Insubordinação

Dalva Agne Lynch

 

 

"Talvez, para ela, o amor fosse uma forma desconhecida de guerra."

Paulo Coelho

 

 

 

Levanto-me perante ti em toda força do meu amor

Confronto-me contigo no efêmero poder do meu ser mulher.

Minha rebeldia forma círculos concêntricos à minha volta

O turbilhão sopra em meus cabelos, cobrindo-me os olhos

Moldando minhas vestes contra as curvas de meu corpo

Chamando-te e repudiando-te, oferecendo-se e negando-se.

Levanto meu rosto em afronta e desafio ao toque de tua mão

Desejando e repelindo o que foi criado desde o princípio

- o teu amor à minha volta, sobre mim, meu corpo adentro.

Moldada desde a fundação primeva para os teus dedos

Para tua boca contra a minha, tua palavra no meu coração

Estendo os braços feitos para o teu abraço, o teu aconchego

Mas também defendo o que só a mim pertence, a minha mente

A minha escolha, o meu destino, o meu ser mulher.

Originada no confronto, na insurgência, na não-submissão

Eu me revesti do meu ser rebelde, meu ser guerreira

E defendi contra ti aquilo que não te posso dar:

O direito que tenho ao meu próprio eu.

 

 

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