Vampira estava no quarto conversando com Gambit de porta aberta. Ele estava sentado na janela, porque fumava; ela estava largada na cama olhando pra ele e rindo de algum besteira. Mas volta e meia reclamava que estava sentindo cheiro de fumaça e mandava ele jogar o cigarro fora.
Gambit: Alors, eu estava na aula de francês, porque era nota alta garantida no boletim...
Vampira: Você já era uma criança safada...
Gambit: E você também não fez francês na escola quando era petit?
Vampira: Fiz... Mas eu realmente não sabia francês! Você podia escolher outra língua estrangeira, só escolheu francês porque era espertinho.
Gambit: E a professora de geografia invadiu a sala dizendo que eu só respondi atrocidades na prova dela! Coisas do tipo "em qual posição fica o rio tal" e eu respondi "lateral esquerdo recuado".
Vampira: Hahahahaha! - Ela ri com gosto, de forma franca e sincera, achou a resposta o máximo!
Gambit: E quando ela colocou o dedo na minha cara dizendo que ia me
suspender, eu
suspirei e de repente: ela ficou encantada por mim! Eu só tinha
11 anos! Ela tinha uns 30! Ela parou na minha frente sem palavras e eu a
convenci de aumentar minha nota e me dar carona até em casa...
Vampira: Mas meses depois você foi expulso da escola assim mesmo...
Gambit: Fui... Quem dirigia a escola era um homem e não uma mulher! Minhas táticas não adiantavam... E ele já ligava para minha casa para dizer aos meus pais que eu era uma aberração, destruía todas as cadeiras com explosões! Que eu colocava bombas nos banheiros. ...Eu nem controlava aquilo direito naquela época...
Os dois pararam de conversar e rir, pois viram Jean passar pelo corredor chorando. Era raro aquela mulher chorar.
Gambit: Mon amour, acho melhor você ir ver o que aconteceu com la chere Jean.
Vampira levanta-se e vai ao quarto da ruiva, encontra a pobrezinha olhando pela janela desolada, deixando algumas lágrimas caírem.
Vampira: Oi, fofa. Posso entrar?
Jean: Ah... Claro, Vampira.
Vampira: Você está chorando por algum motivo relacionado ao seu bebê?
Jean: Não é nada não, Vampira. Já estou bem...
Vampira: Se é com o bebê você tem que contar, Jean.
Jean: Mas não é com o bebê, querida. Acredite...
Vampira: ... Legal, então! Mas quê que é?
Jean: É pessoal demais, Vampira. Não ia ter coragem de te contar.
Vampira levanta e fecha a porta do quarto, volta e puxa Jean para sentar na cama, senta-se ao lado dela.
Vampira: Se é pessoal demais, é homem! Conta! Scott fez alguma coisa com você?
Jean: Vampira eu...
Vampira: Ih, queridinha! De homem eu conheço todas, mesmo com minha pouca experiência prática com eles, mas estou acostumada a dar lições nesses caras de pau! Pode falar!
Jean: É melhor você voltar a ficar com Remy, vocês pareciam tão bem... Eu só vou te aborrecer com meu silêncio.
Vampira: Tem razão, Scott nunca faria algo de errado com você... Foi Wolverine? Ele se declarou e você ficou triste?
Jean balança a cabeça que dizia não em silêncio. Ela própria se abraça, Vampira procura a pulseira, mas não estava com ela. Estava no quarto, nem podia abraçar aquela ruiva com cara de sozinha no mundo, que se abraçava, como que tentando se proteger.
Vampira: Ai, Jean... Fica assim não... e eu nem posso te abraçar, fofa! Ai, Jean... fala logo, quem sabe eu não te ajudo!?
Jean: Eu descobri que Mística se fez passar por mim... e Scott fez amor com ela.
Vampira: ...
Jean: ...
Vampira: ... Chora não... Chora não...
Jean: ...
Vampira: Escuta, essa você deixa comigo! COMIGO, tá?! Eu sei que você é poderosona com a mente, pode causar estragos... mas eu vou com a mão na cara da Mística... Quer que eu desça agora pra quebrar aquela vaca?
Jean: Não... Deixa, eu já dei uma lição nela...
Vampira: Tudo bem, eu dou outra e chamo o Wolverine pra dar a terceira!
Jean: ...
Vampira fica com pena de Jean... De que adiantava a lição e a vingança em Mística? Não mudaria o fato de que Scott amou outra. Vampira tenta animá-la.
Vampira: Puxa, Jean... Mas nem foi culpa do seu marido... Ele foi enganado.
Jean: Eu sei...
Vampira: É... mesmo assim, isso não muda o acontecido. Enganado ou não, ele transou com outra... Muito chato, eu sei...
Jean: ...
Vampira: Se isso te faz sentir melhor, Gambit transou com aquela Karen várias vezes e estava muito consciente do que estava fazendo!
Jean: ...
Vampira: É... eu sei... Gambit não é parâmetro... Nem eu sou parâmetro... Eu não sou normal como você, talvez tenha que aturar essas escapadas do Gambit... Você não, você é normal... Tem o direito de ficar triste como uma mulher normal. - Vampira ficou com os olhos gelatinosos ao lembrar que agora, ela é quase que normal - Mas agora eu sou normal, e posso lutar pelos meus direitos de ser feliz por completo! Se ele me trair, é chute na bunda na hora!
Jean: ...
Vampira: Ai, Jean... Não que eu esteja dizendo que você deva largar o Scott... longe disso! Não foi culpa dele...
Jean: ...
