Bali e Lombok, relatos e dicas de viagem – Liliana Bettina Alvez, Julho de 2004.

Obs: Eu tinha colocado umas fotos para ilustrar o texto, mas elas não apareciam quando a página era publicada. Assim que eu aprender, coloco de novo...

 

A Ilha de Bali

Sabíamos que era um dos grandes destinos turísticos da Ásia, mas chegada em Bali nos surpreendeu por não ser o que estávamos acostumados a esperar de uma ilha tropical, esperávamos que fosse pequena, pacata, com águas claras e areias brancas. A ilha de Bali não é nada disso, é uma província com mais de três milhões de habitantes e 5.632 m2 de área. Mas, nem por isso deixou de ser uma viagem bela e de experiências surpreendentes. Valeu pela sua cultura, pelas paisagens únicas, pelas pessoas, pela arte, pela arquitetura... difícil de explicar.

Bali, a princípio, pareceu agitada e confusa como grande parte das cidades médias de terceiro mundo, com um trânsito louco, motos e carros velhos... no entanto, logo começamos a perceber que estávamos em um lugar especial, onde os homens usam sarong e as casas parecem templos.

É claro que a Ilha tem muitas peculiaridades e só pudemos conhecer um pouquinho. Por exemplo, eles têm um calendário diferente, de 210 dias, que se repete durante o nosso ano. Acreditam em magia negra e em deuses bons e maus. Para eles, os deuses moram no topo das coisas, por isso, nenhuma casa é construída acima da altura dos coqueiros.

De maioria hindú, os balineses depositam diariamente suas oferendas para os bons deuses diante das casas e estabelecimentos comerciais. São cestinhas feitas de folhas de coqueiro trançadas, lindas, decoradas com comidinhas, incenso  e flores. Andando pela rua, é quase impossível não pisar em nenhuma. Mas não há problema em pisar, porque segundo eles acreditam, “os deuses comem rápido”. Nosso taxista, Wayan, explicou que o hinduísmo em Bali é diferente do praticado na Índia, mas que eles também têm um sistema de castas. Assim fomos descobrindo Bali, aos pouquinhos, nos dedinhos de prosa.

Nos primeiros três dias, ficamos no Novotel Corália, em Benoa. A região de Nusa Dua e Benoa concentra os grandes hotéis e resorts da Ilha. Uma área bonita e organizada. Achamos que é melhor ficar nesta região do que em Kuta, que é barulhenta e confusa. Chegamos e descansamos.

No nosso primeiro dia de passeio, resolvemos alugar um taxi, uma dica de amigos, que aprovamos. Quando se pega um taxista legal, como o que pegamos, ele também pode servir de guia, dar sugestões e falar sobre detalhes de Bali. Os hotéis disponibilizam taxis, mas o nosso queria nos cobrar 500.000 rúpias pela tarde. Chamamos um de fora e conseguimos por 250.000 (por 8 horas). A própria moça do hotel deu a dica. Depois percebemos que podia ter saído até por menos. Mas  o taxista era legal, valeu. Também é possível alugar um carro, mas o trânsito é complicado e dizem que os guardas estão de olho para “multar” turistas distraídos que, por exemplo, entram na contramão (Bali praticamente não tem sinalização de trânsito e segue a mão inglesa).

De manhã, curtimos o hotel. Depois do almoço, o taxi veio nos buscar para um tour de Tanah Lot a Uluwatu, dois templos imperdíveis da Ilha.  É bom ressaltar que Bali é repleta de templos, por isso não é preciso ir a todos os locais onde o guia de bolso aponta: “Templo”. A maioria acaba sendo muito parecida. Vale à pena tentar conhecer os que são especiais.

Tanah Lot tem uma paisagem linda e fica no meio do mar. Dizem, que é um belo local para se assistir ao por-do-sol. Não assistmos porque fomos cedo. Havíamos nos programado para ver o sol se por em Uluwatu. Na entrada de Tanah Lot há um mercado onde é possível conseguir boas pechinchas. Mas é preciso ter muita paciência para barganhar.

Aliás, vou abrir um parênteses para falar de uma chatice de Bali. Sim, pois como todos os lugares, essa ilha tem seus problemas. O principal deles é que boa parte da população, considerando que quase todo mundo vende algo, olha para você com cifrões nos olhos. No começo é interessante porque eles perguntam o seu nome, de onde você é.... falam do Brasil, mas querem mesmo é vender alguma coisa, qualquer coisa, de forma insistente. Às vezes torna-se desanimador perguntar o preço das coisas, porque vai ser difícil livrar-se do vendedor. A crise no turismo, pós-atentado, afetou gravemente a economia da Ilha. Não sei se por isso, mas chamou a nossa atenção o fato de que em muitas lojas havia um grande e empoeirado estoque de todo o tipo de objetos de decoração e acessórios. Talvez a abordagem estivesse sendo mais agressiva porque fomos fora da alta estação e havia poucos turistas.... De qualquer forma, foi um lado chato, com certeza.

