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Introdução |
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Comecei minha jornada pelo mundo mágico meditando nas chamas de minhas velas do Shabbat, o sabá hebraico, entoando suavemente "Shalom Aleichem, Malacheh HaShalom..." (Bem-vindos, Anjos da Paz ), o xale sobre minha cabeça, as mãos levantadas, dedos estirados: "cinco contra cinco, com a circuncisão da língua de entremeio".
De repente, eu me vi cercada de lindas figuras em longas vestes, espadas desembainhadas, à espera. E eu me levantei perante elas como Lillith, a rebelde, a que não se submete, em revolta contra um mundo de homens mentirosos e traiçoeiros.
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"Se alguém te atacar, não será por mim; quem quer que te ataque, a ti se renderá. Veja, eu sou quem cria o ferreiro, quem atiça as brasas de fogo e forja as armas para a luta. Eu sou quem criou o destruidor para que cause devastação. Nenhuma arma que se levante contra ti prevalecerá. Tu refutarás toda língua que contra ti se levante em juízo. Esta é a herança dos filhos de Adonai, e esta é a tua defesa, por mim concedida." Isaías 54:15-17
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Durante meus últimos trinta anos, eu havia me dedicado ao estudo das religiões judaico-cristãs. Primeiramente o judaísmo, depois o cristianismo, retornando depois, em 1994, às minhas raízes judaicas. Por três anos dediquei-me ao estudo da Kabbalah Talmúdica. Queimei os olhos, já fracos, nas miúdas letras de alfarrábios antigos, nas complicadas teorias da teologia moderna.
E tudo isto me levou, de repente, à beira de um abismo.
Abaixo de meus pés vislumbrei um novo mar de conhecimento, de completa liberdade - se eu tivesse a coragem de saltar. Arás de mim e ao meu redor, senti o caos de um mundo destroçado pelas mãos de homens cruéis, regidos por deuses iracundos, sanguinários, egóicos.
Naquele Shabbat, meditei sobre o abismo, vendo Salamandras dançando nas chamas de minhas velas, sem nem ao menos saber o que elas representavam. Uma estranha força se levantou dentro de mim, como círculos concêntricos de energia, impelindo-me a saltar no abismo e lançar-me naquele mar desconhecido.
Saltei. À luz de minhas velas, despi-me de meu xale e iniciei minha jornada pelo Reino de Lillith, a Rainha da Noite. Da escuridão do preconceito e da violência do ser humano, penetrei nas trevas da rebeldia dos seres espirituais - meu primeiro estágio.
Nas páginas virtuais que se seguem, coloquei meus poemas e quadros dos diversos estágios de minha jornada pelo Reino de Lillith: o desencanto, a descoberta do poder kabbalístico, o círculo dos deuses pagãos.
Tenho agora me dedicado ao estudo das forças e maravilhas que se encontram não no mundo ao meu redor, mas dentro de mim mesma - este mundo paralelo ao que se vê, mais real ainda do que o palpável, por ser regido não pela ira do homem, ou pela escuridão de deuses esquecidos - mas pela verdade e sabedoria do conhecimento.
Que minhas visões ao longo desta jornada possam inspirar você, chamando-o e encorajando-o a despertar para um mundo além de todas essas teias que o amarram - um mundo belo, profundo e eterno - em comunhão com o Infinito.
Carinho,
Lillith O'Connor (Dalva Agne Lynch)