Vampira: Jean, você tá tão triste que isso está te fazendo mal... Olha, tem uma manchinha pequena de sangue no seu vestido. Melhor ligar pra aquela tal de Miriam.
Jean: Esse é o outro motivo da minha tristeza, Vampira. Esse sangue foi causado por Scott.
Vampira: Como assim? ..... Ah! Entendi... Ih! Isso acontece! Acontece muito! Às vezes os casais se empolgam demais e dá um sangramento... Liga pra Miriam, você faz uma ultra e vai dar tudo certo! Isso acontece muito... Fica assim não, boba! É só vocês irem com mais calma da próxima, aposto que foi o máximo!
Jean: Não, não foi o máximo.
Vampira fica sem graça... Que droga, não foi o máximo... mas e daí? O que ela podia fazer?
Jean: Parece absurdo... mas, às vezes parecia que ele estava intencionado a me machucar. Estou me sentindo usada, suja, podre, mal amada, uma qualquer usada!
Vampira: Jean... Isso não faz o estilo do grandão! Ele é sempre um amor com você, é uma pessoa tão certinha... Ainda mais depois que você descobre que ele transou com Mística...
Jean: ...
Vampira: E por que você não mandou parar?
Jean: Às vezes eu mandava, ele pedia desculpas e logo voltava a ser duro comigo! Muito estranho... Foi horrível, teve uma hora que tive vontade de chorar, mas pensei que isso iria magoá-lo muito... Acho que ele só estava querendo fazer diferente, mas não foi boa idéia... Fico até com vergonha de contar pra ele o que estou sentindo... Scott tinha uma cara de quem estava me tratando tão bem... Acho que não estava se dando conta...
Vampira: Deixa de ser idiota! Se isso voltar a repetir não é pra ficar com pena de magoá-lo! Fala logo "qual é? Tá machucando!"... Eu, hein?!
Jean: Não é tão fácil, Vampira... Ele nunca foi assim, como posso ser tão dura com ele, quando na verdade ele pensa que está agradando?
Vampira: Você não mandou parar? Então não tava agradando...
Enquanto as duas conversavam, Scott entra no quarto. Vampira levanta-se da cama e pisca o olho pra Jean dizendo "respeito acima de tudo"! Passa por Scott fazendo uma cara de nojo, fecha a porta com força. Jean olha rápido para ele com lágrimas nos olhos e fixa-se no chão. Scott não sabe como começar, não sabe como não quebrar o quarto ao vê-la triste... Por que estava triste? O que Mística fez com ela?
Enquanto isso, a situação no gueto continuava difícil. Várias pessoas tinham sido presas e a maioria não voltava. Ninguém sabia onde estavam e se estavam ainda neste mundo dos vivos. Apenas um ou outro corpo aparecia largado em alguma rua, para intimidar qualquer um que tentasse resistir. Mística tinha ajudado Mercúrio, dias antes, a descobrir alguns nomes e patentes de militares e policias assassinos e torturadores. Ele e Vanda queriam fazer jornais clandestinos que divulgassem para dentro e fora do gueto todos os nomes de pessoas desaparecidas e dos possíveis "seqüestradores". Mas jornal era arriscado demais... Como iriam distribuir? Mas o Velho tinha experiência, e deu aos dois ótimas dicas de insubordinação e subversão da lei. Ele sempre dizia que os seres humanos são como crianças, quanto mais lhe tiram a liberdade, mais as crianças vão buscar encontrá-la; como quem persegue a felicidade.
Velho: Ernesto, a Mágica vem?
Mercúrio: Não sei, Velho... Nunca sabemos quando ela vai aparecer ao certo...
Velho: Tudo bem... Eu tenho um plano, é arriscado, mas pode dar certo. Vocês tinham que ter certa experiência nisso... mas tubo bem, vamos tentar!
Vanda: Eu estou nessa! Seja lá o que for, vou fazer.
Velho: São necessárias 4 pessoas. Vanda, Ernesto, Castro, Joseph!
Todos concordaram com a convocação.
Velho: Quatro metros de pano branco, tinta vermelha! Cortem o pano em dois, parar fazer dois painéis de dois metros cada! Uma grande linha de barbante e arame grosso para fazer um gancho! Ah, sim! Duas pedras! Onde está o laptop e a impressora que a Mágica trouxe ante ontem?
Mercúrio: Escondido dentro de um buraco no sótão da casa abandonada número 47 da rua Dakota.
Velho: Dentro de uma caixa, para não sujar, eu imagino....
Vanda: Fizemos um gato de um poste há dois quarteirões da casa, tem energia. Espero que não descubram!
Mercúrio: Mas as tomadas são uma desgraça de velhas e podres!
Vanda: Vai funcionar!
Mercúrio: Aqueles ratos do sótão vão é morrer eletrocutados...
Velho: Escrevam frases de efeito com nomes e fatos! Frases curtas, usando as palavras certas, as mais impactantes! Façam de uma forma que dê para imprimir umas quatro vezes numa mesma folha de papel.
Vanda: Tipo texto lado a lado?
Velho: Exatamente. E sempre o mesmo texto! Cortem o papel em quatro! Imprimam muitas! Vocês vão ter vários bolos com várias dessas folhas!
Vanda: E vamos distribuir na rua?
Velho: Só se você quiser abandonar o gueto e se encontrar com Deus mais rápido...
