ATENÇÃO: Esta estória não tem fins lucrativos.



TALES TOLD BY DEAD FRIENDS
Contos escritos por amigos póstumos


PRÓLOGO


Por um momento, eu pensei que amizade fosse uma coisa séria. Eu quero dizer, é o que nos dizem quando temos cinco anos de idade, que é bom ter amigos, que é bom ter alguém sempre por perto. Ah, não, você nem faz idéia... Nem tem idéia do quão longe os amigos podem ir apenas pra te machucar.


CAPÍTULO 1


Sou de aquário. Aquário, um dos signos mais frios do zodíaco, aquele cubo de gelo. Não só o cubo, a caçamba inteira, e uma caçamba de três litros. Eu tenho esse defeito infinito de gostar de ignorar aqueles de quem gosto, eu quero dizer, eu ajo com indiferença e os faço pensar que não lhes dou a mínima. Também gosto de pensar que é uma qualidade. Assim eu não me aproximo demais das pessoas, o que não é bom. Detesto proximidade exagerada. Eu já tenho o suficiente com as três pessoas que estão encarregadas de me sufocar.
Anne faz todo o trabalho sozinha se eu permitir. Ela é capaz de se trancar dentro do meu armário para não ir embora quando dá a hora. Conheço-a desde o prézinho, e é apenas por isso que eu deixo que ela me sufoque.
Daron é aquele cara que só aparece quando você solicita, mas quando solicita, se arrepende.
Nick é o que não te suporta, mas isso faz você querer ele por perto. Ele nos faz rir. Pelo menos eu esqueço de que ele é insuportável pra nós tanto quanto somos pra ele. Existe um balanço, e é por isso nos damos bem. Somos um quarteto bem incompreendido. Somos... Amigos.
Amigos com benefícios e amigos com malefícios.
Quando tudo começou, éramos apenas amigos, mas com o tempo, as disputas silenciosas e brigas interiores tomaram conta da nossa amizade e a fizeram ficar mais como um campo de batalhas.



CAPÍTULO 2


Eu estava em meu quarto ouvindo Mayday Parade e esperando ouvir alguém bater na porta do meu quarto quando meu celular tocou. Eu me estiquei na cama para pegá-lo na escrivaninha e quando o fiz, resolvi atender às pressas. Era o Nick.
Veja bem... Quando eu disse que éramos amigos com benefícios, certos benefícios estavam definitivamente incluídos.
No mesmo instante em que abri o flip do celular ouvi as batidas esperadas e uma voz que não tinha como não reconhecer.
- Sou eu! - ela gritou. Era Anne. Olhei paara o celular e o atendi, soltando um suspiro.
- Oi - falei sem empolgação alguma enquantto ia abrir a porta.
- Ah, oi! - ele respondeu empolgado. - A AAnne chegou aí? Acho que o celular dela descarregou.
Soltei mais um suspiro.
- Chegou - afastei o telefone da orelha e abri a porta, deixando minha amiga de 18-mas-pareço-ter-10 anos entrar. Ela me beijou a bochecha e eu entreguei o celular. Anne me olhou estranha.
- O que é isso? - perguntou confusa.
- Seu namorado - respondi sem ânimo algum..
Eu poderia estourar a cabeça de Anne com um murro se quisesse, naquele exato momento, com toda a adrenalina que queria pulsar em minhas veias.
Ela pegou o telefone super animada e se afastou um pouco, mas não o suficiente para que eu ainda ouvisse sua conversa.
- Oi amor! - ela disse e eu não quis mais ouvir.
Pronto, chegou a parte do malefício.
Eu abri o guarda roupas e tirei minha calça jeans skinny preta, joguei em cima da cama. Tirei meus shorts e enquanto punha minha calça, eu pensava. Pensava em como eu era mais bonita que Anne. Sinceramente, eu era muito bonita e o único motivo para os garotos não se aproximarem de mim era essa minha simpatia mórbida e cruel.
Minha mãe costumava dizer que eu parecia a Branca de Neve. Dizia que meus olhos azuis realçavam a minha pele branca, em contraste com o meus cabelos pretos e pesados.
A única diferença entre eu e a Branca de Neve seria seu coração puro, que é totalmente o oposto do meu coração maldoso e poluído.
Anne era tão sem graça que eu sentia pena de andar com ela a meu lado, e ainda assim, o Nick era namorado dela.
Certo, é errado pensar assim de minha melhor amiga, mas não tão errado quando ela namora o cara que eu quero. E eu realmente quero o Nick.
Assim como o Daron me quer e eu não dou a mínima.



CAPÍTULO 3


Estávamos nos aprontando para sair, íamos a um pub qualquer conversar um pouco, coisa que fizemos pouco em duas semanas, com toda a preparação para as provas e a reta final do nosso último ano no ensino médio. Vesti minha calça skinny e permaneci com a minha regata branca. Calcei minhas sapatilhas e soltei os cabelos. Passei lápis nos olhos e peguei a bolsa. Anne ainda estava com Nick no meu celular. No meu celular. E eu nem podia falar nada, afinal, ele havia feito a ligação.
- Pára, amor! - ela gemia aos risos. Algumma piadinha de namorados.
Tive de me segurar para não jogar a bolsa com tudo no ar e ela atravessar o quarto, parando bem no meio das fuças daquela cadelinha poodle.
Nem sempre fui tão amargurada assim. Foi depois que o monstrinho verde e feio do ciúme instalou-se entre nós. Todo mundo mudou, não apenas eu.
Nick estava muito mais irônico e sarcástico, Anne estava ainda mais pegajosa e Daron sensível de maneira irritante. A inveja me acertou em cheio.
- Tome - minha amiga se aproximou, entregaando-me o celular. - Você sabe que o Daron cortou o cabelo?
Dei de ombros. Estava com medo de olhar para Anne. Eu era capaz de esfaqueá-la com apenas um grampo para cabelos. Peguei o celular e enfiei na bolsa.
- Vamos - disse asperamente e saí do quartto. Das escadas pude ouvir sua voz, mais parecia um miado.
- Me espere, Claire!
Nem esperei. Fui na frente.

Chegamos ao pub e Nick e Daron nos esperavam. Hum... Não tive como ignorar o novo corte de cabelo de Daron. Estava um charme. Mas para a infelicidade de Daron, tudo ao redor de Nick era ofuscado pelo brilho que ele emanava. Certo, me apedrejem. Eu era louca pelo namorado da minha melhor amiga. Mas não apedrejem apenas a mim. Meu amigo era louco por mim e transava com a minha melhor amiga, mesmo quando gostava de mim.
Pois é, o carnaval entre nós era debaixo dos panos.



