ATENÇÃO: Esta estória não tem fins lucrativos.



CAPÍTULO I

Casamento é sinal de dor de cabeça pra muita gente. Eu posso falar, tenho bastante experiência quando o lance é casamento.
Quando eu fiquei sujeito a casar pela primeira vez tinha apenas vinte anos, era jovem, irresponsável e inconseqüente. Eu adorava viver. Tinha uma namorada muito linda e gostosa. Nossa, a gente transava muito! O que alguém com uma vida dessas poderia querer? Bem, eu não queria mais nada, além de muita adrenalina no meu sangue.
Meu pai, Hector De Maria, era um daqueles empresários poderosos cuja fonte primária de dinheiro ninguém conhece. Apesar de seu nome lhe entregar, meu pai não era espanhol. Ele era filho de espanhol. Meu avô, Benito De Maria, chegara aos Estados Unidos quando tinha vinte e cinco anos. Casou-se com minha avó – americana, diga-se de passagem – e recebeu o direito de viver aqui.
Cá nasceu meu pai, cujo nome foi dado em homenagem a meu bisavô, Hector De Maria. Graças à minha mãe eu não tenho um nome espanhol ridículo. Meu pai queria seguir o exemplo deixado por meu avô e colocar em mim o nome de seu pai, mas fala sério... Benito? Não me imagino com esse nome e não me imaginava com ele aos vinte anos em plenos anos 80.
Então, meu pai queria deixar seu império de empresas para seu único filho. E eu aceitei, claro. Onde um cara como eu iria recusar tanta grana aos vinte anos? Mas o problema de assumir o lugar do meu pai nas empresas De Maria, era que eu não queria ser alguém responsável, ter horários e agenda lotada. Eu queria continuar com minha vida vagabunda de sempre, bebendo e ouvindo Misfits e Kiss com os amigos enquanto viajava pela Rota 66 em dia de semana (Certo dia fomos ao Arizona, fim de história. Pensavam que tínhamos sido seqüestrados, foi hilário).
Mas meu pai tinha planos pra mim, e planos que eu não queria realizar. Ele queria expandir seu império, queria controlar ainda mais – ele era muito ambicioso.
Havia uma família tão poderosa quanto meu pai, os Blackmount. Seu patriarca, Harry Blackmount, estava morrendo. O velho tinha quase noventa anos, já estava na hora. E, além disso, ele era cheio de doenças e problemas.
Se o Harry estava morrendo, alguém da família teria que assumir seu lugar, mas o velho não tinha filho homem, e sua única filha, Lisa, era a maior mimada. Ela não queria ter que trabalhar, então, a fortuna Blackmount estava temporariamente sem dono.
Sacaram a jogada do meu pai? Diabólica.
Não? Ainda não sacaram? Pois bem, vou ser direto.
Meu pai queria que eu casasse com Lisa Blackmount e assumisse o poder das empresas dela. Simples assim.
Casar? Eu?, foi o que pensei na época. NEM MORTO!
Eu tinha minha namorada gostosa, a Hayley, e eu não queria casar. Principalmente com uma filhinha de papai. Tá, eu também vivia do dinheiro do meu pai, mas eu não era mimado e chato e não usava suéteres ridículos presos por dentro da calça de linho bege. E nem jogava golfe. Não iria casar com uma guria que só veste rosa e anda pelo Central Park com sua cadelinha de pêlo rosa.
Depois da discussão monstra que eu tive com meu pai por causa dessa idéia maluca – ele me chamou de irresponsável e imprestável, inútil e débil –, resolvi levar o problema para meus amigos. O pessoal sempre tinha umas idéias maneiras pra resolver problemas cabeludos e insolúveis.


