Beloved

© Dalva Agne Lynch

 

Por estradas e caminhos busquei por meu amado

Recoberta em brancas vestes de inocência.

Em cada rosto eu vi seu rosto

Mas meu amado não achei.

 

 

Busquei por meu amado entre mares e montanhas

Em meio à paz de bosques, de cascatas, de jardins.

Senti seu toque em cada toque

Mas meu amado não achei.

 

 

Ouvi os cantos sensuais dos enlevos desta vida

Onde ódio e discórdia se mascaram de harmonia.

Em cada canto ouvi seu canto

Mas meu amado não achei.

 

 

Perdi-me então na bruma, em imagens sedutoras

Em abraços que prometem mas entregam só vazio.

Vi seu rosto em cada rosto

Mas meu amado não achei.

 

 

Penetrei em densas trevas, entreguei-me à escuridão

Onde morre a esperança e o ser cessa de pensar.

Eu o perdera a cada perda.

Meu amado não achei.

 

 

Enlouquecida, vi-me então na prisão do desespero

E abri mão do meu amado, desisti da própria vida.

De tantos nadas... eu nada tinha.

E foi então que o achei.

 

 

Ele me devolveu as vestes brancas da inocência

E fez-me compreender toda razão do meu buscar.

Ele entoou cantigas esquecidas

Ou talvez inexistentes.

Meu amado veio a mim

E em seus braços

Descansei.

 

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