CAPÍTULO 4


O pior de tudo o que acontecera é que todos pensavam enganar a todos. No final isso foi demais, mas por enquanto vamos tratar de entender o início.
Como todo esse enrolado aconteceu.
Anne sempre fora minha amiga. Eu e ela conhecemos Daron na quinta série e Nick veio com ele. Até então éramos amigos, mas a oitava série veio e as mudanças foram começando, fomos ficamos cada vez mais diferentes um do outro. Anne assumiu a personalidade mais chata de todas, delicada e rosa. Nick permaneceu insuportável para mim e Daron e este último se tornou o cara sensível.
Eu, como podem ver, sou a vadia que gosta do namorado da amiga.
- Oi Claire - Nick disse e eu fiquei meio impossibilitada de responder, pois Anne pulou em cima dele e começou a encher o rosto de Nick com beijos. Se você quer saber, eu sempre achei que Anne protegia o namoro por morrer de medo que alguma garota mais bonita e interessante roubasse seu precioso. Não que Anne fosse horrorosa. Ela era bonita até. Tinha uma pele castanha muito bonita e cabelos também castanhos, olhos castanhos e um rosto bonito. O negócio era que ela era muito insegura, sempre achando que o Nick poderia pular em cima da primeira vagabunda que aparecesse.
- Claire! - Daron se aproximou de mim, traagando aquele abominável cigarro. Nada contra cigarros, eu até fumo às vezes. A coisa é que o Daron estava realmente mal por causa deles. Ele era fumante assíduo e estava quase tendo um Enfisema Pulmonar.
Revirei os olhos e puxei o cigarro de suas mãos antes que ele levasse à boca novamente. Daron me olhou irritado e pôs as mãos na cintura. Era ótimo poder repreendê-lo quando ele nunca me questionava ou me enfrentava.
- Você sabe o que isso te causa, não sabe?? - perguntei, jogando a coisa no chão e pisando em cima.
- Ótimo saber que você se preocupa comigo - ele sorriu e eu reconheci a ironia em seu tom. Ele sempre usava quando estava chateado comigo.
Eu nunca soube porque, mas algo impedia Daron de brigar comigo. Eu sempre ficava louca e gritava com ele, mas ele nunca respondia. Geralmente nós discutimos porque, aparentemente, Daron percebe meu interesse por Nick. Aparentemente porque ele pode estar apenas sendo ciumento, dizendo que eu dou mais atenção a Nick do que a ele. Eu nego tudo, óbvio. E é aí que os gritos começam.
- É, sou eu quem vai ter que te enterrar. - dei as costas e caminhei até o bar. Ao chegar, encostei-me ao balcão e de longe pude ver Nick e Anne se divertindo aos montes. Eles estavam sentados à uma mesa perto do aquário enorme (o qual dava nome ao pub, The Aquarium). Era ridículo vê-los felizes e apaixonados quando eu estava vivendo uma tragédia interna.
- Você não precisa passar a noite inteira invejando os dois - eu ouvi a voz de Daron falar ao meu lado. Ok. Ele era a minha tragédia, mas não apenas interna, constante!
- Eu não estou invejando - respondi, sem oolhá-lo.
- Certo - ele abafou uma risada. Era assimm que as brigas começavam. Daron vinha com esse papo magoado e eu estava realmente cheia disso. Virei-me e olhei pra ele.
- Não vou brigar com você em público, se éé isso que você está querendo - eu lhe disse.
- Não é isso que eu quero.
Daron agora me olhava fixamente e eu tenho que confessar... Ele tinha uns olhos maravilhosamente lindos. Verdes, que te fazem derreter. Daron era um gato, na verdade. Mas é como eu lhes disse. Nada ao redor de Nick parece interessante.
- Eu não consigo entender você - menti. Euu sabia exatamente do que ele estava falando. Era sempre assim quando saíamos e ficávamos apenas os dois, bebendo enquanto o casalzinho mucho-amor se divertia. Daron sempre tentava alguma coisa.
- É claro que consegue - ele se aproximou e eu não me movi. Ainda não. - Qual é, Claire? Por que é sempre o Nick? O que tem com ele?
Às vezes eu deveria socar o Daron. É sério, ele sabia como ninguém me tirar do sério. De uma maneira chata e entediante. Não era como o Nick, que me tirava do sério de uma maneira que eu queria socá-lo, socá-lo por ser tão insuportável e medíocre, mas logo após socá-lo, a vontade que vinha era de beijá-lo como nunca.
- Você quer mesmo saber, Daron? - pergunteei, finalmente me afastando. Daron passou os dedos pelos cabelos recém cortados e assentiu. - Certo, vou lhe dizer. Você é chato e ridículo. Está sempre por perto, me sufocando, inventando coisas e choramingando! Você é muito chato! - bradei. Ele deixou a expressão desafiadora sumir do rosto. - Me deixa em paz um segundo pra respirar!
Afastei-me dele depressa, indo até a mesa onde Nick ria de algo dito por Anne. Aquilo fez minha fúria aumentar em proporções astrológicas.
- Vou embora - avisei e me afastei sem darr chances a eles de argumentarem. Ainda pude ouvir a voz de Anne miando enquanto andava para fora do local.
Por sorte, eu tinha o meu 1963 Mercury Comet S22 parado bem ali e não dependia da carona de ninguém. Por sorte também, ninguém me seguiu e eu pude chegar em casa sem problemas, entrar no meu quarto e me jogar em minha cama, pensando em como eu era mais bonita e mais interessante do que Anne.
Os caras sempre preferiam a ela. Talvez fosse o fato de que ela era absurdamente simpática (na verdade, uma das coisas que eu odiava nela).
Eu sempre gostei de ser antipática. Não suporto ser legal com as pessoas que não merecem a minha simpatia, e a maioria delas não merece.