No caminho até Tanah Lot, passamos por diversos campos de arroz, outra grande atração da paisagem de Bali. Passamos também pelas agitadas e engarrafadas avenidas de Legian e Kuta. Vimos o local onde ocorreu o atentado em 2002. Fica numa rua apertada, no meio de vários prédios, não tinhamos essa idéia.

Seguimos para as famosas e belíssimas praias do extremo Sul, parando em Padang Padang. Tropeçando nos vendedores, é claro, descemos para passear na praia. Era horário de maré baixa, sem ondas, mas a paisagem estava linda. Depois, fomos para Uluwatu ver o por-do-sol que nosso taxista-guia garantiu ser mais bonito do que em Tanah Lot. No caminho, Wayan foi nos explicando que em Uluwatu há uma deusa que gosta de rapazes e por isso leva a vida de vários deles no mar...

Fomos para o templo que fica em cima de um penhasco e tem uma vista incrível. Uma das mais bonitas que vimos em Bali. É preciso ter cuidado porque os macacos do templo roubam objetos pessoais e metem as maozinhas nos bolsos e bolsas dos incautos. Ah, aprendemos que não se pode entrar em nenhum templo de Bali com as pernas de fora, portanto, quem não estiver usando  calça ou saia comprida precisa pegar um sarong “emprestado” na entrada, deixando algumas rúpias como doação. É bom carregar um na mochila para essas ocasiões.

Lá pelas 6:00 h, assistimos a uma linda apresentação da Kecak Fire Dance, a beira do penhasco. Custou 35.000 rúpias por pessoa e valeu à pena. O sol foi se pondo no mar, ao fundo, como cenário para a apresentação.

Depois, jantamos na areia da praia de Jambaram e fomos para o Hotel.

No sengundo dia, fomos de veleiro para a ilha de Nusa Lembongam. Outra atração imperdível. Aí sim vimos uma praia de águas cristalinas e fizemos um snorkeling fantástico. Duas coisas poderiam ser melhores: pegar um barco mais rápido e dormir uma noite na ilha.

No terceiro dia, curtimos a praia no hotel de manhã, almoçamos, fizemos o check out e pegamos o caminho de Ubud. Normalmente o caminho é mais rápido, leva menos de duas horas, mas fomos parando em diversas vilas, cada uma especializada em um tipo de artesanato: madeira entalhada, esculturas em pedra, pinturas, batik, roupas, prata etc. Compramos peças bonitas e baratas numa fábrica de batik. 

Ubud é bem pequenina e até organizada. Tem um astral legal, só casas. É um bom ponto de partida para quem quer visitar o Centro, Leste e Norte de Bali, onde há lindos templos, lagos e vulcões. Várias agências e hotéis oferecem passeios de um ou meio dia que percorrem diferentes atrações. É só escolher um dos roteiros que, quando fomos, custavam de 75.000 a 90.000 rúpias por pessoa.

As atrações que vimos e achamos interessantes foram: Floresta dos Macacos (com mais macacos larápios), Goa Gajah (Caverna do Elefante),  Gunung Kawi (um templo antigo muito bonito), Templo Besakih (o maior de Bali) aos pés do vulcão Gunung Agung,  Holly Spring Water Temple (no qual, sem querer, assistimos uma cerimônia com oferendas), galerias de arte e o Mercado de Ubud. Outra experiência que consideramos imperdível é passear pelos arredores e campos de arroz. Fizemos esse passeio com bicicletas alugadas e fomos a vários templos, seguindo o mapa do nosso Guia de Bolso.

Sobre compras em Ubud, conseguimos comprar almofadas bonitas e baratas, adornadas com trabalhos em sândalo. As máscaras também eram baratas. Numa vilazinha no final da floresta dos macacos, as grandes (cerca de 1 m) custavam 20.000 rúpias. Também compramos outros artigos (bem pechinchados) no mercado e nas lojinhas de Ubud. No entanto, vimos que a oferta de roupas e acessórios femininos bonitos e bem elaborados é maior no Sul, principalmente nos hotéis e no Shopping.