CAPÍTULO II

— Não sei cara, foge! — essa era Kate. Kate era dois anos mais nova e a idade a deixava na pior quando saía com a gente. Nossa turma sempre ia a bares esquisitos e mal freqüentados e a boates de streap tease, além de consumir bebidas e toxinas legais e ilegais. Perdi a conta das vezes em que a Kate ficara de castigo por ter fugido durante a noite. Ela tinha acabado de completar dezoito anos, mas tinha uma daquelas mães controladoras e psicóticas, o que dificultava ainda mais. Ela era uma grande amiga.
— Você esqueceu quanto dinheiro meu pai tem? Ele pode mandar fazer um rastreador hiper potente, sei lá, ele me encontra! — falei desesperado. Não havia solução aparente, eu estava ferrado. Quando meu pai queria uma coisa, ele conseguia por mais difícil que fosse, e eu não era um problema que pudesse atrapalhar os planos dele.
— Eu queria casar com uma gostosa rica — falou Kei, dando uma longa tragada em seu cigarro. Kei tinha a minha idade e era o japonês mais drogado que eu já conheci. Ele não era bem japonês, seus avós eram, seus pais eram ambos descendentes e então, ele também era. — Você está sendo dramático.
Bufei sem acreditar no que estava ouvindo. Eu não precisava de mais dinheiro! Eu não precisava mudar minha vida, eu não queria.
Eu estou sendo dramático? Tá certo, você quer casar aos vinte anos com uma garota que você nem conhece? — perguntei. Kei parecia estar em outra viagem.
— Se ela for gostosa, eu caso — ele respondeu calmamente. — E rica! Você está na vantagem, cara.
— Não é vantagem. É problema! — disse Julian. Esse era um amigo de anos. Eu o conheci prézinho. Juro! No prézinho. — Se você não fizer nada, seu pai vai conseguir casar você com a garota Blackmount e daí, adeus vida boa!
O Julian estava certo. Eu IA casar com a Lisa se não agisse rápido.
— Precisamos de um plano — falei depressa.
— Plano? Certo, o objetivo é fazer você não casar com A Garota de Rosa Choque. — Kate falou articulando. — Vamos fazê-la não querer casar com você!
— Ué, mas isso eu tenho certeza de que vai acontecer — a displicência em minha voz dava um ar de calmaria, mas eu estava DESESPERADO.
— Então por que está tão preocupado? A garota não vai casar, você não precisa fazer nada! — Julian exclamou. Ouvimos uma risada pacata.
— Até parece que o Sr. Hector não tem quatro cartas na manga pra resolver esse problema — disse Kei. Uma noção exata de como era meu pai: até meus amigos o conheciam perfeitamente.
— Ele tem razão. Então, vamos ameaçá-la! — Kate disse empolgada. Lá estava o japonês revirando os olhos e a contrariando.
— O cara é mais esperto do que isso, ele deve ter um plano muito mais diabólico do que qualquer coisa que a gente pense. Eu acho que o Ryan devia se matar.
Todos arregalamos os olhos e encaramos o Kei, perplexos.
— Keizume! — Kate exclamou, o chamando pelo nome. A Kate era a única que conseguia chamar o Kei pelo nome e continuar ilesa. Nós achávamos que ele tinha uma queda por ela.
— Não, eu não to falando pra ele se matar se matar! Ele deveria fingir se matar, entende? — ele tentou explicar. Eu, Kate e Julian nos entreolhamos, confusos. Kei apagou o cigarro no chão e bagunçou o cabelo, coçando os olhos. — Ele vai fingir quer se matou por que o pai dele é muito rígido e blá blá blá, mas na verdade, ele vai fugir pro México ou Canadá ou qualquer país!
Finalmente entendemos. Mas era louco demais. Eu não ia me esconder do meu pai e assumir outra identidade. Eu gostava de ser quem eu era, por isso eu não queria casar com a Blackmount, nem por todo o dinheiro que ela tinha.
— Impossível — falei.
— Por que não? É uma idéia muito boa! — Julian falou, dando uma tapa no ombro do japonês.
— Também acho. — Kate falou empolgada. Balancei a cabeça negativamente.
— Não vou fazer isso — recebi olhares desapontados. — Qual é, pessoal!? Eu não vou fazer isso, é ridículo! Até parece que eu sou uma bichinha que se mata por causa da incompreensão do pai, qual é, até parece que vocês não me conhecem!
Dei um gole gigante da cerveja que estava jogada por ali (estávamos na varanda da casa de Kei) e encarei meus amigos, tentando forçá-los a encontrar a solução.
— Então não temos no que pensar, não temos soluções, não temos opções. Você casa com a cocota e pronto. — Julian falou aborrecido. — Cara, olha só quem é nosso oponente! É o seu pai! Ele é um gênio do crime, não tem como combater!
Ele tinha razão. Por mais geniais que nós fôssemos em criar situações e resolvê-las sem maiores complicações, meu pai era simplesmente superior. Eu não podia fugir, eu não podia ameaçar a garota sem correr o risco de ser preso ou morto pelos seguranças que ela com certeza tinha, eu não podia pagar para a menina me dispensar e nem podia me fingir de morto (humilhante).
Eu estava ferrado.
— Há uma solução — disse uma voz suave que se manteve quieta até então. Todos viramos para encarar Hayley. Minha namorada esteve calada desde que eu anunciara a decisão de meu pai. Hayley sempre fora bastante ciumenta. Na verdade, foi a namorada mais ciumenta que eu já tive, então, ela não podia nem pensar em me ver casando com outra.
— Que solução? — Kei perguntou. Hayley mordiscou os lábios carnudos e inclinou-se, desencostando da parede e apoiando seu corpo nas minhas costas.
— Vamos matar a noivinha — ela falou simplesmente.