CAPÍTULO 5


Acordei no dia seguinte com a maior culpa por ter tratado o Daron mal. A uma hora dessas ele devia estar em casa na maior insônia, pensando em como só se dá mal. Eu tinha medo que ele apanhasse uma faca na cozinha e se matasse.
Não me levem a mal quando eu digo que meus amigos me irritam. Eles ainda são... Amigos, apesar da confusão que eu criei pra nós.
Peguei o telefone e disquei o número dele.
- Alô, Sra. Armstrong? Oi, é a Claire. - Ah, oi Claire. - ela respondeu. A mãe doo Daron sempre gostou de mim, assim como meus pais sempre gostaram muito dele.
- O Daron está?
- Sim, está. Vou chamá-lo. - ela disse e eeu não ouvi o grito de "Daron! Telefone" que eu costumava ouvir na casa da Anne. Os Armstrong eram muito finos e educados.
Virei a cabeça para a minha janela enquanto esperava que ele viesse atender. Eu odiava todo esse sol da Califórnia. Gostava, às vezes, mas quase sempre odiava. Meu sonho era morar em lugares úmidos, como Washington ou Nova York. Eu simpatizava com Seattle.
- Alô - eu ouvi o Daron.
- Oi, é a Claire - falei.
- É, to sabendo. - ele disse e soltou um ppigarro. Eu podia imaginar o Daron, deitado em sua cama, apreensivo com o meu telefonema.
- Certo, me desculpe por ontem. Eu fui muiito rude, desculpe. - falei de uma vez, mas ele não respondeu. Depois de algum tempo, eu suspeitei que ele não estivesse mais ali. - Daron?
- Estou aqui. Eu só não acredito que você esteja me pedindo desculpas depois de ter dito tudo aquilo.
Típico do Daron. Fazer-nos sentir uma tremenda culpa e depois, quando esgotamos nossos argumentos e desistimos, vir atrás de nós, dizendo que exagerou e que estava magoado, típico dele.
- Sabe Daron, se você quer ficar puto, voccê fique à vontade. Eu estou aqui te pedindo desculpas, dane-se você se não aceitar. - eu falei de uma vez. Era muito chato conviver com aquela coisa chata quando já estávamos tão acostumados.
- Certo. Eu não estou puto. - ele disse noo mesmo tom de voz que eu.
- Então você me desculpou? - perguntei no meu tom gentil. Depois de eu ter pressionado o cara, agora era a hora de amansar.
- É, Claire. Há algo que eu não faça do seeu jeito?
Não pude deixar de rir. Era verdade. Daron era literalmente uma sombra minha.
- Nos vemos mais tarde?
- Absolutamente.
- Tchau. - e desliguei.



CAPÍTULO 6


Gostar do sol da Califórnia era um grande problema pra mim, mas não para os meus amigos. Nick amava queimar-se abaixo de poderosos raios ultravioleta e Daron adorava passar os olhos pelas bundas quase peladas das louras bronzeadas que passavam. A praia era um tipo de inferno na terra pra mim. Além de ter gente seminua em todas as direções, havia caras fortes e musculosos e convencidos me olhando e tentando se aproximar. Certa vez um desses caras tentou me convencer a ir com ele, tomar uma cerveja e depois ir à casa de um cara chamado Ryan, mas por sorte, Nick e Daron se aproximaram, dizendo que meu pai e meu avô estavam vindo para nos buscar. Foi uma ótima tática, se querem saber. Dando aos caras essa impressão de que eu não sou tão descolada quanto eles pensaram. Mas também poderia ter sido um fiasco de tentativa, os caras poderiam ser dois maníacos que adoravam menininhas dependentes do pai e do avô. Credo. Foi ótimo quando eles desistiram.
- Ah, Claire! Ponha um sorriso neste lindoo rosto! - Nick falava animado enquanto íamos à praia em seu Jipe super apropriado.
- Eu acho que você já deveria ter se acosttumado com o sol. Olha só onde você mora, Claire! É Malibu! - Daron falou tão entusiasmado quanto o amigo. - Tudo aqui é iluminado e ensolarado, tudo aqui é muito mais divertido do que em qualquer outra cidade do país! Muitas garotas de Washington dariam um seio para estar aqui!
Eu bufei e balancei a cabeça negativamente. Um seio? Nick deve ter pensado o mesmo que eu, pois estapeou Daron.
- Você é doente - e seguimos para a casa dda Anne, apanhá-la.

Passamos o dia na praia (infelicidade). Eu, é óbvio, passei meu protetor solar fator 50 e deitei à sombra de um guarda-sol amigo, ouvindo Sugarcult enquanto meus amigos se divertiam em bóias gigantes. Poderia jurar ter visto Daron agarrado com alguma garota qualquer por ali. Não seria bem novidade, pois sempre que eu venho à praia com eles, Daron beija uma garota qualquer.
Quando fomos embora, eu só queria deitar em minha cama e dormir até o dia seguinte, mas o programa fora outro. Iríamos à uma festa de algum conhecido de Nick.
Qualquer festa com eles pode ser entediante se Anne vai junto para se pendurar em cima do namorado e me deixar sozinha com Daron.
- Porque você está chateada? - Daron me peerguntou quando eu estava pegando uma bebida. Daron é assim. Ele deduz seus sentimentos. Fechei os olhos com força e respirei fundo. Perceberam que eu faço demais esse tipo de coisa quando Daron está por perto?
- Não estou - respondi sem olhá-lo.
- Parece estar.
Olhei pra ele. Acho que todo o ar acumulado (que iria ser utilizado em um grito irritado para Daron) sumiu de repente quando eu o olhei. Aquele era mesmo o Daron? Não podia ser. Sério, talvez ele só estivesse parecendo tão bonito porque o Nick não estava por perto. Ou talvez fosse a expressão dele, que pela primeira vez em muito tempo não era insegura ou amedrontada. Sei lá o que causou o surto de "oh my god" no Daron. Só sei que chamou a minha atenção.
- Você ia dizer alguma coisa? - ele me perrguntou, colocando as mãos nos bolsos da calça.
- Não - respondi prontamente. Daron estreiitou os olhos.
- Está chateada?
- Não.
Ele bufou e deu uma risada. O quê? O que era engraçado? Acho que perdi a piada em meu momento de torpor e admiração pela beleza do meu amigo.
- Você nem parece estar aqui - ele sorriu.. - A festa está chata?
'Oh meu Deus, de onde você tirou esse sorriso?' foi o que eu pensei. Eu estava simplesmente imaginando porque Daron estava me parecendo tão atraente. Será que ele jogara algum feitiço em mim ou coisa parecida?
- Um saco - respondi ainda meio hipnotizadda.



