Desmistificação

Para Daniel de Ávila

© Dalva Agne Lynch

 

O que fizeste de mim, que não mais existo

E a voz que de mim saía, criando beleza

Se exauriu? Onde estão minhas asas

Voando no espaço com destreza

Desafiando o vento...

 

O que fizeste de mim, que não mais sinto

Meu ser parado na imensidão de cores

Sem crescer? Onde deitei minha paleta

Inerte, enquanto me perco em dores

Sem entender por que...

 

O que me restou de todo o riso e toda ânsia

Nesta minha página árida, seca, devastada

Depois de ti? Não houve colheita alguma

Porque não houve semente plantada

Na terra que sou eu.

 

O que me restou de todo o amor e devaneio

Do explodir de cores, amores, risos e versos

Que tinha sido eu? No som duro de tua voz

Perderam-se, restos inúteis dispersos

No vendaval que foste.

 

O que me sobrou depois de ti foi o frio

Idéias soltas, teu mito inconseqüente

Mãos tenteantes, estendidas ao vazio...

 

"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores;
se não houver flores, valeu a sombra das folhas;
se não houver folhas, valeu a intenção da semente."
 
Henfil
 
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