Todos eles ouviram tudo que a grande experiência do velho tinha para dizer. O plano entraria em ação as 5:30 da manhã, ainda no escuro e sem ninguém nas ruas! A segunda parte do plano entraria em ação a partir das 6:30 da manhã, já na claridade e no meio das pessoas! Estavam todos ansiosos, quando foi 5:20 da manhã, Vanda, Mercúrio, Castro e Joseph ficaram na porta da casa abandonada... A escuridão só era iluminada pela lua, ninguém na rua... aquela rua era tão distante e abandonada que até policiais eram raros ali... mas eles precisavam correr dali para a praça na frente da escola e do hospital; e para a rua na frente das duas vendas de legumes e frutas; antigo local de trabalho de Mercúrio e do velho. A menina que tinha a estranha e ainda desconhecida mutação de fazer as pessoas rirem saiu na rua e foi andando na frente dos quatro... Vanda carregava um embrulho de pano na mão e Mercúrio carregava outro. Passaram um quarteirão sem nenhum guarda, passaram o segundo e quando chegaram perto da praça do hospital e da escola, viram dois policiais fazendo a ronda... A menina entrou na praça.
Policial1: Auto! Identifique-se!
Policial2: Está proibida a permanência de pessoas nas ruas entre 9 da noite e 6:00 da manhã!
De repente, os dois policias fixaram-se na menina e começaram a sorrir. Estavam como bêbados de alegria vendo um por do sol no mar... Um deles se agachou e começou a brincar com o cachorro pastor alemão que estava de guarda. O outro sentou no meio fio, arrancou um matinho do canteiro e ficou mascando o mato, como um matuto contente com a fazenda...
Vanda: Eu nunca vou entender isso... Olha os caras!
Mercúrio: Não tente entender! É hora de nós agirmos! Corre!
Os quatro correram para o centro da praça! Mercúrio tirou o embrulho de dentro da blusa, era um painel de dois metros de tecido branco escrito a mão nomes de pessoas assassinadas e os policias e membros do exército que haviam matado. Tudo com letras garrafais vermelhas! Nas duas extremidades do pano, tinham colado dois pauzinhos; então eles podiam enrolar o tecido como se fosse um pergaminho! A parte de baixo enrolando pra cima e a de cima pra baixo! Os pauzinhos se encontravam! No pauzinho de cima, eles tinham colocado um gancho de arame grosso; e amarrado ao gancho um grande barbante grosso! E na ponta do barbante, uma pedra! Mercúrio correu mais rápido do que um raio e tacou a pedra por cima do fio de alta tensão! A pedra ultrapassou o fio e caiu do outro lado, levantando o pergaminho enroladinho do chão, já que a pedra estava amarrada ao barbante que também estava amarrado ao pergaminho!
Mercúrio: Isso! Demais, deu certo!
Vanda correu para o outro lado e puxou a pedra e o barbante com força! O pergaminho subiu e subiu e subiu, até que o gancho de arame prendeu no fio de alta tensão!
Vanda: Ual! Como o Velho disse!
Mercúrio: Agora puxa o barbante com força, Vanda!
Vanda puxou o barbante, ele arrebentou, e o pergaminho se desenrolou! Abriu-se no céu aquela enorme denúncia! Ninguém ia conseguir tirar! Presa ao fio de alta tensão, quem quisesse tirar precisaria de uma escada alta! E não poderia puxar o pano para baixo, porque o gancho de arame preso ao fio de cima, empurraria o fio de encontro aos fios de baixo! Um curto circuito aconteceria! Para tirar aquilo, ia ser um auê! Teriam que cortar a energia do quarteirão para pegarem uma escada de bombeiros e conseguirem tirar o pano denúncia sem danificar os fios por causa do gancho! Mercúrio, rápido como um raio, pegou os dois policiais que riam como babacas olhando para menina, e os levou para oito quarteirões de distância! Voltou correndo para a praça do hospital em segundos!
Mercúrio: Aqueles dali vão demorar algumas horas até voltarem ao normal, e mais um tempo para descobrirem onde estão, o que aconteceu e como foram parar ali!
Vanda: Ótimo!
Castro: Rápido, para a rua das vendinhas de frutas!
E os 4 encarregados do segundo pano prosseguiam seu caminho, a menina que fazia rir ia na frente! Quando chegaram na esquina, Castro e Joseph deram uma olhada no local para dar cobertura!
Castro: Não vamos precisar da menina, a rua está livre! Venham vocês dois!
E lá foram Vanda e Mercúrio para o meio da rua! Dessa vez, o outro pano estava com ela. Mas não teria força para jogar a pedra e fazer com que ela ultrapassasse o mais alto fio do enorme poste! Castro fez isso para ela!
Castro: Merda, não passou pelo fio, foi baixo!
Alguém poderia vir a qualquer minuto, eles tinham que correr!
Vanda: Nós vamos morrer! Temos que voar daqui!
Mercúrio correu até a pedra e jogou-a pelo fio!
Vanda: Deu certo!
Castro correu para o outro lado e puxou, puxou, puxou o barbante! Pronto! O gancho prendeu no fio, lá estava o pergaminho pronto para se desenrolar e denunciar todas as mortes em letras garrafais! Castro puxou com toda força o barbante e o pano desenrolou!
Vanda: Demais!
Ai de quem conseguisse pular e alcançar a ponta do pano! Acabaria puxando os fios para baixo e causando um curto circuito! Os 4 e mais a menina foram correndo para a mesma mansão abandonada. Quando deu 6:30, saíram de casa de novo, já com os bolos de texto na mão! A luz do sol estava quentinha, os passarinhos cantavam e a medida que se aproximavam das ruas mais movimentadas, ouviam vozes e os passos dos mutantes. Quando chegaram na praça do hospital, encontraram uma roda de pessoas em volta do poste! Fizeram cara de espanto, como quem visse aquele pano pela primeira vez! Muita gente se aglomerava em volta do poste para ver o pano! Um policial babaca pulava em vão para alcançar a ponta do pano!