CAPÍTULO 7


Ora! Eu não havia dito em momento algum que ele não era bonito... Ele só não era tão maravilhoso quanto Nick, mas ali... Ele estava realmente irresistível.
Certo, ele estava irresistível e eu estava torcendo para que ele me cantasse como sempre fizera, mas isso não significava que eu tinha de ficar parecendo uma tonta olhando pra ele. Poxa vida. Era o Daron! E ele era completamente apaixonado por mim, eu não precisava chamar a atenção dele. Ele vinha até mim naturalmente.
Sacudi a cabeça em uma tentativa de acordar e funcionou. Lá estava ele, ainda sorrindo.
Delicinha.
- Onde estão Anne e Nick? - perguntei dispplicente, olhando de um lado para outro, como se meu momento de admiração à beleza do meu amigo nunca houvesse ocorrido.
- Por que você está sempre tão preocupada com eles? - Daron segurou em meus ombros e girou o meu corpo, empurrando-me por entre as pessoas enquanto os massageava (meus ombros, detalhe). - Esqueça deles, Claire! São namorados, não precisamos monitorá-los o tempo inteiro.
Nada de anormal até aí. Isso era o que Daron fazia o tempo inteiro. Ele sorria demais para mim, ele tocava demais em mim (em geral eu me esquivava ou dava as costas e o deixava falando sozinho), ele me olhava demais. Ele estivera sempre ali, com suas investidas e seus lindos olhos verdes. O problema era comigo. Talvez o horóscopo de Daron tivesse dito algo sobre "Tente encantar o seu amor, ele irá fascinar-se finalmente!". Peixes, o signo dele. A cara do Daron, cheio de "eu te amo para sempre" e "eu sonho com um futuro maravilhoso para nós". Sinceramente, eu sou de Aquário. Meus sonhos não são exatamente como os dele.



CAPÍTULO 8


Daron estava me empurrando para fora da casa. Eu não queria sair, eu nem havia conseguido pegar minha bebida!
- Hey, pare de me empurrar! - eu me afasteei e Daron parou de andar. Neste ponto já estávamos no jardim da casa. Eu arrumei minha blusa e o olhei com as sobrancelhas franzidas. - Por que você me trouxe aqui?
- Porque você estava tipo, super pálida láá dentro? - ele perguntou como se fosse óbvio. Eu estava pálida? Quando?
- Eu não estava pálida... - falei desconfiiada. Ele fechou os olhos gentilmente e assentiu com a cabeça, abrindo os olhos em seguida e sorrindo.
- Estava sim.
Havia algo engraçado... Se o Daron estava rindo, era porque havia algo engraçado. Seria eu? Eu estava tão idiota a ponto de fazer o cara que é apaixonado por mim rir da minha cara? Que merda.
- Não estava coisa nenhuma, você deve estaar daltônico - falei depressa e corri para dentro da casa. Voltei para a mesa das bebidas e não vi a sombra de Daron atrás de mim. Peguei um copo e o enchi com a cerveja podre que estavam bebendo ali.

Você sabe o que é pior do que estar bêbada? É saber que está bêbada.
Eu não estava totalmente bêbada. Só estava a ponto de fazer o que não faria sóbria (vamos combinar que isso já é perigoso demais). Alguns caras estavam se aproximando de mim e eu não gostava daquilo. Havia mudado de local várias vezes, fugindo desses caras.
Eu estava prestes a sentar na escada quando um cara alto, forte e com cara de "eu malho meu cérebro" se aproximou, sorridente. Argh, foi a única coisa que eu pensei, mas antes que ele pudesse falar, eu senti uma mão em minha cintura e ao olhar para o lado, me deparei com Daron.
- Oi amor, estive te procurando por todos os cantos, onde você se meteu?! - e me puxou com ele, saindo rapidamente de perto do toradão que iria me assediar.
- Puxa, obrigada. Eu não tinha mais lugarees para ir, se ele se aproximasse eu ia ter que chutar os testículos dele. - eu sorri e Daron riu. Fomos para o quintal, onde o cheiro de baseado pairava no ar. Argh, pensei novamente. Que lugar podre era aquele onde Nick havia nos metido?
- Ah meu Deus, onde é que nós estamos? -euu perguntei antes de tapar a respiração. Daron estreitou os olhos e respirou fundo.
- Isso é...
Eu o estapeei e peguei em sua mão, puxando para fora daquela boca de fumo improvisada.
- Ei! - protestou.
- Ei nada. Você sabe o que o fumo te causaa, não sabe? - perguntei, quando já estávamos no jardim, por entre ar puro.
- Tabaco!
- E você acha que pode fumar maconha? Nosssa Daron, você é um delinqüente! - cruzei os braços e virei o rosto. Ouvi um murmúrio e algo parecido com um "tsc" vindos dele e o olhei. Estava de cabeça baixa, coçando a nuca. Visivelmente embaraçado.
Foi a visão mais fofa que eu tive a noite inteira. Desfiz minha carranca imediatamente.
- Não quis dizer isso... Você não é um dellinqüente, só... É meio desviado - tentei consertar. Ele bagunçou os cabelos depressa e depois passou a mão pelo rosto.
- Tudo bem, eu sei o que você pensa sobre mim.
Não, não, não! Não era isso! Não àquele momento, que eu estava disposta a deixá-lo me cantar à vontade! Mas eu também não queria que parecesse que eu estava dando em cima dele. Era para parecer natural, por isso... Eu tive uma idéia.
- Não, não sabe! - retruquei parecendo irrritada. - Percebeu que você sempre estraga a noite com os seus comentários autodepreciativos?
- Eu estrago???? Eu estrago a noite???? Voocê está sempre me criticando e me tratando mal, e eu estrago a noite? - ele perguntou chateado.
Eu tinha um plano e Daron não iria estragar. Por isso, respirei fundo.
- Vamos dançar. - falei.
- Ein?
- Vamos dançar, Daron. Vamos dançar, porquue você está me irritando e eu não quero que você me irrite hoje.
Preciso comentar sobre a expressão do Daron? Eu o arrastei até onde um aglomerado estava dançando (uma música super horrível, se querem saber).
- Ei, Claire... - ele ia começar.
- Ai Daron, cala a boca - falei depressa ee coloquei as mãos dele em minha cintura e envolvi meus braços no pescoço dele.



