Você veio a mim... 

(1998)

Para Rita de Abreu (Mahareth)

© Dalva Agne Lynch

 

 

Você veio a mim vestida de negro – grandes olhos aflitos...

Você dançou comigo no círculo da criação

Antes que eu entendesse, ou visse o que havia

Por detrás de seus grandes olhos aflitos...

Você ainda recorda nossas noites

De perguntas sem respostas

Nossas noites da sabedoria de um homem

Sem respostas.

Ah, sim, você se lembra.

Fui eu quem esqueceu... Eu fui a que se enganou

E que levantou a mão contra seus olhos

Seus grandes olhos aflitos...

Fui eu quem trocou nossa dança

Pela ilusão vazia de palavras vãs...

Foram minhas ânsias, meu amor

Tresloucado e sem razão

Que ergueram barreiras

Ao seu ser menina

Entregando-se na cama da busca

Olhos escuros cheios de aflição...

Mas eu não quis ver.

Não tenho amor suficiente

Para secar as lágrimas

Para resgatar a ânsia

Para cegar o brilho

De seus grandes olhos aflitos...

Você entende, menina?

Ah, sim, você entende.

Mas eu, ah, eu...

Eu me perco nas brumas

Do homem sem respostas...

Estendo mãos inúteis

Mãos presas às minhas ânsias

E  arranco os seus olhos

Escuros, aflitos

Para pagar com eles o preço

Do meu amor...

 

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