Deus Criança

para Samuel, meu filho

© Dalva Agne Lynch

 

É porque não tive ainda palavras para descrever você

Passando na minha vida como se nunca estivesse ausente

E de repente, não me lembro mais do meu tempo sem você.

Você cresceu sem que eu visse, despertou sem que eu soubesse

Ou talvez despertei eu sem perceber, no tom manso de sua voz

Na luz macia e confiante dos seus olhos. O deus criança

Desabrochando como árvore em primavera, sem ruído e sem alarde.

Como árvore que promete dar um dia todo o fruto e toda a sombra

Como cervo vindo às águas em busca não de água, mas de amor

Sendo ele mesmo amor e água, força e busca, sem saber.

É porque ainda não tive as cores certas para colorir você

O azul certo para representar sua sedução ainda inocente

O dourado quente que retrate o despertar de seu poder.

E de repente vejo o tempo de sua espera se esvaindo

O seu tempo de preparação agora findo. Na dança desta Vida

Você me sorri em despedida - cruza o portal de minha mente

E se vai - agora deus.

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