Sintaxe
(Agosto de 1999)
© Dalva Agne Lynch
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Hoje o dia que acaba de amanhecer veio em adjetivos E o meu ser mulher está dolorido, sofrido, solitário. Hoje sou a mulher queimada na fogueira da ignorância Um adjetivo feminino comum, indiferenciado em cor Raça ou credo. Mais comum em quem se importa. Ah, mas hoje eu me importo – hoje sou comum. Hoje me levantei em meio às chamas do preconceito No pelourinho das críticas de mulheres desamadas E homens endurecidos por desejos não satisfeitos. Hoje o meu ser eu está difícil de ser. Adjetivo Ansiando pelo nome que lhe dê razão de ser. Particípio de um verbo irregular, insensato, inexato. Um verbo como escrita, desdita, feita aberta. Mas o que sou, que, escrita, foi desdita e feita aberta Mostrando de repente o que não deveria transparecer? É isto o que se me fez o dia nascer assim, em adjetivo. Sacudo a cabeça, desanuviando a sensação de inutilidade E de repente passo de adjetivo feminino comum Mero complemento nominal de outro ser A adjetivo substantivado. Sento-me ao teclado E transformo a manhã do meu ser adjetivo Em Arte. Com as palavras jorrando dos meus dedos Sou Substantivo Nominativo Singular Tão singular quanto cada curva do meu corpo. Tão nominal quanto o meu nome, chamado em amor. Tão substantivo quanto a essência feminina A essência divina, poderosa, criativa, Que é a substância do meu ser mulher.
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