Ficamos dois dias em Ubud e voltamos a Dempasar, para pegar um avião para a ilha de Lombok, nosso próximo destino.

 

Lombok

Locais famosos de Lombok são a praia de Singigi e as Gili Islands, mas como a nossa amiga Cris não tinha gostado muito dessa parte, por achar muito movimentada, resolvemos seguir sua dica e ir para o Sul, a mais ou menos duas horas de distância do aeroporto de Lombok. Ficamos no Matahari Inn, que é legal, mas achamos que estava um pouco abandonado. Na região também há um hotel da rede Accor, bem localizado, uma boa opção.

O Sul de Lombok sim se parece com a Ilha tropical que estávamos esperando de Bali. Não a praia principal, que também se chama Kuta, mas as demais, ao redor. Quando fomos, havia pouquíssimos turistas. Ruim para a economia, mas ótimo para nós.                 

Diferente da Kuta de Bali, em Kuta Lombok quase não há hotéis e restaurantes ao redor. Também ao contrário de Bali, lá é possível alugar uma pequena moto ou carro para passear pelas diversas praias. O trânsito, se é que aquilo pode ser chamado de trânsito, é muito calmo. Só tivemos que tomar cuidado com as galinhas, búfalos e cabras no caminho. Foi divertido porque, quando passávamos, as pessoas, principalmente as crianças, nos cumprimentavam esticando a mão para tentar bater nas nossas. Saudação que devem ter aprendido com os surfitas.

No entanto, mesmo nesse paraíso de águas claras, eles estavam lá.... sim, os vendedores.... Várias praias estavam desertas, exceto pelos vendedores.

No terceiro dia, acordamos cedo, pegamos um barquinho e fomos, digo, o Bruno foi surfar de bodyboard em Air Goling. O pico de surfe fica longe da beira da praia, por isso é mais fácil chegar de barco. Os rapazes pularam na água, eu fiquei no barco tirando fotos. Ondas perfeitas, segundo os entendidos...

Ficamos três dias e voltamos para Bali para finalmente conhecer a praia de Kuta. Depois de Lombok não teve muita graça.... Fizemos algumas compras nas lojinhas locais (exaustos de pechinchar e dizer “Não, obrigado”) e curtimos um pouco a noite que é a mais agitada da Ilha.

Voltamos para Hong Kong  no dia seguinte, carregados de belos artesanatos, fotos e de boas lembranças.

 

 

 

Curiosidades e dicas confirmadas

 

Estava lendo alguns sites sobre Bali e achei interessante destacar alguns pontos.

1. O que diz a reportagem: Em Bali, todo mundo tem o mesmo nome. Seja homem ou mulher, o primeiro filho sempre será Wayan, o segundo, Made, o terceiro, Nyoman, e o quarto, Ketur. Caso haja o quinto, a lista se repete. Por isso, é comum todos terem apelidos ou serem conhecidos pelo sobrenome.” (http://www.terra.com.br/turismo/roteiros/2000/09/23/007.htm) 

Comentário: O nosso taxista se chamava Wayan. Ele nos disse que quase todo mudo tinha esse nome. O nosso próximo taxista também se chamava Wayan...

 

2. O que diz a reportagem: Muito divertido é o trânsito. Uma verdadeira bagunça, onde todos se entendem: motos, ônibus, caminhões, pedestres, cachorros e galinhas. Não existem placas de "pare" ou semáforos em qualquer cruzamento. O veículo de transporte mais comum entre os balineses é a moto, que leva para qualquer lugar a família toda: pai, mãe e filhos, às vezes até três deles em uma mesma moto. A mão de direção é inglesa, mas não se preocupe se você se atrapalhar: ninguém vai reclamar ou buzinar, no máximo acenarão com um caloroso "olá!".” (http://www.terra.com.br/turismo/roteiros/2000/09/23/009.htm )

Comentário: Como eu disse, várias pessoas nos avisaram para não alugar carro em Bali. Moto, jamais. Um amigo nosso sofreu um acidente grave de moto por lá.

 

3. O que diz a reportagem: Devido ao grande número de brasileiros que vão a Bali, é comum um balinês falar algumas expressões em português, como "obrigado", "como vai você?", "bonita" e até gírias, como "gatinha" e "sangue bom". Quando os nativos sabem que o turista é brasileiro, eles logo dizem: "Futebol... Ronaldo ..." (http://www.terra.com.br/turismo/roteiros/2000/09/23/008.htm)

 Comentário: Ouvimos “gatinho(a)” várias vezes e achamos muito engraçado.

