INQUIRIÇÃO
© Dalva Agne Lynch

Tu me circundas
Assopras
Sopras
Penetras
Consomes
Reprimes
Libertas
Restringes.
Luz ofuscante
Densas trevas
Névoa
Sopro de vida
Pairando...
Tu és
Onde
Quando
Mi
Ma
Para além
Dos seres finitos
Inexoravelmente
Separados
Intrinsecamente
Dependentes
Frágeis
Que somos.
Lugares secretos
Pensamentos proibidos
Desejos selvagens
Fogos ardentes
Ventos ululantes
São roupagens
Adornos
De nosso ser
Klipot
Lechem bizayom
O pão
Da vergonha.
Eich
Como fugir
De ontem?
Tu não sondas.
Sabes.
Eu caio
Mãos e boca
Em um.
Sondo-te.
Tu, névoa
Luz
Densas trevas
Sopro de vida.
Ao meu chamado
Tu me encaras
Mi?
- Quem é esta?
Ma?
- O que é isto?
Sou a arte
Que criaste:
Infinito poder
Inexorável
Independência
Intrínseca
Liberdade
Contigo
Para sempre.
Somos
Afinal
Um.
(Mi=quem; Ma=o que; kliphot=cascas, encostos; lechem bizayom=pão da vergonha;
eich=como)