Poema da Lua Cheia
(22/02-2000)
© Dalva Agne Lynch

Eu me propus a escrever um poema na madrugada
Falando de teus grandes olhos vazios. O vazio
Pressinto mas desconheço. Teus grandes olhos
Desconheço... Desconheço o vazio
E desconheço teus olhos...
Que poema então, pergunto-me eu
Proponho-me a escrever? O que resta
Além do instinto de poeta
Que vê na madrugada da Lua Cheia
Grandes olhos vazios e um grande amor - vazio
Por existir apenas em meu poema?
Como a Lua Cheia em céu escuro
Olhando a própria imagem na lagoa
Meu poema olha a si mesmo em minha tela
E se deixa levar pelo espírito das águas.
Por certo me afogarei – como a flor branca
Que foi antes princesa e se lançou às águas
Em busca de seu amor...
E que águas são essas em que me lanço
E me afogo, nas palavras de meu poema?
Teus grandes olhos vazios – águas paradas
Da noite escura de meu poema...