CAPÍTULO III

Se eu conhecia bem Hayley, ela estava falando sério sobre matar a Lisa. Com todo o lance do ciúme e tal. Hayley também era muito possessiva. Ninguém ia me roubar dela, principalmente a Cocotinha de Rosa Choque.
— Do que você tá falando? — Kate perguntou cuidadosamente. Hayley sorriu malévola. Ela era diabólica.
— Matar a tal Não-sei-quem Blackmount. — repetiu. — Se ela morrer ninguém casa.
— Pois é, se o Ryan morrer também não tem casamento — Kei falou tentando fazer Hayley perceber a idéia absurda que ela tivera.
— É, mas não é o Ryan que vai morrer. É a noiva. — insistiu minha namorada.
Pensando da forma certa, o plano parecia bom. Nós matávamos a Lisa e o casamento acabava. Fim. Não tinha como meu pai me usar no plano dele (na verdade até tinha, mas eu preferia pensar que ele não ousaria)!
— É uma excelente idéia — falei olhando fixamente pro chão. — Meu pai pode continuar arquitetando aí as ambições dele, se me deixar de fora! E eu saio da jogada se a Lisa também sair!
— Mas a gente pode arrumar um namorado pra ela se o objetivo é fazê-la sair da jogada, a gente não precisa matar a garota! — Julian disse.
— É, a gente pensa em outra coisa! — Kate apressou-se.
— Não... — Kei disse repentinamente. Ele olhava fixamente para o chão, como se pensasse em algo — Não, não podemos. Essa é realmente a única solução que não pode ser argumentada pelo pai do Ryan, por mais absurda que possa parecer. É óbvio que ele vai conseguir essa fortuna, mas temos que garantir que o Ryan esteja fora dos planos!
Eu sempre achei engraçado o fato de o Kei estar super chapado e conseguir fazer um comentário super sóbrio. Era bizarro. Eu achava irado, quando tinha vinte anos.
— V-você acha? — Kate perguntou.
— Tenho certeza — ele virou-se pra mim. — Ryan, se você optar por isso, eu te apoio.
Kei era sinistro. Assim como Hayley, que agora estava mais sorridente do que estivera durante toda a nossa conversa.
— Acho que a erva detonou o último neurônio do Kei neste exato momento — Julian falou arrancando risadas de todos.
— Não, ele está perfeitamente bem e pensando racionalmente, como nenhum de vocês está fazendo. — Hayley disse. — Pensem como ele! O que vai acontecer se não tomarmos medidas drásticas? O Ryan casa com a cocota e vira o cara mais chato do mundo, vestindo paletó e andando com maletinhas por aí em carros importados. Ninguém quer que isso aconteça.
Eu não me imaginava daquele jeito. Era um absurdo deixar que os planos do meu pai se concretizassem, eu tinha apenas vinte anos, eu queria curtir a minha vida, eu queria manter essa vida por tempo indeterminado.
— Se fizermos isso, seremos assassinos — Kate falou. — Você acha que a família podre de rica dela vai deixar o assassinato pra lá? Eles vão investigar, eles vão nos descobrir e seremos presos!
— Lembra quando roubamos a prova de cálculo e colocamos a culpa no Brian O’Donnel? — Hayley perguntou trazendo uma memória interessante...
Éramos quarto ano, o último, veteranos e preguiçosos. Tinha essa prova de cálculo que seria monstruosamente trabalhosa e ninguém queria trabalhar, portanto, roubamos o documento e arquitetamos uma jogada genial, onde a culpa caía por cima do idiota número um do colégio, aquele cabeça-oca do time de futebol, o Brian O’Donnel. Tenho ataques de riso até hoje quando lembro da surra que o pai dele lhe deu na frente de todos.
— Você não pode comparar o roubo de uma prova com um crime! — Kate exclamou, olhando para Hayley como se ela estivesse maluca. Eu olharia da mesma forma, se não estivesse adorando aquela idéia de acabar com a Lisa. Seria um favor para o mundo detoná-la.
Eu não fazia a mínima idéia se Lisa era mesmo uma cocota como imaginávamos, mas preferia pensar que era. Eu quero dizer, não havia nada que pudesse fazer os planos de meu pai parecerem interessantes.
— Vamos pensar em algo, não se apresse — Kate ainda tentava não concordar com Hayley, mas a verdade era que não existia solução melhor e que agradasse mais.
Iríamos assassinar alguém. Eu não estava bem preocupado na descoberta de nossa atrocidade, eu queria experimentar essa nova sensação, esse novo jeito de introduzir a adrenalina no meu sangue. A expectativa, a excitação.
— Ah é? Então pense. Neste exato momento, Hector De Maria está em seu escritório fazendo a mesma coisa, pensando, e com certeza está obtendo sucesso. Será que podemos nos dar ao luxo de pensar? — minha namorada era bem dramática também. — É a vida do Ryan em jogo! Qual é, somos amigos ou não?
Todos ficamos calados por um instante, nos entreolhando. Kei parecia, como sempre, em outro mundo.
Eu posso imaginar, agora, como fora difícil para Julian e Kate concordar com a idéia de ser um assassino. Tirar a vida de alguém com tamanha frieza, tal era a que transparecia na voz de Hayley. Ela só estava aborrecida por que eu seria o noivo. Se fosse diferente, eu duvidava que ela concordaria tão facilmente. Poderia apostar que na hora de dar a primeira facada, ela seria a candidata mais empolgada.
— E então? — ela tornou a perguntar. Houve mais um momento de silêncio e então, um suspiro.
— Somos amigos, não somos? — essa era Kate cedendo. Sorri como um babaca.
— Somos! Ah, Kat, diga por favor que você vai estar conosco!
Ela sorriu de leve e concordou com a cabeça.
— Eu vou. — ela disse. soltei uma exclamação vitoriosa e abracei minha amiga.
— Obrigado.
— Julian? — Hayley olhou para o outro, que ainda parecia resistir. Mas por apenas um segundo. O mesmo sorriso apareceu no rosto dele.
— Se somos amigos...
Vibrei mais uma vez.
— Muito bem. — Hayley falou. — Vai ser divertido, vocês vão ver.
Acho que parte das decisões que foram tomadas naquele dia, na varanda da Kate, foram feitas pelas drogas que já tínhamos ingerido. E não eram poucas.
Tire suas próprias conclusões: ela estava dizendo que seria divertido assassinar alguém.
Pois é, eu não achei engraçado quando a coisa começou a ficar séria. Acho que você achará muito mais divertido do que nós, na época.