Moça com uma criança no colo: Tem um gancho lá em cima! vai estrepar com os fios!
Policial: Cala boca!
E mais e mais pessoas chegavam para ver o pano! Todos faziam comentários!
Velho desdentado e azulado: Engraçado... Moro aqui perto e não ouvi nem um barulho...
Mulher: Quem será que fez isso?
Homem: Bem feito para esses milicos de merda... Espero que não me ouçam, vão achar que fui eu!
Mulher2: Agora já sei o nome de quem cuspir quando encontrar na rua!
Velha: Essa menina desaparecida que está com o nome no pano morava no andar de baixo do meu prédio... Ou melhor, dessa espelunca que chamam de prédio. Realmente não voltou até hoje.
Homem: Corajosos os que colocaram esse pano aí!
Vanda: Muito! Como será que os policiais não viram?
Mercúrio: Não sei... Tão arriscado... Esse pessoal é maluco...
Velha: Malucos mesmo! Mas eu apoio! Tem mais é que denunciar mesmo! Queria ter o direito de sair daqui e gritar para o mundo o que acontece aqui dentro!
Chegou um garoto correndo gritando desesperado para a multidão:
Garoto: Tem mais um pano desse lá na frente da vendinha de frutas e legumes! Mais um pano! Com outros nomes!
E lá foram várias pessoas correndo para ver o pano! Os policiais ligavam para o corpo de bombeiros fora do gueto para aparecerem com sua escada de incêndio por lá. Também ligavam para companhia de luz elétrica e pediam para desligar a luz de alguns quarteirões!
Chegava o momento do segundo plano! Esse seria melhor ainda! Muitas pessoas entravam e saiam do prédio do hospital, que tinha 5 andares. Os médicos, os enfermeiros, os pacientes, as pessoas que queriam comprar remédios na farmácia lá dentro... Outras várias crianças e adultos entravam no prédio da escola, que também tinha 5 andares. Os prédios habitacionais também tinham um fluxo grande de pessoas. Vanda entrou no prédio do hospital, Mercúrio entrou num prédio habitacional que ficava bem próximo ao muro e Castro entrou no prédio da escola, que também ficava bem colado ao muro. Ela subiu até o quinto andar de elevador, saiu no corredor que tinha várias portas, muitas pessoas iam e vinham. Se espreitando entre uma parede e outra, fingindo que procurava um consultório, Vanda entrou na escada de incêndio do prédio e subiu até o terraço! Lá em cima seus cabelos longos voavam como loucos no vento! De dentro da bolsa, ela tirou um bolo grande de papéis e deixou na mureta do prédio! Bem na mureta que dava para o abismo lá em baixo! Desceu de novo a escada para o quinto andar e fingiu que nada aconteceu, ninguém a viu entrar ou sair. Desceu de elevador para o hall do hospital, voltou para a rua onde as pessoas ainda viam o pano pendurado e os policias com cara de apatetados. Mercúrio fez a mesmíssima coisa no último andar do prédio comercial, deixou um bolo de papéis na mureta. O mesmo fez Castro. E em poucos minutos, estavam os três lá em baixo nas ruas conversando, como as outras pessoas. É quando todos olham para o céu e vêem uma chuva de papéis voando dos topos dos prédios! Voavam longe, quarteirões adiante, iam caindo nas mais distantes ruas, ou mesmo nos próprios pés deles!
Homem: Olhem! Papéis caindo dos prédios!
Velha: Também são de denúncia!!!
Mercúrio: Quem será que está lá em cima jogando?
E lá foram os policiais idiotas prenderem quem estava lá em cima jogando! Nem esperaram pelos elevadores, foram subindo as escadas, inutilmente! Cada um ficava num andar para prender qualquer suspeito! Uns três ou quatro chegaram a subir até o terraço pela escada, inutilmente! Ninguém jogava, era o vento!
Policial1: Quem é o subversivo que está jogando esses papéis lá em baixo?
Policial2: O subversivo é o prédio... Vai prender?
Policial1: Ah, cala boca! O sujeito deve ter descido de escada ou de elevador! Comunique todos os outros pelo rádio que ele ainda deve estar no prédio!
E o melhor do plano! Muitos papéis voavam para fora dos muros do gueto! Se denunciar ao mundo o que acontecia lá dentro era uma das metas dos bolinhos de papéis nas muretas dos prédios; eles conseguiram! E iam os policiais de prédio em prédio, subindo até o terraço para pegarem os papéis! Mas os que estavam no chão das ruas já eram suficientes... Mercúrio esperava que algum repórter fora do gueto visse ao menos um daqueles papéis que voaram para fora do muro! E se uma das coisas que a mídia mais queria, era ter notícias dos acontecimentos do gueto, sempre tão fantasma para pessoas que vivem fora dele!
Enquanto isso, na mansão o problema era outro.... A
"Mágica" tão necessária para a resistência do gueto, era a mesma
Mística com três furos de adamantium no meio da barriga! Aos cuidados de Fera
e da aparelhagem Shiar, ela ainda vivia; e parecia melhorar. Ao menos, Fera
estava conseguindo cauterizar os ferimentos no rim esquerdo a lazer. E no
quarto, Scott olhava para o rosto melancólico de sua mulher. Consumido pelo
ódio e pelo desespero, ele não sabia como iniciar a conversa... Não fazia a
menor noção das atrocidades que Mística poderia ter feito em nome dele! 