 

4. O que diz a reportagem: Bali poderia receber dos turistas o apelido de "Ilha da Alegria" por vários motivos. O primeiro deles é a hospitalidade, simpatia e felicidade que os habitantes locais transmitem e recebem dos estrangeiros, mesmo com toda a pobreza em que vivem. O salário mínimo em Bali é de US$ 30 por mês (quase um terço do que no Brasil), e em muitos lugares não existe água encanada, muito menos esgoto. (http://www.terra.com.br/turismo/roteiros/2000/09/23/002.htm )

Comentário: Muitas vezes eu fiquei com vontade de comprar bugigangas porque via que os vendedores estavam precisando. Era um pouco triste. Além disso, eles são super-simpáticos.

 

5. O que diz a reportagem: Por outro lado, as compras podem ser um problema em Bali. Todo mundo quer sempre lhe vender algo: camisetas, bermudas, vestidos, canetas, sarongues, artesanato etc., em qualquer lugar que você esteja, seja na praia, dentro do carro ou na porta de um templo. Mas, aos poucos, você se acostuma com mais este “hábito” balinês. (http://www.terra.com.br/turismo/roteiros/2000/09/23/003.htm)

Comentário: Chato! Chato! Chato! Quando fomos ao Vulcão quase não pudemos sair do carro. Mas a gente tem que entender o lado deles. Ok!

 

6. O que diz a reportagem: Na hora do câmbio, reconte as notas, eles sacaneiam. Te liga!!! Não aceite drogas de ninguém que oferecer. Eles têm conchavo com a polícia, que te abordará minutos depois. (...)

A polícia é corrupta, comprável e por muito pouco, mas com drugs é diferente.
Atenção, para dirigir moto tem que ter a manha, pois o trânsito é totalmente crazy. Quem é "maior" tem a preferência e o lado de dirigir é o contrário e as ruas têm várias mãos!
(http://www.surfway.com.br/link_trip/trip_bali.asp)

Comentário: Na nossa última noite, passeando pelas ruas de Kuta, vários caras na calçada nos ofereciam, entre todo tipo de coisas, drogas. Um foi muito engraçado, ficou seguinda a gente e perguntando: “_ Taxi? ... Informação?...  Maryhuana?”. Rimos muito.

 

7. Diz a lenda que Brahma, Shiva e Visnu, os deuses da trindade hindu, se refugiaram em Bali depois de terem sido perseguidos pela fúria do islamismo na Indonésia. Era o século XV, e a religião de Maomé começava a se assentar na maioria das ilhas do arquipélago. Em Bali, o hinduísmo resistiu. A ilha era tão pequena e tão ameaçadora que as bandeiras do Islã resolveram deixá-la em paz. Com os três deuses vieram os artesãos, dançarinos, escritores e intelectuais que iriam compor a sua nova corte. Os deuses se instalaram nos vinte e dois mil templos da ilha. A cada dia, desde então, são homenageados pelos seus habitantes com oferendas,  flores e incensos.

(...)

A mitologia hindu está presente em todas as danças, músicas, quadros e esculturas, que reproduzem os grandes poemas épicos como o Ramayama e o Mahabarata. O passado dos grandes deuses da natureza que antecederam a cultura hindu também está presente. A mais arrepiante demonstração desta herança cultural é a kechak dance, a dança dos macacos, onde o som das vozes de centenas de homens é empregado como instrumento, como uma música atonal contemporânea.

(...)

A presença dos deuses garante outro traço marcante: o perfume. Um aroma agridoce dos jasmins - manga  colocados nos templos e do sândalo dos incensos se misturam com a fumaça de um lendário cigarro local, o Gudang Garan (depósito de sal). Dessa mistura exótica surge o "cheiro de Bali", que com certeza não se encontra em nenhum outro lugar do mundo. Ainda hoje em dia, em Bali os deuses se manifestam mesmo no caos urbano das cidades da ilha, quando, finalmente, no meio da confusão, acontece uma batida, os motoristas descem de seus respectivos veículos e dizem: “Sem Ken Ken, Sem Ken Ken”. Ou seja: “Tudo bem, sem problemas”, e trocam entre si inevitáveis sorrisos, daqueles que só se vê em Bali.

(http://www.orientalgate.com.br/dicas.htm)

Comentário: Sem comentários. É a magia de Bali.

 

 

Contato do Taxista:

I Wayan Sudiasa

Hp. 081 8370 725

E-mail: sudias’[email protected] (estranho ter apóstrofe, mas é assim que está no cartão)   

Fone: (0361) 771661, 773030

 

 

 

 

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