CAPÍTULO IV

Meu pai havia me dito àquela tarde que eu iria conhecer a defunta, digo, a Lisa. Eu não estava empolgado. Seria melhor para todos se ela morresse antes que eu a conhecesse, e meu pai havia programado o encontro para o sábado, um almoço em um restaurante magnífico em Little Italy. Eu não sabia que existiam restaurantes magníficos em Little Italy.
Hayley ficou tão entusiasmada que tivéssemos algum tempo para tentar assassiná-la antes do encontro que eu fiquei assustado. Nem eu, nem Kei, nem Julian e muito menos Kate havíamos ficado tão felizes. Sabíamos que não daria tempo de arquitetar algo que pudesse driblar meu pai e a polícia em tão pouco tempo. Na verdade, eu estava duvidando muito dessa parte de driblar a polícia.
— Claro que vai dar tempo! Você está sendo pessimista! — ela me disse enquanto estávamos passeando pelo shopping (Hayley fazia mais compras do que a minha mãe, e isso significa que ela comprava mais do que NY inteira).
— Não estou sendo pessimista! Eu só tenho certeza de que não dará tempo. Você pode deixar sua ansiedade pra depois, Hayley? — perguntei enquanto parávamos em uma vitrine.
— Não. Quero detonar a vadia de uma vez. — ela respondeu. Bufei, revirando os olhos.
— O certo seria “quero detonar seu pai de uma vez”. A Lisa não tem culpa ué. — ao dizer isso, senti uma onda de remorso.
Se ela não tinha culpa, por que eu estava planejando assassiná-la?
— Mas é ela q uem vai casar com você e não o seu pai, portanto, é ela quem eu quero detonar — continuou minha namorada perversa. — Que bota linda, vamos entrar aqui!