Scott: Você deve estar com ódio de mim? Está chorando...
Jean: Por que você diz isso? Por acaso fez algo para que eu devesse ter ódio?
Scott: Eu te fiz algum mal?
Jean: Não foi propriamente mal... Eu só não gostei muito... Queria mais calma de uma próxima vez. Ou eu vou ter que usar meus poderes contra você! Será que vamos ter que chegar a esse absurdo?! Luta de poderes num momento que deveria ser amoroso?
Scott: Diz pra mim o que eu fiz que você não gostou...
Jean: Ora, Scott! Você sabe muito bem!
Scott: Não, não sei...
Jean: Eu não vou repetir com palavras. Não consigo me lembrar das piores palavras para definir certas coisas que você fez.
Scott dá um chute na porta e grita de ódio! Jean arregala os olhos e entra em pânico!
Jean: Meu Deus, eu não posso nem me queixar que você tem uma crise???!!!
Ele joga-se no chão e a abraça pela barriga.
Scott: Não, Jean... Não pense que estou com raiva de você...
Jean: Está com raiva de você mesmo?
Vampira dá uma porrada na porta e a abre quebrando o trinco! Aparece com os punhos em riste!
Vampira: Quê que é? Jean, quer minha ajuda pra alguma coisa??????
Jean não sabe o que dizer...
Jean: Não, querida... Está tudo bem... Pode ir...
Vampira: Mesmo?
Jean: Mesmo...
Vampira sai e encosta a porta que não fecharia mais a chave, estava com o trinco quebrado.
Jean: Vamos, Scott... Me explica o que aconteceu com você...
Scott: Você tem que acreditar em mim... O homem que fez tudo isso com você hoje não fui eu, era Mística! Por favor, não me trate como a pior escória do mundo, você sabe que eu seria incapaz de...
Ele é interrompido por um grito agudíssimo de Jean! Um grito aterrorizante, ele chega a tampar os ouvidos! Jean Grey levanta gritando como uma histérica e arranca as cortinas das janelas!
Jean: AHHHHHH!
Vampira aparece mais uma vez e voa em cima de Scott! Ele teve que jogá-la longe para que ela não o machucasse!
Scott: Calma, Vampira! Não desconte em mim sua raiva! Você já deve saber porque Jean está chorando... Pois saiba que não é por minha culpa, foi Mística!
Jean continua gritando histericamente, jogando todas as coisas de cima dos móveis no chão! Scott a abraça por trás, pedindo que ela se acalme, que pense na filha... Jean se liberta dele e dá socos na parede, joga-se no chão, torce o tapete com as mãos! Chega a preocupar Vampira seriamente de tanto que grita. Gambit corre para ver o que era!
Gambit: Chere?!?!?!
Vampira: Calma, Gambit! Vai passar, não se impressione!
Gambit: Isso são dores da gravidez???
Vampira: Não, amor... É outra coisa.
Jean: Eu quero morrerrrrrrrrrrr!
Scott ajoelha-se ao lado dela e mais uma vez a abraça, mas ela parece ter espasmos, mexe-se, tenta se libertar, grita como uma louca, bate as pernas no chão! Wolverine ouve os gritos de Jean e sobe as escadas feito um aloprado e chaga bufando no quarto e se atira no chão ao vê-la assim.
Wolverine: Jeanny? Calma!
Scott: Eu contei, Wolverine!
Wolverine: Pra livrar tua cara do ódio dela você contou a verdade, ne? Não podia conviver com uma rejeição dela?! Quer sempre ser chamado de meu amorzinho!
Scott: Sai do quarto, eu sei como acalmá-la. Eu vivo na verdade, Wolverine. Acho até que demorei demais pra contar outras coisas a ela. E não ia aturar um único olhar irritado dela, sabendo que eu não tinha feito nada para merecer!
Jean continua a espernear e a gritar, o tapete já
tinha voado longe de tanto que ela o chutava. Scott tentava segurá-la com
força, pedia para Vampira chamar o professor
Xavier ou Fera! Em poucos segundos
Warren já estava no quarto, Tempestade, Jubileu, Sam, Bobby Drake e pelo
corredor vinha o prestativo Noturno empurrando a cadeira do professor o mais
rápido possível! Fera não vinha porque estava tentando salvar a vida de
Mística, a causadora dessa confusão! Mas em poucos minutos,
chega Fera sendo carregado no colo por Vampira!
Vampira: Nossa, ele não vinha, tive que carregá-lo! Dizia que Mística iria morrer! Pois que morra!
Fera tinha uma injeção de calmante na mão, quando Jean viu a agulha gritou mais e mais! Professor Xavier, pediu para que Fera recuasse. Ele mesmo entrou na mente de Jean e foi induzindo a calma naquele terreno em crise. Ela foi parando de gritar, começou só a ficar puxando o ar intensamente, foi fechando os olhos e adormeceu nos braços de Scott. O silêncio era total, o que todos agradeciam muito; aqueles gritos estavam de matar.
Professor: Meus filhos, alguém pode me dizer o que aconteceu?
Fera se aproximou da adormecida e injetou nela o calmante. Pegou-a no colo e pediu que Scott o acompanhasse até o lambed. Scott quase teve uma vertigem de ódio ao ver Mística em um dos leitos do lambed. Queria enforcá-la.
Fera: Calma, Scott. Quando ela acordar, você faz o que quiser. Deixa-me só terminar meu trabalho da forma que deve ser feito: salvando a vida dela.