CAPÍTULO 9


Eu e Daron ficamos ali praticamente uma hora e não vimos sinal de Anne ou Nick. Na verdade, eu não estava muito preocupada com a Anne ou com o Nick.
- Eu preciso beber algo - eu disse a ele qquando paramos de dançar um pouco.
- Quer que eu vá buscar?
- Vamos juntos.
Eu disse e nós rumamos para a mesa das bebidas. Peguei um dos copos que estavam ali e enchi novamente com aquela cerveja sebosa. Enquanto estava dançando nem percebi que morria de sede. Bebi dois copos com uma rapidez astrológica.
Certo, é impossível não reparar quando alguém não tira os olhos de você. E eu sabia que o Daron não havia tirado os olhos de mim enquanto eu bebia. Por sinal, ele ainda estava abraçando-me pela cintura. Eu não achei inconveniente, se você quer saber.
- Por que você está me olhando desse jeitoo? - perguntei.
Ele sorriu e me trouxe ainda mais pra perto, passando os dedos pelos meus cabelos e os colocando para trás.
- Você realmente não sabe?
Acho que essa foi a única vez em toda sua existência que Daron conseguiu me fazer ficar escarlate. Eu quero dizer, senti minhas bochechas esquentando! Talvez fosse o efeito do álcool, nunca se sabe.
- Ah, Claire... Você é... - ele desceu os dedos dos meus cabelos para o meu rosto. - a única. A única por quem eu seria capaz de fazer a coisa que eu mais repudio. E você ainda pergunta?
Ele sorriu pra mim e continuou com os dedos no meu rosto. Será que ele sentiu a temperatura? Gosh, seria o meu fim.
- D... - eu murmurei. Antes que eu pudessee arquitetar uma frase, ele me interrompeu.
- Não, Claire. Não importa quantas garotass eu beije. Eu beijei três hoje aqui nessa festa enquanto não estávamos juntos. Três! - ele me mostrou os três dedos. Estreitei meus olhos e me senti furiosa por aquela confissão. Três? E o safado dizia que eu era a única. - Não importa se foram três ou dez. Nenhuma delas é você.
Aquele momento foi realmente bonito. Geralmente quando o Daron começa com esse papo de "eu te amo", eu pulo fora, mas àquele dia não... Eu gostei que ele tivesse dito.
- D, você seria um excelente namorado, sabbe? - eu falei, passando minhas mãos pelos cabelos dele. Era estranho não sentir as madeixas do Daron. Ele tinha um cabelo na altura do queixo, e agora era menor, mais masculino.
Ao dizer aquilo, eu percebi que os olhos do Daron brilharam bastante.
- Você é carinhoso, gentil... - eu ia dizeendo.
- Ah, Claire...
- Não, espere - eu interrompi. - Espere. -- eu respirei fundo e abaixei o olhar, o erguendo logo. - Eu queria muito corresponder aos seus sentimentos, D. Mas eu não sei como fazer isso.
- Nós podemos tentar! Eu não falharia com você, você sabe disso, Claire! - ele exclamou. Nós estávamos dentro daquela casa, com aquele barulho infernal e aquela música maldita, mas eu não estava ouvindo nada além da voz dele.
- Não... - eu murmurei, abaixando a cabeçaa. Por mais que eu estivesse a fim de dar uns beijos nele, eu nunca deixaria que Daron pensasse em nós como um casal. Ele era insuportável, mas ainda era meu amigo. Ou deveria ser.
- Por que você nunca me dá uma chance? Nóss poderíamos dar certo, somos amigos, Claire. Você é a única pessoa com quem eu realmente me importo, por que você não me dá uma chance? - ele perguntou com sua habitual expressão torturada. Eu não conseguiria xingá-lo naquele momento. Eu não conseguiria machucá-lo, mas eu sabia que iria.
Tirei suas mãos da minha cintura e do meu rosto e entrelacei-as com as minhas.
- Você seria um excelente namorado, D. Mass não pra mim. Você sabe como eu sou, você sabe o que me irrita, você sabe o que me agrada. D, você é o cara mais legal que eu conheço... E é justamente por isso que você não serve pra mim.
- É claro que eu sirvo! Eu posso me adaptaar, nós vamos fazer tudo do seu jeito, Claire, por favor! - ele implorou e eu me senti a pessoa mais horrível do mundo.
Ele me olhava com aqueles... Lindos olhos verdes e eu não consegui pensar em outra coisa a não ser beijá-lo.
Encostei meus lábios nos dele, demorando mais tempo do que o normal. Daron não se moveu um centímetro. Quando eu me afastei, ele abriu os olhos e ficou ali estático, provavelmente esperando alguma reação da minha parte. Eu soltei suas mãos e segurei seu rosto com as mãos recém soltas.
- Daron Armstrong você é bom demais pra miim. Eu não consigo te corresponder, me desculpe. - ele abaixou o olhar. É, eu no lugar dele também não teria coragem de me olhar. - Você vai encontrar alguém que te mereça. Alguém melhor do que eu, D. Você sabe, eu sou a pessoa mais errada do universo quando o assunto é sentimentos. Eu não sei controlar os meus, eu não sei lidar com eles.
- Eu não vou encontrar ninguém, Claire - eele disse ainda com o olhar abaixado. - Ninguém além de você.
Era exatamente esse romantismo que me irritava. Essa necessidade de pôr o sentimento acima das coisas mais importantes, mas naquele momento, eu não consegui achar o Daron ridículo. Eu só senti pena. Eu lamentei por não poder dizer "Eu também gosto de você, D" ou "Hey, vamos ficar juntos!".
- Daron, você precisa me esquecer. - eu fiinalmente falei e larguei seu rosto. - Você deveria saber o quanto eu não queria dizer isso, mas eu não sinto a mesma coisa que você.
Eu poderia jurar que vira uma lágrima descendo rapidamente pela bochecha dele, mas ela foi apagada por seus dedos.
Me afastei uns passos.
- Eu vou embora... - falei enquanto ainda me afastava. - Desculpe, vou te deixar aqui pra procurar por Nick e Anne - e dei uma risada triste.
- Claire... - ele fez menção de vir atrás de mim, mas eu não podia deixar. Eu precisava deixá-lo saber que entre nós nunca aconteceria. Havia muito tempo que Daron nutria esse sentimento, que ele esperava algo de mim. Mesmo eu sempre evitando, mesmo eu sempre fugindo, ele estava sempre tentando novamente.
Deixá-lo pensar que eu iria ficar com ele algum dia era machucá-lo ainda mais do que dizer "eu não te amo".
- Não Daron. Eu preciso ir... Nos falamos depois. Tchau. - e dei as costas a ele, correndo para fora do local.
Eu desconhecia aquele sentimento.
O que era aquilo? Culpa... Arrependimento. Sofrimento... O que eu estava sentindo quando entrei no meu carro e dei a partida?
Eu não conseguia reconhecer. A única coisa que eu sabia era que era horrível.