Passei a noite em claro com meus pensamentos, decidindo se matar a Lisa seria mesmo a melhor coisa a ser feita. Não que eu estivesse com compaixão, mas er air longe demais matar alguém sem um bom motivo. E eu ainda nem conhecia a garota! Talvez ela nem fosse assim tão mimada quanto eu pensava que seria, talvez ela fosse uma boa pessoa, alguém assim... Simpático.
Quando o dia raiou, eu decidi finalmente cochilar, mas alguém adentrou minha fortaleza.
— Quero ver quando você vai deixar as faxineiras entrarem nesse quarto — era a voz de minha mãe entrando, resmungando como sempre. Abri os olhos relutantemente e a enxerguei.
— O que foi? — perguntei grosseiro. Ela não ousou sentar na minha cama, o que era bom. Era mais saudável que ela ficasse em pé, de qualquer jeito.
— Seu pai antecipou o encontro com os Blackmount, você precisa se vestir, já é quase uma da tarde. Você vai com o Derek até Little Italy encontrar seu pai e Harry Blackmount.
To ferrado, foi meu único pensamento. Meu pai era mais astuto do que eu pensava. Ainda mais. Eu nem queria saber como ele havia convencido o velho Harry a levar sua querida filha a um encontro arranjado. Não levantei.
— Eu não vou a esse encontro — resmunguei. — Eu não quero casar com ninguém.
— Você sabe que não é assim que vai resolver as coisas — eu apenas ouvia sua voz, já que havia enfiado minha cara no travesseiro (talvez eu sufocasse, seria uma boa saída). — Seu pai está muito envolvido com essa idéia e acho difícil ele deixar você fazer o que quiser.
— Mas ele não pode me casar com alguém que eu não quero! E nem pode me casar sem eu realmente querer casar, isso vai contra os princípios da vida, onde está meu livre arbítrio? — protestei.
— Ryan, querido... — eu sabia que minha mãe também não concordava com a idéia absurda do meu pai, mas que preferia não expressar sua opinião, já que sua coleção Jimmy Choo dependia das empresas De Maria. — Seu pai faz o que acha ser melhor para nós.
Opa. Ela estava muito errada.
Levantei da cama num pulo, afastando os lençóis de meu corpo.
— Não! Ele faz as coisas pensando apenas nele! Ele quer tudo o que Harry Blackmount construiu porque ele não se contenta com o que ele construiu!
Quando eu tinha dez anos, eu achava meu pai o máximo. Trabalhador, ele conseguia tudo o que ele queria com esforço. Ele trabalhou demais pra nos pôr naquele condomínio de luxo, ele trabalhou a vida toda pra me dar aquela Mercedes C3 no meu aniversário de dezoito anos (que eu queimei, por sinal). Ele trabalhou muito pra aumentar o closet da mamãe, por que não cabiam os casacos de pele dela.
Era isso o que eu pensava aos dez anos. E eu estava certo, em parte. Meu pai trabalhou bastante por sua fortuna, mas isso não significa que ele não passou a perna em ninguém. Como Daniel Lake, o contador das empresas De Maria. Meu pai armou a maior falcatrua pra todos os acionistas pensarem que o Daniel tinha desviado um dinheirão da empresa, mas o coitado do Lake não havia desviado dinheiro nenhum. Alguém adivinha quem desviou o verbão?
Pois é, o meu herói.
Quando eu descobri que meu pai não era nada do que eu pensava ser (eu tinha treze anos e foi a maior decepção da minha vida), destruí todos os presentes que havia ganhado dele, toquei fogo em todos os desenhos que eu fiz quando era criança e comecei a fumar. É isso aí, culpem meu pai por eu ter me desviado do caminho de Deus na juventude.
— Ele nunca foi honesto. Sempre mentindo e enganando as pessoas. Aposto que se eu casar com a Lisa, ele vai mandar me matar e falsificar um testamento dizendo que eu deixo tudo o que a Lisa herdou do pai pra ele! — bradei. — Não quero fazer parte dos planos dele.