O azul peludo colocou Jean deitada no leito ao lado do de Mística. Olhou para Scott.
Fera: Sem rodeios ou vergonhas. Eu sou o médico da equipe, o que aconteceu?
Scott: ...
Fera: Scott!
Scott: Mística se transformou em mim e ... ... e você pode imaginar o que aconteceu!
Fera: Em quais circunstâncias?
Scott: Como assim em quais circunstâncias? Eu não estava lá.
Fera: Scott, você me entendeu perfeitamente!
Scott: Não sei... Parece que Mística foi... bruta com ela.
Fera: Você me permite?
Scott: O que?
Scott entendeu... Colocou a mão na cabeça puto de raiva...
Fera: Eu ligo para Miriam, então. Contudo, irá demorar no mínimo 40 minutos para que ela chegue aqui em Westchester.
Scott: ...
Fera: Eu sou o médico da equipe, Scott. Admira-me ver meu próprio líder ter essa conduta diante de uma situação em que pode estar colocando em risco a vida da sua filha.
Scott: ...
Fera pegou o telefone para ligar para Miriam, estava muito constrangido com a resistência de Scott.
Fera: Ela não está no consultório, vou tentar o celular.
Scott: Não... Faça da forma que disse, você está certo. Eu vou me retirar, faça o que deve ser feito.
Fera bate nas costas do amigo; dá um pulo por cima
dos dois leitos, Scott arregala os olhos ao vê-lo do outro lado,
abrindo-lhe a porta!
Scott: Se você pular isso de novo e cair em cima da minha mulher, eu não respondo por mim...
Fera: E se eu cair na Mística?
Scott sorri. Fera lhe dá outros tapinhas nas costas e fecha a porta pedindo para que ele não se preocupasse com nada. Fera volta para Jean e tira-lhe a roupa, fica examinando a mancha de sangue no tecido, olha para a calcinha e percebe que ali também tem outra mancha. Tira a última peça de roupa e coloca suas pernas nas duas hastes do leito. Lava a mão, coloca a luva, fica a examinar marcas no corpo. Algumas marcas roxas nos seios; ele olha com ódio para Mística. Apalpa a barriga, percebe marcas vermelhas nas pernas. Naturalmente de tanto que bateu com as pernas no chão quando gritava no quarto, aquilo ia ficar roxo também, precisava de gelo rapidamente. Puxa o banco para frente dela, ia fazer o exame de toque, liga o aparelho de ultra-sonografia de tecnologia Shiar. Muito melhor do que os usados pelos terráqueos mais milhardários! Mas Jean sempre morreu de vergonha de ser examinada por Fera. Hank introduz um micro fio de fibra ótica no canal vaginal, a visão do útero era perfeita!
Fera: Tecnologia Shiar! Uma maravilha! Posso ver o milagre da vida sendo formado em nove meses com tanta nitidez que me espanto! Lá está o que em breve será Rachel, na certa um lindo bebê! Ora... que má sorte... um pequeno descolamento da bolsa... Má sorte ou maldade de Mística? Parece estabilizado... nada que um repouso prolongado não cure! Rachel virá ao mundo totalmente sadia se a mamãe Jean seguir algumas regras...
As frases de Fera fazem Mística acordar, ela abre os olhos lentamente e vê outro corpo perto do seu. Um corpo nu que ela já conhecia. Um seio branco, alvíssimo, deitado no corpo esguio. Aquelas pernas bem torneadas, aquele rosto de olhos fechados, aquele cabelo ruivo caindo para fora do leito. Vê Fera entre as pernas daquele corpo, olhando para o monitor Shiar.
Mística: Você no meio dessas pernas e fazendo elogios a tecnologia Shiar!
Putz! Quanta viadagem...
Fera ajeita o óculos e olha para Mística com desdém. Para Hank Mckoy, também conhecido como Fera, aquele corpo nu e desacordado, totalmente vulnerável ao que ele quisesse fazer, não era mais nada além da casa onde habita Jean Grey! Para ele, aquele corpo não é nada, senão a casca de Jean. Sua amiga é a vida que habita ali dentro, é aquela pessoa acordada. Acordada e feliz e sadia! Cuidar do corpo, era salvar aquela vida interna. Para a víbora da Mística, Jean Grey não passava daqueles dois seios, das pernas e de tudo mais que ela pôde violar naquela tarde.
Fera: Mantenha-se calada, Mística. Seu quadro pode piorar.
Mística: Não está querendo que eu te atrapalhe na sua bolinação... Eu entendo... Não é todo dia que você pode ficar introduzindo a mão em certas pessoas!
Fera pula a maca de Jean e cai do lado de Mística, ela se assusta! Fera a puxa pela camisola de cirurgia!
Fera: Cala boca, Mística! Eu sou médico! Não sou como você! Jean é a esposa de um dos meus melhores amigos! Eu a conheço desde a adolescência, meu respeito por ela é maior do que sua compreensão medíocre consegue alcançar! E mesmo que fosse qualquer outra, médico trata a todos os seus pacientes de forma fria e objetivando a cura; a perversão está na sua cabeça depravada!
Mística: Ui... desculpa, peludo.
Fera: E se continuar, eu desligo os aparelhos que te mantém viva!
Mística: Nossa! E você se diz "médico"!
Fera grita de ódio!
Mística: Quais foram os estragos que eu fiz nela?
Fera: Isso não lhe diz respeito.
Mística: Acho que eu deixei ela bem fodida, literalmente...
