam as outras :D
Juro que não são tão ruins quanto essa. HAUSUASASUHS
Agradecendo ao Sugarcult, Arctic Monkeys e à tarde em que eu dei uma de vagabundssss!
E quanto à música, se chama Pretty Girl @ Sugarcult. Achei que combinava com o momento, com a fic, não sei. Minha cabeça é algo indecifrável.
Chega. Já leram porcarias demais na fic. HUASHSUASAHSHAS. Thks se leu ok?!
Line xxxxxxxxxxxxxxx
Fics da mesma autora até a presente data {06-06-07}
O Natal Através dos Dias
Rot
Segredos e Diferenças
Lembranças de um verão bem estranho
Time of Your Life
Crashed the Wedding
She is... {junto com Mary <3}
Oh, Matemática
Por um Lugar ao Sol
O Diário de Anne Boleyn
-> The Blame Dance