Minha mãe estava bem ciente do que eu estava falando. Ela sabia que era verdade.
— Você pode pelo menos conhecer a garota? Faça isso, querido. Por favor. — ela implorou. Fechei os olhos com força e passei os dedos pela testa. — Ryan...
— Tudo bem. — cedi. Eu ia ter que conhecer a cocota de qualquer jeito, não ia? — Mas não vá pensando que vai ser do jeito que ele pensa que será. Vou tornar isso o mais difícil que eu puder.


CAPÍTULO V

Entrei no banho e quando saí, minha mãe havia deixado uma roupa separada. Pensei que ela pudesse ter comprado. Eu não tinha muitas roupas sociais no meu armário aos vinte anos, se querem saber. Era uma camisa azul clara, uma calça preta e um paletó preto. Sorri malandramente, tendo idéias do que fazer com aquela roupa. Eu não iria todo engomadinho, parecendo o bom moço e o filho exemplar, pronto para acatar as ordens do pai. Niente.
Vesti uma calça jeans e aquela camisa azul (só pra não desapontar minha mãe), mas não a pus por dentro da calça. Deixei bem despojado e não abotoei até o pescoço. Mas o estrago maior foi no paletó: peguei um pote de tinta para tecido branca e comecei a rabiscar por todos os lados. Escrevi um monte de frases de protesto e coisas como “A presidência é uma farsa” ou “Empresários no poder? Fracasso para a humanidade” e coisas mais sem nexo do que essas. Pus uns bottons e algumas fanarts pra ficar ainda mais avacalhado. Pra finalizar, pus meu all star mais velho e fedorento de todos e deixei meu cabelo bem bagunçado.
É isso aí, um exemplo de filho.
Quando minha mãe entrou no quarto, ela soltou um gritinho horrorizado. Não pude esconder a risada. Ela veio até mim, mais aterrorizada do que a mãe da Regan em O Exorcista.
— O QUE VOCÊ FEZ? — berrou ela. — O QUE HOUVE COM A ROUPA QUE EU TROUXE? E QUE CALÇAS SÃO ESSAS, ESSE SAPATO HORROROSO! E ESSE CABELO!
Eu não conseguia parar de rir. Era hilário demais vê-la desesperada desse jeito, toda preocupada. Acho que os cabelos dela (aqueles cabelos que parecem o da Hilary Clinton atualmente) estufaram com o susto, davam uma aparência mais engraçada ainda. Facilitou para que eu continuasse com as risadas e ela ficasse ainda mais irada.
— RYAN DE MARIA, EXPLIQUE-SE!
Foi difícil parar de rir.
— Qual é mãe, não gostou do estilo? — perguntei girando, para que ela pudesse ver melhor o que eu havia feito com a roupa. Minha mãe começou a hiperventilar.
— Meu Deus... Meu Deus... — ela sentou na minha cama – lê-se desabou. — Meu Deus...! O que seu pai vai fazer quando te ver assim, meu filho?
Sorri ao pensar em meu pai tendo um infarto na frente do velho Blackmount.
— Eu disse que iria dificultar — falei, pegando meu maço de cigarros na cabeceira e saindo do quarto, mas antes que eu pudesse descer, voltei. — Ah mãe, você veio dizer alguma coisa?
Ela ainda estava estática na minha cama.
— Derek está lhe esperando no carro — disse apenas. Eu ri e desci.
As faxineiras que espanavam todos os cantos do hall de entrada soltaram umas mil exclamações quando me viram. Deveriam saber que eu estava indo para o encontro com a garota Blackmount.
— Tenham um bom dia, meninas — falei e abri a porta, saindo da casa e atravessando todo o jardim até onde Derek, o motorista do meu pai, me esperava. Ele estava tão espantado quanto todos.
— Ryan... — ele disse. Derek devia ter uns vinte e três anos, eu conversava com ele às vezes, era um cara bacana.
— To bacana, diz aí — eu falei alegre e entrei no carro. Derek entrou depois de mim.
— Seu pai vai ter um ataque — ele riu baixinho. Aposto que no fundo, Derek estava achando tudo muito divertido.
— Eu sei. Se ele pensa que pode controlar a minha vida... Vou mostrá-lo o quão enganado ele está. — falei e Derek deu a partida.