Fera tenta acreditar que ele não ouviu aquela frase terrível. De azul, já estava ficando roxo de ódio. Teve vontade de que Mística ainda sofresse muito na vida, estava tão possuído pelo ódio que chegou a desejar mentalmente que ela um dia fosse abusada da forma mais vil, por alguém que gostasse. Assim como Jean pensou que tivesse acontecido. Mas logo acalmou-se e viu que desejar o mal de alguém não leva a lugar nenhum. Pegou um frasco no armário e uma seringa.
Mística: O que você está fazendo?
Fera: Colocando um sonífero no seu soro!
Mística: Olha que eu arranco essa agulha da minha mão!
Fera: Se eu fosse você, não faria isso. O tamanho da sua inteligência é inversamente proporcional as chances que você tem de tirar essa agulha sem quebrá-la na sua veia!
Mística: Quer dizer que eu vou dormir e não vou poder te ver pegando nos peitos dela?
Fera: Ah, Mística... Se eu pudesse, eu faria um transplante de cérebro em você!
Mística vai fechando os olhos, estava dormindo, mas ainda reuniu forças para dizer uma última frase.
Mística: Não me mate, Fera... sou muito importante para o sucesso no gueto mutante!
Ela dormiu, Fera balançou a cabeça...
Fera: É só por isso que eu te mantenho viva... Poderia facilmente ficar com a consciência tranqüila de não ter sido eu quem matou você... Era só te mandar para um hospital normal... Morreria facilmente como esses ferimentos e sem essa tecnologia Shiar.
Fera terminou o exame e vestiu Jean novamente, chamou Scott no lambed.
Fera: Scott... Pode ficar tranqüilo, sua filha está bem... Mas houve um pequeno descolamento da bolsa da parede do útero.
Scott: E?
Fera: E está estabilizado, não sangra mais. Só quero Jean quieta na cama por alguns dias. Nada de ficar andando e fazendo esforço, nem atividade sexual. Isso deslocaria e abaixaria mais a bolsa no útero.
Scott: Ela não vai querer saber disso por meses, Fera!
Fera: Scott, descolamento acontece bastante com algumas mulheres. Na maioria dos casos por causa de atividade sexual um pouco mais movimentada mesmo; acredito que tenha sido esse o motivo. Por isso, fique calmo.
Scott: Como ficar calmo se quem fez isso foi Mística??? E principalmente sabendo que ela fez intencionalmente!!!???? Ela queria que Jean tivesse problemas! Deve ter tratado minha mulher como ... como... Eu vou matar a Mística!
Fera: Eu presumo que já deve existir alguém querendo matá-la com muito mais requinte de crueldade que você...
Scott: Wolverine?
Fera: Doutor SINISTRO!
Scott gela, chega a estremecer. Odiava ouvir aquele nome. Fica pensativo...
Scott: Você acha?
Fera: Se eu acho? Scott! Deixa Mística sair dessa mansão para você ver o que acontece a ela... Uma pessoa que ousou prejudicar a boa formação de um filho de Jean Grey com Scott Summers!!! Isso para Sinistro chama-se comprar briga!
Jean acorda no próprio quarto, de banho tomado, roupa trocada e com as pernas em cima de uma grande e alta almofada. Ela vê Scott e Fera ao lado da cama, olha para porta e vê Tempestade encostada no portal sorrindo. Olha para Scott e pergunta:
Jean: Quem é você?
Fera: É seu marido, minha cara. Acredite em mim.
Ela o abraça apertado, Scott passa a mão em seu cabelo sedoso.
Scott: Jean, Hank veio aqui no quarto para lhe dar algumas informações.
Fera vê que Jean está deixando rolar uma lágrima de tristeza e constrangimento por tudo o que ocorreu, na certa todos já deveriam saber o que tinha acontecido a ela. E isso, a deixava com liberdade para chorar, mas uma vergonha constrangida terrível. Ela tinha nojo e raiva acima de tudo.
Fera: Jean, todos nessa casa já sabem o que aconteceu. Mística sofreu um acidente com Wolverine e...
Jean: Ah! Ele tentou matá-la?
Fera: Quase isso, meu bem... Ela agora está se recuperando no lambed, quando sair, Xavier já nos informou que ela some daqui. Nunca mais porá os pés nessa casa.
Jean: Até o professor já sabe... Acredito que ele só não faça coisa pior com ela, porque nós necessitamos dela para o fim do gueto!
Fera: Eu quero que você saiba que eu sinto muito pelo o que aconteceu.
Tempestade: Todos nós sentimos.
Fera: Eu queria pedir que você fizesse uma enorme força mental para não entrar em depressão! Esqueça tudo isso! Tente não pensar no que ocorreu; e acima de tudo, quando olhar para seu marido, saiba que ele não tem culpa de nada. Não foi ele.
Jean: Eu sou telepata, Fera. Minha mente eu vou conseguir controlar, farei
todo o possível...
Tempestade: Eu me pergunto o motivo de você não ter reagido a Mística na sala de monitores, já que ela... te tratava mal.
Jean: Ororo, eu não reagiria a meu marido com meus poderes; principalmente porque ele me passava a imagem de quem estava agindo normalmente e intercalava maldades com doçuras, sempre pedindo desculpas por alguma reclamação minha.
Scott: Eu não vou conseguir me controlar! Vou descer e matar aquela mulher moribunda!
Tempestade: Mística agiu da forma mais vil, mais cínica! Foi a forma que encontrou de conseguir chegar até o fim com seu intento.