CAPÍTULO 10


Los Angeles: sol odioso. Por que eu sempre era obrigada a acordar com aquela droga no meu rosto? Meu ódio pelo sol era declaradamente eterno.
Levantei, de má vontade é óbvio, para fechar a porcaria da cortina que minha mãe amorosa havia aberto, de propósito é óbvio. Mas quando eu estava no meio do caminho, a dita cuja entrou no quarto.
- Claire, o Nick está aí - ela falou e foii como se um choque tivesse me acertado em cheio. Nunca me senti tão acordada.
- É sério? - perguntei entusiasmada e antees mesmo de receber a resposta, corri para meu guarda roupas.
- Sério. Ele veio te buscar para passar trrês dias com eles na casa de praia que o pai dele tem em Long Beach.
- Long Beach? Praia? Nós vamos sair da praaia para ir à praia? - perguntei perdendo todo o meu entusiasmo. Eu detestava praia. Se praia estava envolvida, até Nick corria o risco de perder o interesse.
Mas Long Beach parecia ótimo. Qualquer lugar que não fosse Malibu era ótimo.
- É uma viagem com seus amigos, não parecee divertido? - minha mãe perguntou muito mais entusiasmada do que eu. Tentei imaginar quais os artifícios que Nick usara para convencer minha mãe a me deixar ir à Long Beach. Eu quero dizer... Não é como se nós fossemos ali nos Malibu Hills.
- Não! - exclamei. - Que ódio, eu odeio essse estado!
- Vai deixar o Nick esperando? - minha mãee começou com a pressão psicológica e eu comecei a fazer umas malas.

Quando desci, Nick estava sentado no sofá, com os cotovelos apoiados nas pernas, parecendo apreensivo.
Lindo, é óbvio.
Sempre que eu parava para admirá-lo, eu odiava Anne por ela ser tão ridiculamente sortuda. Só podia ser sorte, uma garota estúpida e sem graça como ela namorar um cara maravilhoso como Nick.
- Pronto - eu disse a ele, mostrando minhaa maletinha.
- Uau, você é mais prática do que a Anne. Ela está levando bastante coisa.
Eu sorri sem animação. Sempre que Anne era citada em uma conversa entre eu e Nick, essa era minha reação.
- Vamos, vou colocar isso dentro do carro..

Eu não perguntei sobre como nós iríamos chegar a Long Beach para o fim de semana, provavelmente Nick tinha um plano, pois ele nunca seria capaz de não nos avisar se precisássemos pegar um avião ou algo parecido. Seria uma baita sacanagem, pois eu não teria como comprar uma passagem assim tão rápido. Meu pai iria investigar todas as pontas da viagem antes de me comprar uma passagem.
- Que viagem é essa em cima da hora, Nichoolas? - perguntei (coçando os olhos, com sono, vale frisar) enquanto Nick dirigia para a casa de Daron. Ele fora me pegar primeiro porque a minha casa é caminho, claro.
- Meu pai precisa resolver umas coisas em Long Beach e vai ficar esses três dias. Você sabe. Estamos de férias e eu resolvi aproveitar a carona. - ele responde com simplicidade.
Certo, vamos esclarecer certas coisas. O pai de Nick tem um avião. Um jato, na verdade. Eu queria descobrir algo que a família de Nick não possuísse.
- Vamos buscar o Daron primeiro porque eu tenho certeza de que a Anne ainda não está pronta.



CAPÍTULO 11


Quando chegamos ao aeroporto, dois rapazes ajudaram a descarregar nossas malas e seguimos para o local onde o pai de Nick deveria estar.
Ele era um velho bem cuidado, se querem saber. Não era bem velho, aliás. Deveria ter uns 50 anos. Super com tudo em cima.
- Oi pai! - ele exclamou ao avistarmos o ccoroa.
- Nicholas. Você está atrasado. - O Sr. Dee Nouir disse, sacudindo seu relógio. Provavelmente um Rolex. Meu pai não usava Rolex, ele devia usar um daqueles Wetch falsificados.
- Eu sei, desculpe. Culpa dela. - Nick apoontou para Anne sorrindo. Ao vê-la, o Sr. De Nouir trocou a expressão repreensiva por uma feliz e entusiasmada.
- Ohhhh! Anne! Que bom vê-la, querida! - eele abriu os braços e Anne lhe abraçou.
- É bom vê-lo também, David - ela disse. DDavid? Ela tinha tanta liberdade assim pra chamar o 'barão' de David? Eu nem sabia que o nome dele era David.
Suspirei e pus minhas mãos nos bolsos, chutando algumas pedrinhas que se encontravam vagando pelo chão. Eu ainda não tinha ido falar com o Daron. Nós o buscamos e ele sentou no banco de trás do Jipe. Passou o caminho todo calado.
Levantei e cabeça e o encontrei encostado no carro, com os braços cruzados olhando pra lugar nenhum. Na verdade eu não tinha como saber pra onde ele estava olhando por causa dos óculos escuros. Essa era uma coisa boa de morar na Califórnia; poder usar óculos escuros. Eu mesma tenho vários.
Decidi acabar com aquela tensão e me aproximei do Daron.
- Hey - eu disse e ele me olhou rapidamentte, como se eu o tivesse despertado de algum transe. Talvez fosse o sono, era muito cedo.
- Ah, oi - ele respondeu sorrindo levementte.
- Você está bem? Eu te deixei sozinho onteem lá naquela festa podre... - perguntei cautelosa. Na verdade eu já havia deixado o Daron sozinho em lugares piores, mas não quando nós havíamos tido uma conversa como a que tivemos.
- É claro que eu estou! - ele exclamou ergguendo o braço direito como se estivesse mostrando o muque pra mim e o apertou. - Sou de ferro, esqueceu?
E riu. Eu ri também. Eu, Nick e Anne costumávamos dizer que Daron era uma espécie de Tony Starks, eu quero dizer, o cara é super inteligente, fuma pra caramba e ainda não morreu, além de azarar todas as garotas de Malibu e deitar com todas elas.
Costumávamos dizer que ele era de ferro porque fumava, usava mais toxinas do que todos nós juntos e seus neurônios ainda estavam intactos, porque ele só tirava A+.
- Certo, mas eu pensei que você pudesse esstar chateado pelo que aconteceu ontem - falei. Daron murmurou um 'tsc' e abanou o ar.
- Você acha que eu vou morrer porque você me disse 'não' mais uma vez? Ah, Claire, isso faz parte da minha rotina! - e riu novamente.
Ele tinha razão. Ia ser bastante estranho se ele ficasse deprimido por causa do fora que eu tinha lhe dado. Ele nunca ficava.
- Muito bom, Starks. Você é de ferro. - euu falei dando uma tapinha em seu braço e nós rimos.
Daron era insuportavelmente chato o tempo inteiro, mas às vezes ele tinha um ataque de normalidade.