Chegamos até Little Italy e logo ao restaurante. Era bem bonito e tal, tinha uma hostess bem gostosa, lembro dela até hoje.
— Seu nome, senhor — ela falou olhando-me de cima a baixo. Notei que ela havia dito ‘senhor’ com certo desdém. Mas que abusada! Nunca me importei com o modo que as pessoas pensavam de mim, mas aquela hostess havia me desfavorecido por causa dos meus trajes!
— Ryan De Maria — falei com a boca cheia. Não que eu gostasse do meu nome, eu na verdade tinha certo nojo dele. Ela arqueou as sobrancelhas e abriu a boca, apavorada.
— Oh, p-por favor senhor, alguém vai acompanhá-lo até s-sua mesa! — ela se apressou. Dei uma risada baixa e concordei com a cabeça. Patética, pensei.
Uma outra hostess veio e me levou até a mesa onde um velho de cabeça totalmente branca, um homem elegante com pose de atraente e uma garota estavam sentados. Estreitei os olhos, me preparando para o espetáculo.
O primeiro a me ver foi o velho Blackmount. Senti pena dele, coitado, já estava morrendo, e quando me viu então! Surpreendi-me que não tivesse morrido.
— Mas o que... — ele disse. Imediatamente, meu pai – que estava de costas – virou-se, soltando uma exclamação.
— Oi papai — falei sarcástico. — Feliz em me ver?
Hector De Maria ficou paralisado. Estático, como a minha mãe. Sério, a boca dele ficou escancarada por alguns segundos.
— Ryan? — perguntou ele. — Pensei que sua mãe tivesse deixado uma roupa pra você.
Eu segurei o paletó e o abri, mostrando a camisa azul, que também continha bottons.
— E deixou. Não reconhece a roupa? — perguntei desafiadoramente. Meu pai tossiu um pouco e eu apertei a boca, escondendo um sorriso. — Bem, vou sentar aqui, certo? Acho que estavam me esperando.
Sentei-me ao lado da garota, cuja nem olhado ainda eu tinha. Ela estava muda.
— O senhor deve ser Harry Blackmount — falei respeitosamente. O velho me olhou com repulsa nos olhos. Espremi o sorriso novamente. — Não se preocupe, o prazer é todo seu.
— Ryan... — meu pai ofegou. Eu o olhei, ainda detendo meu sorriso. Eu queria explodir em risadas, não agüentava mais. — Ryan...
— Pai, você está bem? — perguntei, a gargalhada quase escapando. Meu pai estava respirando rápido demais, parecia passar mal.
— Preciso... Quero falar com você por um minuto. Siga-me. — ele levantou, pondo o guardanapo na cadeira com ferocidade. Soltei um gemido (resultado da risada sendo abafada) e levantei da cadeira, seguindo meu velho. Ah... Eu estava muito satisfeito! Que situação maravilhosa era deixar meu pai em maus lençóis. Eu me sentia perfeitamente bem.
— O que você está pensando? — perguntou. — Você quer estragar tudo?
Eu não respondi nada. A única coisa que fiz foi rir. E muito alto. Meu pai me olhou furioso – ele queria me esmagar. Eu continuei rindo.
— Pare de rir! — ordenou ele, mas não obedeci e enxuguei algumas das lágrimas que caíam.
— Você viu a cara do velho? — e ri mais. — Parecia que ele ia morrer ali mesmo! Hahahahahahahahahahaha!
— PARE DE RIR! — meu pai gritou. — Você vai estragar tudo, seu imbecil!
Fui parando aos poucos, enxugando as lágrimas.
— Se você continuar agindo como um idiota, a garota não vai querer casar com você e aí, adeus tudo em que trabalhei! — ele falou em voz baixa. Fiquei sério de repente, para que ele percebesse que eu também não estava de brincadeira.
— Alguém lhe disse que eu concordei com isso? Porque se disseram... Caramba, enganaram você papai. — falei o encarando. Meu pai se aproximou, com as mãos nos bolsos.
— Você não tem que concordar com nada. — falou friamente. — Você só vai voltar, pedir desculpas e conhecer a Lisa. Não será um sacrifício, é uma garota adorável, você vai amá-la. — ele disse. Estreitei meus olhos e puxei o maço de cigarros do meu bolso. Peguei o isqueiro e acendi um. — O que você está fazendo? Apague isso! Você vai voltar pra lá agora!
Soltei toda a fumaça na cara do meu pai.
— Não — falei. — Não vou voltar. Não vou conhecer a Lisa — falei dando ênfase ao nome dela. — e nem vou fazer parte das suas armações!
Ele puxou meu cigarro com força e jogou no chão, pisando.
— É claro que vai — e me olhou daquele jeito controlador, que todo mundo teme. Segurou com força o meu braço e me empurrou de volta para o restaurante. Sacudi-me pra me soltar dele e caminhei com raiva até a mesa. Sentei e esperei por ele, como sempre, sorridente.
— Desculpem, tive que conversar com ele a sós — disse meu pai. Dei um sorriso falso para o velho e encarei o prato. — Harry... Ryan está apenas um pouco revoltado. Aquilo que lhe contei.
Ergui os olhos apavorado. “Aquilo que lhe contei”? Meu pai andava falando mal de mim pros velhos ricos? Mas que merda é essa, eu pensei.
— Não se preocupe, minha Lisa já teve períodos como esse também — ele deu uma risada rouca. — A propósito... Ryan me perdoe por não ter lhe cumprimentado. Admito que seu visual me... Chocou.
Olhei para o velho e ele parecia estar realmente satisfeito comigo. Não entendi, quero dizer, ele parecia prestes a bater as botas quando me viu.
— Tudo bem, Senhor Blackmount — falei desconfiado. Ele sorriu.
— Acredito que queira conhecer Lisa — ele apontou para o ser que estava sentado ao meu lado. Sorri forçadamente, me preparando para ver um chumaço de cabelos loiros em cima de um monte de roupa rosa, mas o que vi foi bem diferente.
Escancarei minha boca ao ver que a garota não era bem a Garota de Rosa Choque.
Puxa vida! Como eu e meus amigos estivemos enganados sobre Lisa Blackmount. Ela não era nada do que pensávamos que seria.