Fera: A ultra-sonografia mostrou um pequeno deslocamento da bolsa, foi muito pequeno, nada de grave... Preciso que você fique em repouso absoluto por alguns dias, para que a bolsa possa voltar a se fixar no útero, um pouco mais acima. Se você ficar andando, fazendo esforço, a bolsa pode descer mais.
Jean: Eu tenho telecinésia, posso segurá-la mais acima usando meus poderes! Não carrego coisas mentalmente? Então...
Fera: Jean... Antes de ser mutante, você é uma mulher como outra qualquer. E vai por favor, seguir meus conselhos. Depois que eu vi a Rachel com toda aquela nitidez e perfeição, não vou permitir que você a perca por imprudência.
Jean: Você viu? ... Fera, você? Não foi a Miriam que veio aqui fazer isso?
Ela fecha a cara e encosta no espaldar da cama com força! Estava mordendo os lábios, os olhos ficaram vermelhos, tentou balbuciar alguma coisa, uma lágrima caiu.
Jean: Que raiva! Que raiva! Meu corpo... não tenho mais direitos sobre meu corpo! Já não bastava Mística ter entrado na minha intimidade?!
Fera abraça a amiga sentada na cama, ele estava sorrindo.
Fera: Minha cara, deixe de ser boba. Jean... você é tão sensata, tenho certeza que compreende perfeitamente que seu amigo aqui lhe fez um enorme bem! Eu cuidei de você e da sua filha... Mas compreendo sua vergonha diante de seu amigo de adolescência.
Jean: Eu sei... estou sendo uma tola mesmo...
Fera: Sem querer ofender, está sim, minha cara.
Tempestade: Eu concordo com Fera, Jean. Por mim, que você fosse exposta nua em praça pública, mas se sua saúde e da Rachel fossem salvas por isso, eu dava graças aos Deuses!
Fera: O que são as vergonhas do corpo, senão as imposições de nossa cultura? A natureza nos fez sem a menor vergonha, nos deu uma máquina, onde a vida habita. E a máquina, como já te disse antes, deve estar funcionando perfeitamente. E a sua vida, traz felicidade a de todos nós.
Enquanto isso, Mística se recuperava no lambed dos furos à garra feitos na sua barriga. Fera tinha feito algumas cirurgias a lazer, e ela parecia se recuperar, mas com certeza estaria fora dos treinos e fora do gueto por muito tempo. Ainda demoraria para andar bem, comer direito e coisas triviais como essas. Sozinha no silêncio daquele complexo tecnológico, ela não imaginaria o que poderia lhe acontecer. Escuta o barulho da porta abrindo.
Mística: Fera? É você? Veio me passar alguma outra lição de moral ou veio salvar minha vida como se deve?
Vampira aparece na frente dela com cara de poucos amigos!
Vampira: Não, Mística! Sou eu, e vim acabar com sua vida como se deve!
Mística deu um grito, ela estava fraca e operada, não poderia fazer nada contra a super força de Vampira! Vampira pulou em cima dela e começou a arrancar eletrodos e o soro de Mística! A metamorfa gritou de dor quando Vampira tirou aquelas agulhas enfiadas nas veias de suas mãos!
Vampira: Quer um pouco de acupuntura?
Vampira enfiou as agulhas nos braços e nas pernas de
Mística!
Mística: AHHHHH!
Vampira: Sua vaca! Como é que você pôde ser tão baixa???
Mística: Me solta, eu vou morrer!
Vampira: Pois que morra!
Mística: Vampira, eu cuidei de você como se fosse minha filha!
Vampira: Preferia que tivesse me deixado na rua!
Mística: Socorro!!!!
Vampira quebra todos os aparelhos que monitoravam o quadro de Mística! Dá um soco nela que a faz desmaiar! Vampira agarra a camisola cirúrgica e a sacoleja gritando:
Vampira: Acorda, sua vaca! Acorda que eu quero te bater mais!
E acabou batendo mesmo, dando tapas de um lado para o outro!
Vampira: Sua nojenta! Você enganou Jean! Se fez passar por Scott! Para satisfazer sua vingança e sua nojeira! Que nojo, não duvido nada que você quisesse pegar todos os homens e mulheres dessa casa! Bem tua cara mesmo não ser nem homem, nem mulher! Ser essa coisa que você é! Além de você fazer a coitada se sentir estuprada, a faz saber que foi com uma mulher!!! Com uma mulher não! Com essa coisa indefinida que você é! Essa coisa azul que muda a todo instante! Esse camaleão ridículo! Você é sempre tantas pessoas, que não deve mais saber quem é! Não é possível que você seja essa víbora, ninguém é tão mal!
Mística não acordava, tinha desmaiado mesmo, Vampira a largou no leito. Respirou fundo, olhou em volta e viu a destruição. Não dava para saber nem se ao menos Mística tinha se salvado daquele furacão.
Vampira: Ihhh... Será que eu matei mesmo a mulher?
Nesse instante, Fera entra no lambed.
Fera: Não conseguiu esperar ela melhorar para fazer isso?
Vampira: Não!!!
Fera: Tudo bem... Vou ver o que eu posso fazer com ela... Afinal, nós precisamos dela inteira!
Vampira: ...
Fera: Vai avisar ao professor que nós vamos ter que entrar em contato com Lilandra novamente. 1/4 do lambed foi destruído por você... Que agulhas são essas nos braços e pernas de Mística????
Vampira: Ah! Eu... fiz acupuntura com as agulhas do soro que estavam na mão dela... Desculpa...
Fera coloca a mão na cabeça! Não sabia nem por onde começar...