CAPÍTULO 12


Aquele avião era legal. Tinha dez assentos e uma decoração bem rústica. Eu era tão leiga que não sabia sobre decorações em aviões ou coisa parecida. Eu gostara daquilo. Sentei perto de Anne pra variar um pouco.
Ela foi falando o caminho inteiro, é claro.
- Não vi você a festa inteira ontem. Onde você se enfiou? - ela perguntou.
- Ah, sei lá. Fugindo dos toradões. - eu ddisse e ela riu.
- Credo, Claire. Por que você não fica comm um dos toradões? Eles são muito bonitos! - ela aconselhou. Credo. Anne vivia me arrumando esses caras toradões e horrorosos. Uns amigos traficantes do Nick que se fingem de filhinhos de papai, mas são uns viciados.
- Entre o Daron e um toradão, eu prefiro oo Daron - brinquei. Anne se ajeitou na cadeira.
- Eu não acho que dê certo entre você e o D. Sabe... Ele é muito sentimental... E você não ta nem aí pra ele... - ela soltou um pigarro. - Mas se vocês se esforçarem pode dar certo.
Depois ela ficou em silêncio. Estreitei meus olhos. Anne sempre dizia coisas assim sobre eu e Daron. Sempre dizia que não daria certo, sempre dizia que eu era fria e não daria atenção alguma para o Daron... Que seja, ela estava certa mesmo.

A viagem passou sem muitos tumultos e finalmente chegamos a Long Beach. Eu havia vindo aqui com meu irmão quando ele ainda morava conosco (Sobre o meu irmão, ele agora mora em Nevada com sua esposa e filhos). Eu tinha uns 10 anos, por isso não lembro direito, mas lembro que a viagem fora ótima.
Descemos do avião e pegamos um táxi.
Ok, eu detestava praia, mas Long Beach era uma beleza. Tudo bem que os moradores daqui poderiam dizer que Malibu era o máximo, mas eu já estava cansada das mesmas estradas e dos mesmos points e pessoas.
- Onde estamos? - Anne perguntou ao taxistta. Era uma avenida larga e movimentada. Deveria ser alguma interestadual.
- Indo para o Bluff Park, não é pra lá quee vocês vão? - ele perguntou confuso. Nick bufou e respirou fundo, revirando os olhos e logo, respondendo ao taxista.
- É sim. Devemos estar na Ocean Boulevard indo pro leste. Depois daqui o Sr. vai pegar a Junipero Avenue? - ele perguntou.
- Sim, depois a 2nd com a Broadway. Conhecce um caminho melhor?
- Não. Meu pai sempre vem por este caminhoo. - Nick encostou-se ao banco e deu uma olhada de relance para trás, para onde Anne estava sentada ao meu lado. Ele não pareceu muito contente.
Eu percebi um tom impaciente? Nick estava chateado com Anne ou algo parecido? Pois o tom que ele usara e a olhadela para trás deixavam isso um pouco claro.
Era óbvio que Nick teria que cansar de Anne um dia, ninguém suporta alguém como ela por tempo demais. Só eu, que apesar de todos os julgamentos sobre ser impaciente e fria, agüento há muitos anos.



CAPÍTULO 13


Long Beach era uma maravilha! É, talvez fosse mesmo por ser um lugar diferente, mas era demais! Tirei minhas conclusões apenas durante percurso que estávamos fazendo. Parecia com Malibu, a Ocean Boulevard lembrava muito a Pacific Coast Highway, mas era melhor.
- Essa cidade é demais - eu comentei olhanndo fixamente para a janela a meu lado.
- Los Angeles coloca Long Beach no chineloo - Nick comentou do banco do carona na frente.
- Você está maluco?! Long Beach é demais! - eu exclamei horrorizada. Como ele podia dizer que aquela porcaria daquele lugar era melhor do que esse paraíso?
- Eu prefiro Malibu - Daron falou displiceente. Ele havia vindo aqui várias vezes com Nick. Previsível, eles eram melhores amigos.
- Essa cidade é linda! Mas Malibu é melhorr, com certeza. - Anne disse.
Eles estavam todos malucos?
- Vocês moram em Malibu? - o taxista perguuntou. Ótimo, até o taxista estava opinando agora.
- Sim - Nick respondeu.
- Humpf - ele bufou. - Se eu morasse em Maalibu não estaria dirigindo táxis - e deu uma risada. Nick e Daron riram junto.
- Eu odeio aquele lugar - falei ainda olhaando através da janela.
- Você odeia tudo, Claire. - Anne falou mee olhando com uma expressão desdenhosa.
Mas que vadia. Eu a olhei com minha melhor expressão "estou te ignorando".
- Muito melhor do que "amar" tudo - eu fizz as aspas no ar e imitei sua voz de miado. - como você, que parece estar sempre tentando agradar a todos.
Eu sempre a tratava bem, a Anne, mas quando ela usava aquela expressão sínica e penosa, o ódio borbulhava dentro de mim. Ela era tão ridícula, tão... Tão mesquinha, sempre pensando apenas nela. Certa vez estávamos no shopping, esse ano ainda. Fomos comprar nossos vestidos para o baile, porque sim, Anne tinha certeza absoluta de que seria a Rainha do Baile (e foi). Eu não sou muito fácil de agradar e demorei bastante para escolher meu vestido, mas Anne encontrou um perfeito para ela em poucos instantes. Como ela já havia escolhido o dela, partiu para escolher os sapatos e acessórios e me deixou sozinha na loja experimentando vestidos. Quando escolhi o meu e estava indo escolher meus sapatos e acessórios, ela ficou me enchendo a paciência dizendo que queria ir embora. Irritou tanto que eu acabei levando-a para casa de uma vez. Depois fomos eu e minha mãe comprar o restante das coisas.
Fiquei com tanta raiva que não atendi os telefonemas que ela me fazia por dois dias e só falei com ela na escola porque temos várias aulas juntas.
Anne me encarou e eu tenho certeza de que a atmosfera de rivalidade emanou, atingindo Nick e Daron. Às vezes eles tinham que nos fazer parar de discutir, porque Anne nunca aceitava estar errada e a sugestão dela tinha que ser a opção aceita. Sempre.
E eu odiava quando me olhavam daquele jeito, como se eu fosse uma pobre coitada que não sabe o que está fazendo. Olhar assim é a especialidade de Anne.
- Hey, o que vocês acham de irmos à Downtoown? Ou então podemos ir à Traditional Eastside! Temos várias opções para sair à noite! - Nick disse na intenção de interromper o que seria o início de uma discussão entre nós.
- Vamos àquela boate, Nick. Como é o nome.... - Daron franziu a testa, tentando lembrar o nome da boate. - Ibiza!
- Isso, é uma ótima! Aquela boate é sensaccional, vocês vão adorar!
A tentativa dos rapazes de apartar a nossa briga funcionou, pois eu desviei o olhar de Anne e ela pôs os fones do iPod no ouvido. Sinceramente, às vezes eu achava que nossa amizade ainda acontecia porque nossas famílias se adoram e são muitos anos juntas.
Se bem que desde que Anne começou a namorar Nick não estamos tão juntas quanto sempre fomos. Geralmente eu ando com Daron, porque Anne está sempre grudada em Nick e são poucas as vezes em que ela me telefona para fazermos algo só nós duas.
Eu não sinto falta de passar meu tempo com ela, se querem saber. Certo, somos amigas e é claro que eu gosto da Anne (apesar de ela namorar o cara que eu quero), mas os pequenos detalhes que a envolvem me fazem enjoar dela tão rápido que eu prefiro ficar com o chato do Daron.
Ainda assim somos amigas e precisamos uma da outra. É como se Anne fosse um mal necessário.