CAPÍTULO VI

Naquele momento eu entendi por que fora tão fácil convencer o velho Blackmount a levar a querida filha àquele encontro (também descobri mais tarde que meu pai já era um parceiro dele de pôquer aí da vida). Tive certeza de que Harry queria se livrar da menina. Caraca, ela parecia ser um problema! Um problema maior do que eu se querem saber.
Lisa Blackmount era uma garota que aparentava ser um pouco mais nova do que eu, a maquiagem que ela usava... Caraca, caraca, bizonha! Ela parecia a noiva de Chuck, com toda aquela sombra e batom preto! Na blusa dela tinha escrito “Eu estuprei minha mãe e a afoguei na privada”. Ela usava um colar bem grande com uma cruz invertida e tinha o cabelo bem cumprido, preto. Combinava com a cor dela. Acho que ela era mais branca do que os guardanapos do restaurante.
Fiquei com medo que ela pudesse pular em mim e me atacar.
— Ah... O-oi Lisa — gaguejei. Eu quero dizer, você gaguejaria se estivesse de frente para a Regan possuída!
— Entende por que eu disse que você combinaria com ela, uhn? — meu pai deu um risinho nervoso. Ele não me disse porcaria nenhuma! Tenho certeza de que ele percebeu que eu estava apavorado com o ser ao meu lado.
— É, entendo — falei, estreitando meus olhos. — Bom te c-conhecer, Lisa. — falei tremendo. Eu estava esperando que ela cuspisse na minha cara.
— Gostei do blazer — disse A Boneca Assassina. Ela sorriu pra mim, na maior expectativa.
NÃÃÃÃÃÃO, gritei em meus pensamentos. ESSA COISA NÃO PODE TER GOSTADO DE MIM!
— Gostei... — procurei algo que ela usava que eu pudesse gostar, mas nem morto eu diria que tinha gostado daquela cruz invertida medonha. Não que eu acreditassem em Deus, mas também não queria a simpatia de algo demoníaco. E aquela blusa pervertida... Eu estava literalmente ferrado com aquela Lisa. — Do seu cabelo.
Ela deu um sorrisão e me olhou mais de perto. Cruzes.
— Seus olhos são claros. Eu gosto de olhos claros. — ela disse.
— É, são como os da minha mãe — falei amedrontado. Era melhor que eu respondesse a tudo direito, achei que dessa maneira ela me deixaria livre de qualquer ritual satânico, sei lá.
— Harry, o que você acha de deixarmos os garotos a sós? Que tal irmos ao bar tomar uma dose do nosso querido amigo Johnny? — meu pai levantou e o velho levantou junto. — Já lhe contei a piada do funcionário público?
E eles se afastaram. Oh não, pensei. Estou sozinho com a Regan!
— Então... Você não curte o sistema — ela falou, parecendo muito satisfeita. Eu não gostei daquilo. Tratei de me afastar um pouco sem que ela percebesse.
— É...
— Isso é bom. Sabe, pensei que você seria o maior chato, como os dois velhotes aqui. Mas você é bem bacana, gostei do cabelo. Você escuta Misfits? — ela apontou para o broche no paletó.
— É, escuto — respondi apenas. Eu estava curioso com uma coisa. — Qual a sua idade?
— Dezenove. Você?
— Vinte.
— Hm... Legal. — ela passou os olhos por mim e eu senti um calafrio horrível. Caraca...
— Você me dá licença? — levantei da cadeira antes de ela responder. Corri até o orelhão mais próximo e pus umas fichas, torcendo para que ele estivesse em casa.
Chamou algumas vezes e eu ouvi a voz do Julian.
— Alô.
— JULIAN! CARA, TÔ FERRADO! — berrei.
— Eita, calma! O que foi? — ele perguntou.
— Cara, to aqui num restaurante com o meu pai e o velho Blackmount... E a Lisa.
— Mas não era sábado?
— Anteciparam. Cara, tô ferrado, Julian!
— O que foi? — ele perguntou aflito.
— A Lisa, cara! Ela não é cocota! — disse.
— Não? Então como ela é, me explica cara!
— Ela parece... Uma aberração de filme de terror japonês! Ela parece a Regan possuída, cara, ela... Parece a noiva do Chuck! Ela usa uma cruz invertida no pescoço e uma camiseta que diz “Estuprei mamãe e afoguei na privada”, socorro cara, eu vou morrer! — chorei.
Eu esperava que o meu melhor amigo fosse desligar o telefone e ir correndo me socorrer né, mas quem disse? O Julian começou a rir descontroladamente.
— O QUE VOCÊ VAI FAZER? — ele perguntou.
— Não sei. Eu não vou fugir pra ela não pôr meu nome na boca do sapo! — falei amedrontado. Julian riu ainda mais.
— Pergunta se ela curte essas coisas do demônio que você acha que ela curte, se ela disser que sim, você casa e ponto final. — ele disse ainda rindo.
— E o pior, é que eu acho que ela gostou de mim cara.
— Você tá ferrado — falou.
— Obrigado. Alguma sugestão?
— Nenhuma — ele disse.
— Seu inútil — e desliguei. Respirei fundo e voltei pra lá. O que eu não entendi foi por que deram todo aquele escândalo a me ver se havia coisa muito pior ali. É, talvez a Lisa tenha feito a mesma coisa que eu. Detonado a roupa nova.
Ou talvez ela tivesse mesmo feito aquilo pra me afugentar. Talvez ela nem fosse demoníaca. Pois se o objetivo era realmente me afugentar, ela havia obtido sucesso.
— Desculpe a demora. — eu disse receoso. Ela sorriu, alegre em me ver.
— Não se preocupe.
Eu queria perguntar o que o Julian havia dito, mas não sabia se seria grosseiro, sei lá. Ela poderia se aborrecer e eu não queria vê-la aborrecida.
— Você faz parte de rituais satânicos? — perguntei na lata. Lisa riu.
— Não, mas eu curto — ela disse. — Ficou com medo?
Estreitei os olhos, abrindo o maior sorriso apavorado.
— N-não, imagina! Claro que não! Até parece... Hehe.
Engoli em seco e Lisa gargalhou. Continuei olhando pra ela e imaginando como eu faria a próxima pergunta.
— V-você não tá a fim desse lance de casamento, tá? — perguntei, colocando toda a minha esperança naquilo. Eu esperava sinceramente que ela dissesse não, daí eu levantaria e sairia correndo dali.
— Quando meu pai arrumou tudo isso com o seu, eu não queria casar, mas agora... Vendo você... Eu acho que não vou me importar. — ela disse e meu estômago embrulhou. Pronto, agora o remorso por querer matar a Lisa sem conhecê-la havia sumido.
Aquela garota precisava morrer antes que me matasse.


Continua...


N/A: E aí, o que acharam da Lisa? Acho que agora melhorou, não melhorou? Espero que sim! Beigoz
Line xxxxx



so get your gun and, meet me, by the door.


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