Segredos

para Daniel de Ávila

© Dalva Agne Lynch

Ignorantes que são do poder da noite

Eles dormem. Eu caminho a esmo

Sob estrelas oriundas de tempos mortos

Ainda refletindo mistérios e segredos

À minha paixão por desvendá-los.

Visto-me da noite como de um manto

E nele me transformo no ser que sou

Criatura das sombras, vestida apenas

Pelo manto de um céu estrelado.

 

O vento que és tu, soprando a esmo

Encontra-me desnuda sob a noite.

Tu, criatura também do que não tem origem

Sussurras, dizendo ao meu ouvido:

Eu te cobrirei mais do que a noite.

Eu te contarei segredos mais profundos

Do que a luz milenar de estrelas.

Eu te cercarei e te darei sossego

E no meu regaço te responderei.

 

Por segundos alucinantes esqueço tudo

E sigo tua voz de vento. Retiro o manto

E despida até da noite, espero

Mas nada escuto... Tu não respondes.

Esquivo, impaciente, frio – tu te aquietas

E minhas perguntas caem no vazio...

Recalcitrante, cubro-me outra vez do manto

Agora escuro. Busco estrelas em meu pranto

E encontro-as – escorrendo-me pela face...

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