CAPÍTULO 14


Sobre a casa de praia dos De Nouir em Long Beach eu só posso dizer uma coisa: INCRÍVEL. O que era aquela casa? Streamline Moderna magnífica. A decoração rústica (pelo jeito a família dele adorava essas coisas) predominava, era tudo muito bonito e sofisticado! O jardim de entrada tinha um carvalho bem antigo, além de vários arbustos e outras flores. Incrível. Todo o piso e teto eram de madeira (extremamente lustrosa, se querem saber) e a escada tinha um corrimão liso também de madeira maravilhoso. Eles entregaram um quarto para cada um de nós. Nick tinha o seu próprio, é óbvio. Fiquei no quarto ao lado de Anne no primeiro andar. Daron e Nick ficaram no segundo.
O quarto era outra dádiva. Havia uma cama de casal com uma roupa esplêndida, dois criados mudos (um de cada lado da cama, cada um com um abajour) e um sofá branco posto perto da cama. Havia também um guarda roupas não muito grande, mas muito bonito e duas poltronas perto do sofá. De frente para este sofá estava uma televisão de plasma bem grande. Supus que todos os quartos de hóspede eram iguais àquele, quantas TVs de plasma eles deveriam ter comprado? Uma para cada quarto?
Humpf, TVs de plasma deveriam ser como um Big Red pra eles.
Olhei o banheiro. E que banheiro. Tudo ali era branco. Não havia nada de outra cor, era tudo muito branco e iluminado. Branco e dourado para as partes metálicas.
Saí de lá e fui examinar a varanda. Sim, havia uma sacada muito charmosa, com três cadeiras de vime e almofadas nos encostos e assentos (almofadas vermelhas). Puxa vida, só aquele quarto deveria ter saído mais caro do que minha casa, o carro do meu pai, o carro da minha mãe e o meu carro (considerando que eu e minha mãe dirigíamos modelos antigos).
Ergui minha cabeça e mirei a vista.
Só por estar vendo aquilo ganhei meu dia. Era uma vista perfeita do oceano pacífico. É claro que a vista pegava bastante do Bluff Park, mas à minha frente não havia nada além de casas mais baixas. Eu poderia pôr John Mayer para tocar no meu iPod e ficar ali o resto do dia, não me importaria. Aquela vista combinava perfeitamente com I Don't Trust Myself With Loving You. Antes que eu pudesse pegar o aparelho e pôr os fones, alguém bateu à minha porta. Fui atender e me deparei com Anne.
- Oi amiga! - ela disse entusiasmada. - Quue quartos são esses, pelo-amor-de-Deus! - ela disse pausadamente. Eu sorri enquanto abria espaço para ela entrar e se jogar na cama. O bom entre eu e Anne era que nós sabíamos que logo estaríamos conversando normalmente depois de uma discussão.
- Eu acho que esse quarto vale mais do quee minha casa e os nossos carros - falei, olhando ao redor do quarto mais uma vez. Maldita seja Anne. Além de estar com o cara mais maravilhoso de toda Malibu, ele era PODRE de rico.
- Você acha? - ela zombou e deu uma gargallhada estridente. Típico. Impossível não rir. Deitei na cama ao lado dela. - Isso aqui - Anne apontou para o abajour. - Vale mais do que minha casa, nossos carros e meu cachorro Kirky!

Um pouco depois, Nick foi nos buscar para apresentar a casa. Fiquei surpresa por Anne ainda não conhecer nada ali, pois isso deixava claro que ela nunca estivera naquela casa. Daron já estivera. Como assim Nick levara o melhor amigo e não levara a namorada?
Quando anoiteceu, Nick bateu às nossas portas (eu e Anne ainda estávamos em meu quarto aos papos) e disse que iríamos àquela boate citada no taxi. Mandou que nós vestíssemos roupas legais e estivéssemos lá embaixo às 9PM.
- Você sabe com que roupa vai? - Anne pergguntou.
- Tenho uma idéia.
- Ah... - ela murmurou e fixou o olhar no teto. Eu estava analisando mentalmente todas as opções de roupa que eu tinha. - Com quantas será que o Daron vai ficar hoje?
Ahn? Mas que diabos ela a ver com quantas pessoas o Daron ficaria?
- O que? Pra que você quer saber disso? - perguntei desconfiada. Sério, a Anne tinha essas coisas sobre o Daron. Eu achava que ela tinha uma queda por ele.
Certa vez, numa festa, a Anne ficou comentando o tempo inteiro sobre o quão bonito ele estava. E outra vez, quando eu cheguei ao The Aquarium, a primeira coisa que ela me disse foi que ele havia cortado o cabelo. Eu quero dizer, isso é estranho para uma garota que tem namorado e supostamente ama o cara.
- Não, eu só fiz um comentário - Anne faloou como quem não quer nada e levantou da cama. - A gente se vê mais tarde.
E saiu do quarto.
Coisa estranha. Eu não dava bandeira sobre gostar do Nick, nunca falava sobre ele com a Anne. Se ela tivesse uma queda pelo Daron, era muito burra por comentar comigo.




Continua...


N/A: Não é tão boa quanto Die My Bride, mas eu espero que gostem!
Line xxxxx

Hosted by www.Geocities.ws

1